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A Ovelha Choné: Trapalhada na Quinta

Se há estúdio de animação que continua a preservar a identidade é o britânico Aardman. Num tempo de infantilização deste género de cinema, e com mais ou menos “marca de autor”, a fábrica criativa sediada em Bristol, de onde saíram a dupla Wallace & Gromit e «A Fuga das Galinhas», mantém a coerência das suas produções, sem ceder à lógica comercial dos filmes para crianças tout court.

É essa a conclusão a que chegamos perante o novo «A Ovelha Choné: Trapalhada na Quinta», de Steve Cox e Matthew Walker, mais uma comédia muda, de alma cinéfila, que reúne uma série de referências para homenagear o género do terror e dos filmes de monstros. Vejamos, se o anterior «Farmageddon» (2019) piscava o olho a uma dezena de clássicos da ficção-científico, debruçando-se em particular sobre os filmes com extraterrestres, para criar uma aventura ternurenta e bem abastecida de comédia slapstick, este «The Beast of Mossy Bottom» faz um exercício semelhante, agora inspirando-se nos clássicos de terror (nomeadamente os da Hammer) para conceber a melhor diversão com espírito de Halloween.

Pois bem, tudo é motivado por essa época de ano. Na quinta de Mossy Bottom, Choné e o rebanho preparam-se para o grande dia plantando abóboras, enquanto o fazendeiro lamenta a calvície que lhe impede de ter a autoconfiança de outrora para convidar a veterinária local (o seu interesse amoroso) a ir com ele aos festejos. Quando, numa trapalhada do acaso, as abóboras plantadas acabam desfeitas, Choné apressa-se a resolver a situação, envergando a pose de um Dr. Frankenstein felpudo, com a ajuda de um manual de ciência didática que encontrou algures no palheiro. Resultado: a experiência descontrola-se no momento em que a fórmula química criada chega às mãos do fazendeiro, provocando-lhe um crescimento anormal da pilosidade do corpo…

A partir daqui, há uma criatura assustadora à solta, ora nos bosques, ora nas vitrines da cidade, que, em jeito de piada interna, faz lembrar a história de «Wallace & Gromit: A Maldição do Coelhomem». É certo que Nick Park, a mente por trás destas icónicas mascotes, surge nos créditos de «A Ovelha Choné: Trapalhada na Quinta» apenas como produtor executivo, mas o seu traço de humor inteligente, e a arte e imaginação que caracterizam o selo da Aardman, estão por toda a parte num filme que desafia a lógica do “público-alvo”. Desde que nasceu, na curta-metragem «Wallace & Gromit: No Fio da Navalha» (1995), Shaun The Sheep foi concebida para um público sem idade. Em família ou não, assistir à mais recente aventura na propriedade de Mossy Bottom é renovar o amor por esse gesto artesanal de fazer rir sem depender da palavra dita. No mundo excessivamente digital em que vivemos, acaba por ser um prazer raro, e uma genuína alegria, ver bonequinhos stop motion com esta sofisticação e modernidade ainda chegarem ao grande ecrã.

TÍTULO NACIONAL: A Ovelha Choné: Trapalhada na Quinta
TÍTULO ORIGINAL: Shaun the Sheep: The Beast of Mossy Bottom
REALIZAÇÃO: Steve Cox, Matthew Walker
ELENCO: Justin Fletcher, John Sparkes, Nina Sosanya
ORIGEM: Reino Unido, França, Estados Unidos
DURAÇÃO: 81 min.

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