E no último dia antes da cerimónia final (para entrega da Palma de Ouro), reencontramos o fulgor dramático, a inteligência narrativa e a subtileza humana de Jean-Pierre e Luc Dardenne: «Jeunes Mères», centrado no dia a dia de uma instituição de apoio a jovens mães solteiras, é mais um exemplo memorável de uma estratégia realista com tanto de particular, nas histórias belgas que nos vai contando, como de universal, através dos ecos simbólicos, por vezes políticos, dessas mesmas histórias. Nesta perspectiva, é forçoso relembrar que o realismo dos Dardenne nada tem que ver com o naturalismo tosco que, através da chamada “imagem real” dos directos, o sistema televisivo tem vindo a impor aos nossos olhares. A elaboração realista nasce, aqui, de uma relação muito forte (e muito trabalhada) com os lugares da acção e, sobretudo, com os rostos e corpos dos actores. Tudo isso é tanto mais impressionante neste “Jeunes Mères” quanto, pela primeira vez, os Dardenne fazem um filme que não se centra na dinâmica de uma única personagem, desenvolvendo um cruzamento de histórias que flui de modo sempre envolvente, por vezes profundamente tocante — são cinco estrelas, para simplificar.

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