Com «Carros», a última maravilha dos estúdios Pixar/Disney, a magia do cinema de animação volta a invadir o grande ecrã, com muito estilo…
O realizador John Lasseter provou em «Toy Story 1 e 2» que a força de um argumento passa pela sua originalidade; com uma narrativa pouco complexa e baseada em valores marcantes como a amizade, aliada à animação sempre inovadora de filme para filme. A expectativa em relação a «Carros» era enorme. Lasseter e os estúdios Pixar (recentemente adquiridos pela Disney), responsáveis por títulos como «Os Incríveis» ou «A Procura de Nemo», provam que a animação pode ser ilimitada. Com «Carros», voltam a ultrapassar feitos anteriores e elevam a fasquia da animação face a futuras produções.
No universo de «Carros», não existem pessoas ou animais. Tudo é formatado segundo os carros. Lasseter humaniza os automóveis (olhos, boca e sentimentos) e é aí que se encontra a riqueza visual e humana do filme, impossível de assimilar plenamente apenas num visionamento. O cenário de Radiator Springs, uma pequena comunidade no meio do deserto (local onde se desenrola a acção), não fica aquém das imagens de abertura (uma corrida com milhares de espectadores e todos os pormenores relacionados com este tipo de eventos). A realização encontra espaço suficiente para povoar a pequena vila com personagens cativantes, estereotipados é certo, mas fundamentais na humanização dos carros. Por exemplo: Guido e Luigi são italianos, donos de uma oficina (um deles é um Fiat) e, tal como os italianos, adoram Ferraris e vivem para a perfeição na mecânica automóvel.

«Carros» vai aproveitar um exemplo real do abandono de uma via, a famosa Rota 66 (uma estrada que liga as duas costas dos E.U.A.), que ocorreu após a construção das vias rápidas. Radiator Springs, apesar de ficcional, representa todas as comunidades que pararam no tempo após a construção dessas autoestradas. É sob este prisma que surge no ecrã Doc (voz de Paul Newman), o mayor de Radiator Springs. Sua história se confunde e dilui na história de comunidade, e vai ajudar o herói do filme, Lightning McQueen (voz de Owen Wilson), a dar significado à sua vida. O filme está recheado de momentos de humor inteligente, e são inúmeros os gags de boa disposição.
Num filme de animação, a banda sonora é uma peça-chave. Em «Carros», para além dos temas orquestrais, escutamos uma atmosfera pop/rock, desde Sheryl Crow (tema de abertura), Chuck Berry, John Mayer (“Route 66”), passado por Bryan Adams. É uma banda sonora on the road, a que não falta o eterno momento musical/sentimental, neste caso interpretado por Brad Paisley (“Our Town”), que através da sua letra descreve e muito bem o abandono (“Radiator Springs”).
Como é habitual na Disney/Pixar, a fantasia é uma constante e são várias as lições de moral.
[Crítica originalmente publicada a 29 de Junho de 2006 no site Cinema2000]
Título original: Cars Realização: John Lasseter Longa-metragem de animação Vozes (versão original): Owen Wilson, Paul Newman, Bonnie Hunt, Larry The Cable Guy, Cheech Marin, Tony Shalhoub, Guido Quaroni, Jenifer Lewis, Paul Dooley, George Carlin, Katherine Helmond, John Ratzenberger, Michael Keaton Estados Unidos, 2006




