Londres, 1851. A primeira Exposição Universal acaba de abrir as portas. Entre os convidados, encontra-se uma família nobre inglesa de apelido Winterfield.
Janeiro de 1852. As fotos tiradas no bordel foram recuperadas, e os seus novos donos não hesitam em usá-las para chantagear os principais envolvidos, extorquindo grandes somas de dinheiro para fins “nobres”. Não há mais espaço para piedade neste mundo. Jay e Kita entendem isso bem, e sujar as mãos já não as incomoda. Tudo o que fica são os cadáveres daqueles que tiveram o azar de se interpor no seu caminho e o ideograma “Shi”, um símbolo do seu ódio pela sociedade.
Presas pela polícia e pelo terrível Kurb, Jay e Kita conseguem escapar a tempo com a ajuda do Sensei, mas o preço é terrível. Com a cabeça a prémio, unem forças com os Dead Ends. Juntos, procuram vingar-se do Império Britânico. Para isso, aproveita as decisões da Rainha Vitória; insatisfeita com as províncias norte-americanas que exigem independência, ordenou a construção de uma frota naval para declarar guerra à América e recuperar o que lhe pertence. E uma tentativa de assassinato está a ser planeada… O demónio às vezes derrama lágrimas, mas não se enganem, ele alimentar-se-á delas para se fortalecer e extravasar o seu ódio…
“Shi” é uma das mais aclamadas séries da BD franco-belga da actualidade, uma obra fascinante que a Ala dos Livros publica em 4 livros de dois volumes cada.
SOBRE OS AUTORES:
Zidrou (argumento)
Nascido em 1962 na Bélgica, radicado em Espanha há vários anos, Zidrou, nome artístico de Benoît Drousie, começou a sua carreira de argumentista de banda desenhada nos anos 90, na revista Spirou. A sua anterior profissão, de professor primário, foi sem dúvida fundamental para dar vida a personagens como o “L’Elève Ducobu” (‘O Menino Toninho’, na edição de 2000 da Meribérica/Liber, e ‘O Menino Boavida’, Edições ASA, 2007) – série que viria a ser adaptada a cinema em 2011 – ou de “Tamara”, dois ícones da banda desenhada juvenil em língua francesa.
A partir de 2010, e depois do sucesso da série ‘Les Crannibales’ (com Jean-Claude Fournier) que foi premiada no Festival de BD de Angoulême, Zidrou iniciou uma carreira vertiginosa na banda desenhada de cariz adulto, dando uma nota pessoal às suas histórias: dramas quotidianos nos quais o realismo alterna com o fantástico, e a alegria de viver estabelece uma forte aliança com a tristeza e a decepção.
Zidrou é actualmente um dos argumentistas mais prestigiados da nona arte tendo recebido, em 2021, o Grand Prix de l’Académie Victor Rossel para o conjunto da sua obra, passando, desde então, a fazer parte do júri da Academia de banda Desenhada.
Josep Homs (desenho)
Josep Homs é um desenhador e colorista espanhol, natural de Barcelona, nascido em 1975. Rodeado de papeis e de lápis desde a mais tenra idade, estudou desenho na Escola Joso (Barcelona), começando a trabalhar em publicidade, na imprensa, em design, em graffiti e ascendendo rapidamente enquanto desenhador de BD. Ao decidir trocar a Europa pelos Estados Unidos, Homs teve a oportunidade de trabalhar para várias editoras, mas sobretudo com a Marvel, o gigante do comic americano. Josep Homs assegurará, assim, o desenho de “Red Sonja” (com argumento de Frank Cho e de Doug Murray) ou de “Blade” (com argumento de Christopher Hinz) tendo ainda publicado na revista Heavy Metal e nas antologias espanholas Barcelona TM e Revolution Complex. Ao regressar dos Estados Unidos, assinou na Dupuis os desenhos de “El Angelus” (argumento de Frank Giroud) e depois, em colaboração com Sylvain Runberg, a imponente adaptação de “Millénium”.“Shi”, com argumento de Zidrou, surge no início de 2017 sendo recompensada, em Outubro desse mesmo ano, com o Prémio Saint-Michel do melhor desenho e em 2019 o Bronze Award, no Japan International Manga Award.

