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Nuremberga

Perante aquilo que tem sido o repertório cinematográfico de Brian Tyler, não o consideraria propriamente um compositor de primeira linha apesar de estar permanentemente envolvido em grandes projetos hollywoodescos, casos das franquias «Velocidade Furiosa», «Gritos», «Mestres da Ilusão», ou do universo cinematográfico Marvel, entre muitíssimas outras mega produções. Na maioria destes casos, Tyler demonstra pouco engenho na criação de sonoridades ricas e melodias memoráveis. Mas existe “um outro” Brian Tyler, capaz de nos surpreender em filmes de outra natureza, de forte teor dramático, com música sentida, expressiva e emocionalmente complexa. Música, diria, com propósito. Vimo-lo a fazer isso nas partituras para filmes como «O Melhor Jogo de Sempre» [«The Greatest Game Ever Played»] (2005) ou, especialmente, «Filhos de Deuses Diferentes» [«Partition»] (2007). 

Nesta sua segunda colaboração com o realizador James Vanderbilt, depois da sua composição para «Verdade» [«Truth»] em 2015, primeira obra de Vanderbilt, Tyler acerta na mouche. O compositor parece ter criado mesmo um vínculo especial a «Nuremberga», sentindo-se, desse modo, quase na obrigação de compor uma suite da partitura do filme, para orquestra e coro, para execução nas salas de concerto. É esta suite, estruturada em cinco andamentos, que abre o álbum da banda sonora com o selo da Sony Classical: As primeiras notas de Begin, o primeiro destes cinco andamentos, definem o tema principal da partitura que alude à tragédia do Holocausto, com reminiscências do celebérrimo Theme from Schindler’s List de John Williams. Hope revela um outro tema que traduz – ou tenta traduzir -, justamente a ideia de esperança. Esta secção é de uma incomensurável beleza, com o tema a ressurgir replicado em Epilogue, penúltima faixa. Quanto aos restantes andamentos, ResistanceNever Shall We Forget Tzedek, Tzedek Tirdofcarregam elementos líricos e de conotações marciais

Para além dos cinco andamentos já indicados, o resto do álbum contém a partitura do filme propriamente dita que explora todas as ideias temáticas apresentadas na suite. Referência ainda para a última faixa, Nuremberg End Title, uma longa peça que, tal como o nome indica, acompanha os créditos, e que é como que uma recapitulação dos fragmentos melódicos e motívicos mais relevantes – ainda que exclua o “tema da esperança” -, finalizando com uma derradeira e emotiva reposição da melodia principal, primeiro no piano e posteriormente nas cordas. Era interessante ver Tyler mais envolvido em dramas do calibre de «Nuremberga».

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