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Fifteen-Love: um lado obscuro do desporto profissional

Uma estrela promissora do ténis vê a sua carreira chegar, tragicamente, ao fim, depois de uma grave lesão no pulso. Quando reencontra o antigo treinador, faz uma acusação que irá marcar muitas vidas de forma irremediável.

Quando Justine Pearce (Ella Lily Hyland) consegue destronar uma das estrelas do ténis mundial, a celebração dura pouco: caída ainda dentro de campo, a jovem de 17 anos agarra-se, em sofrimento, ao pulso. Este é o ponto de partida de «Fifteen-Love», uma das mais recentes apostas dos canais TVCine, que traz o eterno Poldark, Aidan Turner, num dos papéis mais desafiantes da sua carreira.

Alguns anos depois da sua lesão, Justine leva uma vida normal, enquanto Glenn Lapthorn (Aidan Turner) atinge o auge quando o seu jogador vence o French Open. A redenção do profissional causa bastante revolta na ex-tenista, que não terminou a recuperação e, como tal, se rendeu ao final de uma possível carreira profissional. No entanto, na altura em que está no topo, Gleen decide regressa à Longwood Academy, onde Justine trabalha e onde se revelou, no passado, um dos seus grandes talentos.

Com um ambiente pesado, a chegada de Gleen é recebida em euforia, até ao momento em que Justine, que, claramente, não está a saber lidar com o reencontro, descobre que o ex-treinador pode ter uma amante. O início da narrativa dá a entender uma possível paixão da então adolescente pelo treinador, mas vai, aos poucos, deixando outras interpretações no ar. O argumento também coloca várias questões, com a interpretação de Ella Lily Hyland, na sua estreia num papel de destaque, a surpreender pela positiva.

O mundo do desporto desde cedo atraiu a ficção, seja pelas histórias heroicas, seja pelo lado mais obscuro que esconde. «Fifteen-Love» tenta replicar um alegado escândalo sexual, como foco numa figura numa posição de poder sobre uma jovem, ao mesmo tempo que questiona todos os acontecimentos. Embora a trama não convença totalmente, contribui para uma discussão muito atual e presente na sociedade.

Da mesma forma, o facto de abordar um tópico tão importante “castiga” também a série de Hania Elkington, que já não tinha sido feliz com «The Innocents». Os pontos fracos acabam por ser idênticos, tal como escrevi em 2018 na Metropolis: ingredientes com potencial não são, obrigatoriamente, sinal de receita de sucesso.

[Crítica publicada na Revista Metropolis nº102, Janeiro 2024]

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