Locked Down

Locked Down: Crónicas (e Assaltos) de um Confinamento

Locked Down: Crónicas (e Assaltos) de um Confinamento

Anne Hathaway e Chiwetel Ejiofor são os protagonistas da mais recente aposta da HBO Max, «Locked Down», que fica disponível amanhã no catálogo português da HBO. A Metropolis teve acesso antecipado ao filme, que explora a relação de um casal em tempos de Covid-19.

Percebemos, recentemente, que há duas coisas inevitáveis na vida cinéfila: sem contactos, não há melhor amigo do que o streaming… e era uma questão de tempo até começarem os filmes sobre o Coronavírus. Muitas foram, aliás, as séries que já regressaram com este contexto integrado («The Good Doctor», «This is Us», entre outros), sendo que faltará pouco para sermos invadidos por longas metragem com a mesma inspiração. Algo que, genericamente, deve retirar-nos a vontade de ver, para já, o dito filme – bem, pelo menos aos meus amigos.

Locked Down

Promovido como um filme sobre um casal que pondera fazer um assalto, «Locked Down» é muito mais uma obra sobre as relações em tempo de pandemia. Demoramos, aliás, mais de uma hora a afastar-nos do conflito entre Linda (Anne Hathaway) e Paxton (Chiwetel Ejiofor), um casal que vive separado, ainda que na mesma casa. A vontade de Linda acabar com a relação foi “atrapalhada” pelo confinamento obrigatório em Londres, que a deixou fechada em casa com Paxton.

Ao mesmo tempo, a dupla comunica com o meio-irmão de Paxton e a mulher (o casal da vida real Dulé Hill e Jazmyn Simon), por Zoom, e Linda mantém a rotina através do teletrabalho. As idas ao supermercado, onde se disputa o papel higiénico, o uso de máscara e as performances de rua pautam também um ritmo familiar para o espectador. Demasiado familiar.

Locked Down

A naturalidade na interpretação dos protagonistas coloca-nos numa zona de conforto, como testemunhas de uma relação em ruínas que, aos poucos, vamos conhecendo melhor. Mais do que os problemas que atravessam enquanto casal, há todo um contexto social, relacional, profissional e até emocional que ilustra bem, ainda que a um nível superficial, aquele que foi o retrato de um mundo a meio gás. E também em desespero por um vírus que, ainda hoje, continua a não dar descanso. A storyline “vendida” como principal acaba por ficar em segundo plano e, inevitavelmente, ao chegar tarde é despachada rapidamente.

Talvez nos próximos anos possamos olhar para este filme como uma comédia que espelha aquele que é, hoje, o nosso presente. No entanto, o tema da Covid-19 é ainda muito real para conseguirmos olhar para «Locked Down» com leveza. É, assim, um drama que analisa a conturbada vivência do Coronavírus e do confinamento, sem liberdade, sem espaço próprio e em constante pressão. Já as escolhas de Linda e Paxton são, por isso mesmo, quase proféticas e uma metáfora da liberdade, não só relacionada com a pandemia mas também com os vícios capitalistas e a desumanização nas empresas.

«Locked Down» é realizado por Doug Liman (Identidade Desconhecida, Jogo Limpo, No Limite do Amanhã) e com argumento de Steven Knight (Estranhos de Passagem, Locke, See).

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