Uma animação com argumento assinado por Wes Anderson e pelo seu acólito Noah Baumbach nasce a partir do conto infantil de Roald Dahl, registo com a particularidade de não afastar-se dos temas fortes destes autores em torno da disfuncionalidade familiar. O resultado é um maravilhoso universo estilizado de cor e sentimentos em torno de uma fantástica família de raposas. A referir a contenção narrativa que evita habituais overdoses de brilhantismo de Anderson, o detalhe microscópico de sets com paletes quentes e acolhedoras, a realização analítica e a montagem sem frenesins. Os personagens resultam da rara beleza da animação de marionetas com um elenco de vozes de luxo e que fazem a diferença (Meryl Streep, George Clooney e Bill Murray), a versão original é um mimo, tem mais subtexto e pisca o olho a um público maduro, a versão portuguesa aposta no lado infantil e está condicionada por isso. Uma obra que ensina a viver com as diferenças de cada um maximizando aspectos que os tornam especiais na história de um raposo que não consegue abandonar o seu esplendor natural e decide dar um último golpe à medida de Ocean Eleven, as coisas correm mal e tem à cauda a máfia local formada por três lavradores, em causa está o seu papel de pai e marido, permite ao público uma divertida introspecção à coexistência familiar do charmoso raposinho. Num filme de pormenores deliciosos, o que dizer sobre a presença do músico Jarvis Coker a desempenhar um cantor folk com rimas improvisadas, sem dúvida um objecto a ser descoberto e para ser visto e revisto, sendo incrível que um filme com estes predicados não tenha estreado nas salas nacionais.

Título original: Fantastic Mr. Fox Realização: Wes Anderson Elenco: George Clooney, Meryl Streep, Jason Schwartzman, Bill Murray. Duração: 87 min. EUA, 2009

[Crítica publicada originalmente na revista Premiere, Abril 2010]

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