Uma nova temporada, velhos vícios e algumas tentativas de reinvenção. «Rick e Morty» regressa à HBO Max com ambição, mas será que ainda sabe para onde vai?

Depois de anos a redefinir o absurdo (inteligente) da animação adulta, «Rick e Morty» chega à oitava temporada com o peso do seu próprio legado. A saída de Justin Roiland, cocriador e voz original das personagens principais, colocou a série num ponto de viragem: continuará a ser uma máquina de ideias ou corre o risco de se transformar num eco cansado? Mesmo com novas vozes, o universo mantém-se reconhecível, mas as margens da irreverência revelam fissuras. Esta temporada não quer apenas manter-se relevante… quer provar que a série ainda sabe surpreender. A questão que se coloca é: consegue?

Oitava temporada, oitava tentativa de convencer os fãs de que vale a pena acompanhar este par de degenerados pelo multiverso. Há episódios que acertam com mestria, outros que parecem reciclados de temporadas passadas com uma nova camada de tinta. A originalidade continua a existir, mas já não é garantida. Não obstante, justiça seja feita, é complicado ser totalmente inovador ao fim de tantos episódios e narrativas. Basta pensar em séries como «Black Mirror» e «Ficheiros Secretos», que sofreram precisamente do mesmo mal: a dificuldade em manter a frescura criativa depois de esgotarem as suas premissas iniciais.

«Black Mirror» começou como uma crítica afiada ao impacto da tecnologia na vida humana, mas com o tempo passou a repetir padrões – twist final, futuro distópico, moral da história – tornando-se previsível no seu próprio jogo. Já «Ficheiros Secretos», uma referência na ficção científica televisiva, perdeu relevância ao prolongar-se para lá do seu tempo natural, embarcando em tramas cada vez mais incoerentes e episódios de “encher”. «Rick e Morty», apesar da sua natureza mais caótica e autoconsciente, enfrenta agora um dilema semelhante: como continuar a ser subversivo e surpreendente quando o público já espera isso?

Quando a série acerta, continua a provar porque é que se tornou um fenómeno cultural. Há episódios nesta temporada que recuperam o equilíbrio quase perfeito entre humor absurdo, crítica mordaz e inesperada profundidade emocional; e nesses momentos, «Rick e Morty» mostra que ainda tem muito para dar. A escrita continua afiada, a animação mantém a criatividade visual, e a nova dupla vocal assume-se com naturalidade surpreendente, sem tentar imitar o passado.

É certo que a temporada nem sempre mantém esse nível, mas há um sinal claro de que a série está a tentar evoluir sem perder o seu ADN. A indecisão que por vezes se sente não deve ser lida como fraqueza, mas como parte de um processo de transição criativa. Depois de oito temporadas, o mais notável talvez seja isto: Rick e Morty continua a desafiar expectativas – mesmo que, por vezes, não acerte na mouche.

ARTIGOS RELACIONADOS
Euphoria T3 – trailer

Um grupo de amigos de infância debate a virtude da fé, a possibilidade de redenção e o problema do mal. Ler +

BATALHA ATRÁS DE BATALHA

De Paul Thomas Anderson pode-se esperar quase tudo: coolness, uma elegância moldável ao assunto na tela, energia febril, caos meticuloso, Ler +

Industry 3ª Temporada – trailer

No auge das suas carreiras e a viver a vida que planearam enquanto graduadas da Pierpoint, Harper (Myha’la) e Yasmin Ler +

A Knight of the Seven Kingdoms – trailer

Do mundo de Westeros surge uma história cativante centrada nas aventuras de uma dupla improvável. Um século antes dos eventos Ler +

The Chair Company: a cadeira onde nasce a conspiração

Em «The Chair Company», da HBO Max, cada cadeira é mais do que um simples objeto: é símbolo de poder, Ler +

Please enable JavaScript in your browser to complete this form.

Vais receber informação sobre
futuros passatempos.