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Crítica Superman – estreia HBO Max

Poucos desenhos animados são mais tristes do que o episódio da série “Superfriends” (feita para a rede ABC de 1973 a 1985 e mais conhecida em português como “Superamigos”) em que o Homem de Aço é dado como morto. Ferido em ação, ele é enterrado sob o pranto da Terra, que não faz ideia do seu real paradeiro. O seu corpo, inerte, foi levado para o seu esconderijo, a Fortaleza da Solidão, onde é submetido a um tratamento com uma aeróbica dos seus braços, a fim de que o seu organismo receba uma dose de raios do sol amarelo. Eles são a razão do seu sistema biológico, gestado nas estrelas, nos confins do planeta Krypton (onde o seu nome é Kal-El), ele ostenta poderes que nenhum ser humano tem. Ou mesmo algum alienígena possui esses mesmos poderes. Essa premissa, que veio dos artistas gráficos Jerry Siegel (1914-1996) e Joe Shuster (1914-1992) na criação do herói nas BDs, em 1938, fez do herdeiro do clã El um sintagma pop de perfeição na cultura de massas de balõezinhos. Nenhum vigilante de banda desenhada jamais foi tão potente. Essa potência, a partir da virada comportamental da sociedade dos anos 1980, escanteou-o no Panteão dos comics. Num momento em que Frank Miller enfrentava a dimensão fascista do Batman em seu icônico “Dark Knight”, Alan Moore chafurdava o público leitor no ácido lisérgico do Monstro do Pântano e dos seus Watchmen. O Escuteiro de Uniforme Azul virou chacota, pois não era mais capaz de gerar identificação com os leitores mais jovens. É dessa premissa que o cineasta James Francis Gunn Jr. partiu para reconstruir a vida audiovisual de Kal-El.


Amparado pelo viçoso colorido da fotografia de Henry Braham, capaz de realçar a natureza de banda desenhada da direção de arte e do design de produção, o “Superman” de Gunn é um poema pop. Ele não almeja a dimensão épica do clássico com o personagem realizado por Richard Donner Schwartzberg (1930-2021) em 1978. Numa edição febril de William Hoy e de Craig Alpert, vemos ação da mais requintada, digna de um “John Wick”, em batalhas contínuas que coroam as maquinações de Lex Luthor, interpretado por Nicholas Hoult nas raias do esplendor. Esqueça daquele Lex malandro de Gene Hackman (1930-2025), com toques de screwball comedy. O Luthor aqui é ruuuuuuuiiiimmm, mas ruim… É um demónio assustador.

É um Trump (rico e cheio de conexões políticas) que segrega quem é diferente. Quem veio do espaço não é ninguém, na lógica deste personagem. Daí o calvário do alienígena vivido por David Corenswet, que mantém a linhagem kryptoniana viva (e adulta), na produção de US$ 225 milhões de Gunn, na qual assume o papel de Kal-El e do seu alter ego, o repórter Clark Kent. A sua forma de atuar é suave, mas tem retidão. O seu Superman parte o braço, sangra, é golpeado, mas lida mal com os impasses do relacionamento amoroso (nada platônico) com Lois Lane (Rachel Brosnahan) e paga um preço por uma tomada de posição política ao intervir numa espécie de Faixa de Gaza fictícia. Além disso, ele tem um supercachorro que voa: Krypto.



pet será crucial na luta contra Luthor, assim como a Gangue da Justiça, um grupo meio B formado pela guerreira alada Mulher-Gavião (Isabela Merced), o inventor ricaço, o Sr. Incrível (Ed Gathegi) e o Lanterna Verde varrido da cabeça, Guy Gardner (Nathan Fillion).  Com o apoio deles, Kal-El vai clamar pelo seu direito à humanidade que nenhum segregacionista de fato bem caro pode refutar.

Título original: Superman Realização: James Gunn Elenco: David Corenswet, Nicholas Hoult, Rachel Brosnahan, Isabela Merced, Ed Gathegi Duração: 129 min.  EUA, 2025

[Crítica originalmente publicada a 8 de Julho, 2025 ]

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