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Drácula: Uma História de Amor

Danny Elfman regressa à boa forma nesta nova adaptação do clássico de Bram Stoker, «Drácula: Uma História de Amor» assinado pelo francês Luc Besson. Elfman já perseguia este objetivo há cerca de 30 anos: musicar um filme sobre a mítica figura de Drácula era um dos sonhos mais antigos do veterano compositor de 72 anos, autor de algumas das bandas sonoras mais emblemáticas da história do cinema moderno. 

A orquestração é relativamente ortodoxa, seguindo a linha padrão habitual do compositor em filmes do género. A partitura – interpretada pela especializada Budapest Scoring Orchestra and Chorus-, nomeadamente as notas que são o cerne do tema principal, introduzido logo na primeira faixa, Music Box, inicialmente em modo “música de embalar”, ficou desde logo envolta em polémica. Isto porque este tema parece decalcado de uma das melodias-chave da soberba partitura de Christopher Young para o muito recente «The Piper – A Melodia do Mal» (2023). A semelhança é gritante e sugere que o tema de Young poderá ter sido utilizado como peça musical provisória (o termo técnico designa-se por “temp tracking”) durante a fase de edição do filme. Contudo, valha a verdade, Elfman já tinha composto uma melodia com alguns traços semelhantes em 2005 para «A Noiva Cadáver» de Tim Burton. Mais à frente no álbum, Dinner reproduz este tema em versão piano solo. 

A banda sonora funciona como uma verdadeira sinfonia gótica (sem relação alguma, obviamente, com a obra monumental de Havergal Brian). Big Trouble, A Few Questions e A Bloody Meal mostram-nos Elfman a ser capaz de criar magníficos ambientes de inquietação e suspense fervilhante através das cordas graves, coro e sintetizador. Carnival é possivelmente a mais bela das faixas da banda sonora, piano, cordas e coro em perfeita sintonia. Num registo idêntico, A Very Sad Story Let It Be transportam-nos para um cenário de bela melancolia, e a anacrónica The Dance, escrita para cravo, vozes e electrónica, é a mais requintada e inusitada das peças da partitura. Eternal Love, Amen End Credits concluem o álbum, as três faixas construídas em torno do tema maldito. É inevitável comparar esta obra de Danny Elfman à obra-prima que o compositor polaco Wojciech Kilar assinou para «Drácula de Bram Stoker» (1992) de Francis Ford Coppola. As influências de Kilar na composição de Elfman são notórias, designadamente no uso de tonalidades sombrias, instrumentação e na progressão dos acordes (Don’t Leave, Frozen Lake). Mas se a obra de Kilar merece um lugar no panteão da música do cinema, a de Elfman, embora atinja alguns momentos de inspiração, não deverá passar à posteridade. Este álbum da BSO é disponibilizado apenas em formato digital pela francesa Because Music & EuropaCorp. 

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