Há no mundo três ou quatro cineastas que são a essência do cinema moderno, mas, acima de todos, estará John Cassavetes (1929 – 1989). É, pois, o tempo de regressarmos de novo à sua obra, que influenciou (e continua a influenciar) um sem número de realizadores no mundo inteiro, entre os quais Bogdanovich, Scorsese, Eustache, Pialat, Rivette ou Hamaguchi. Foi, com a actriz Gena Rowlands, com a qual se casou em 1954 e viveu até à sua morte precoce aos 59 anos, um dos pares mais criativos na história do cinema. Foi com ela que fez quase todos os seus filmes, e também com os amigos, como Peter Falk ou Bem Gazzara, impregnados pelo pulsar de uma vida partilhada de forma única.
Como escreveu Jim Jarmusch, os seus filmes “são sobre o amor, a confiança e a desconfiança, o isolamento, a alegria, a tristeza, o êxtase e a estupidez. São sobre a inquietação, a embriaguez, a resiliência e o desejo, sobre o humor, a teimosia, as falhas de comunicação e o medo”. São uma extensão da vida e estão, como refere Ray Carney [Cassavetes on Cassavetes], “cheios das suas experiências e dos seus sentimentos mais pessoais […] Cassavetes está dentro dos seus filmes, e as suas impressões sobre a vida estão em personagens como o Ben, de Sombras, o Richard, de Rostos, o Seymour, de Minnie e Moskowitz, a Mabel, de Uma Mulher sob Influência, o Cosmo de A Morte de um Apostador Chinês, e o Robert de Love Streams”.
“John Cassavetes, que tinha mais ou menos a minha idade, era um grande realizador. Não consigo imaginar-me como seu igual no cinema. Para mim, ele representa um certo tipo de cinema que está muito acima de tudo.” – Jean-Luc Godard
“Cassavetes encarnava a emergência em Nova Iorque de uma nova escola de guerrilheiros do cinema. […] só as relações humanas o interessavam: o riso e a vergonha, os jogos e as lágrimas – o grande carrossel do amor.” – Martin Scorsese
“Em última análise, tudo se resume a uma pessoa: John Cassavetes.” – Ryusuke Hamaguchi
Ciclo JOHN CASSAVETES
sombras
Shadows
com Ben Carruthers, Lelia Goldoni, Hugh Hurd, Anthony Ray
EUA, 1959, 1h27 | M/12
14 Maio, 16h / 10 Jun, 15h30
Primeira longa de Cassavetes, é como que um “manifesto” por um novo cinema.
MARIDOS
Husbands
com John Cassavetes, Ben Gazzara, Peter Falk, Jenny Runacre
EUA, 1970, 2h20 | M/16
15 Maio, 14h / 1Jun, 14h
Nocturno, melancólico e nervoso, é um dos melhores filmes de Cassavetes.
NOITE DE ESTREIA
Opening Night
com John Cassavetes, Gena Rowlands, Joan Blondell
EUA, 1977, 2h24 M/12
16 Maio, 13h / 30 Maio, 19h / 6 Jun, 19h30
Um dos melhores filmes sobre o mundo do teatro, com mais uma interpretação superlativa de Gena Rowlands.
UMA MULHER SOB INFLUÊNCIA
A Woman under the Influence
com Gena Rowlands, Peter Falk, Fred Draper
EUA, 1974, 2h26 | M/12
17 Maio, 16h / 31 Maio, 21h, 7 Jun, 18h
Uma das grandes interpretações de Gena Rowlands e um dos mais célebres filmes de Cassavetes.
GLORIA
com Gena Rowlands, John Adames, Julie Carmen, Buck Henry
EUA, 1979, 2h23 | M/16
19 Maio, 19h45 / 2 e 9 Jun, 22h
O “périplo nocturno” de Gloria e do miúdo porto-riquenho que ela protege, pelas ruas de Nova Iorque, é um dos mais célebres títulos da última fase da obra do realizador.
A MORTE DE UM APOSTADOR CHINÊS
The Killing of a Chinese Bookie
com Ben Gazzara, Timothy Agoglia Carey, Seymour Cassel
EUA, 1976, 1h49 | M/12
20 Maio, 22h /4 Jun, 19h30
Filme noir e nocturno onde as sombras se avolumam, com Ben Gazzara num dos seus melhores papéis.
MINNIE AND MOSKOWITZ – Tempo de amar
com Gena Rowlands, Seymour Cassel, Val Avery, John Cassavetes
EUA, 1971, 1h55 | M/16
21 Maio, 17h45 / 5 Jun, 21h30
Seymour Moskowitz, um beatnik envelhecido. Minnie Moore, uma loira sofisticada, empregada num museu. Tudo os separa, excepto a sua solidão e uma certa falta de jeito nos jogos de sedução…
LOVE STREAMS – AMANTES
com John Cassavetes, Gena Rowlands, Diahnne Abbott, Seymour Cassel
EUA, 1983, 2h21 | M/16
22 Maio, 17h30 / 3 e 10 Jun, 21h30
Extremamente pessoal e o último de Cassavetes, é um premonitório e admirável “filme de despedida”.
ROSTOS
Faces
com Gena Rowlands, John Marley, Lynn Carlin
EUA, 1968, 2h10 | M/12
28 Maio, 16h30 / 6 Jun, 13h
Um dos filmes mais característicos do modo de trabalho do realizador, que submete a câmara ao “movimento dos actores”, criando com eles uma enorme empatia.
Cópias digitais restauradas.



