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Evil Dead Burn

“Evil Dead” tem sido uma das mais — senão mesmo a mais — consistente saga de filmes de terror desde que «A Noite dos Mortos Vivos» estreou em 1981. Já lá vão 45 anos e, à data de hoje, seis filmes e uma série televisiva. Os três primeiros filmes valeram a Bruce Campbell, Sam Raimi e Rob Tapert o estatuto de figuras de culto e formaram uma trilogia que definiria um novo género de terror no decorrer dos anos 80 e que ficaria para História.

No entanto, “Evil Dead” não ficou morto e enterrado nos anos 80. Podia ter ficado, mas, sem grande surpresa, em 2013 um outro grupo de jovens incautos voltou abrir o Necronomicon e a proferir as malditas palavras que invocam os demoníacos Deadites. Começava assim uma nova vaga de terror, de mortos a voltar à vida e de vivos a morrer de forma horrífica, tudo com muito respeito pela tradição, mas com uma nova frescura visual.

Um pormenor, que agora parece um padrão, terá contribuído para esse efeito: o currículo dos novos realizadores. A escolha tem recaído sobre nomes promissores, mas em início de carreira. «A Noite dos Mortos Vivos» (2013) é a primeira longa-metragem de Fed Alvarez. Lee Cronin e Sébastien Vanicek tinham cada um apenas um filme nos seus currículos antes de realizarem «Evil Dead Rise» (2023) e «Evil Dead Burn» (2026), respectivamente.

E o que é que Sébastien Vanicek traz para este caldeirão, para esta sopa de sangue e entranhas? Na realidade, não acrescenta muita coisa. Antes pelo contrário, tira alguns condimentos que tornavam a sopa mais fácil de engolir. O humor negro sendo talvez o exemplo mais óbvio. Vanicek serve a violência fria e crua e não arreda pé enquanto o espectador não a mastigar e engolir. Só então a câmara corta e o próximo prato é servido.

Sob a direcção de Sébastien Vanicek, a saga “Evil Dead” foi sequestrada pelo Novo Extremismo Francês, um movimento que durante a primeira década dos anos 2000 originou grandes obras como «Alta Tensão», «Mártires» e «Fronteira(s)». É uma opção estética legítima, mas será a melhor opção? «Evil Dead Burn» não é um filme perfeito, mas também não é um mau filme. Tem o seu lugar, mas será esse lugar na saga “Evil Dead”?

A história, guiada por uma protagonista de luto pela morte do marido e que tenta criar laços com os sogros, está envolvida por uma atmosfera sombria e pesada. É difícil, talvez mesmo impossível, criar empatia com este grupo de personagens. Temas como o abuso e a violência doméstica brotam do subtexto e enredam-se à narrativa. «Evil Dead Burn» não oferece alívio e arrisca-se a deixar muita gente deprimida à saída da sala de cinema.

Se era essa a visão artística de Sébastien Vanicek, é provável que a tenha concretizado. No entanto, fazendo um pequeno exercício, a duração média dos cinco filmes que precederam «Evil Dead Burn» é de 87 minutos. O filme de Vanicek tem 110 minutos. São mais 23 minutos gastos sobretudo na demonstração de violência gratuita e grotesca cujo objectivo tende mais para criar o desconforto do que para proporcionar entretenimento.

E entretenimento é a palavra-chave. Ao longo de 45 anos, a saga “Evil Dead” foi sinónimo de gore e humor. Quem nunca viu e reviu vezes sem conta estes filmes, isoladamente ou em maratonas, sozinho ou com amigos, sempre em nome da diversão contagiante que enchia a sala? Agora, esta nova entrada na saga irá dividir a audiência porque alguém terá de colocar esta grande questão: quem está com disposição para rever o «Evil Dead Burn»?

Título original: Evil Dead Burn       
Realização: Sébastien Vanicek
Elenco: Luciane Buchanan, Hunter Doohan, Souheila Yacoub, Victory Ndukwe
Duração: 110 min.
País: EUA
Ano: 2026

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