João, uma actriz lisboeta, protagoniza um filme histórico biográfico sobre Liberada, uma jovem dissidente de género perseguida pela Inquisição. Após o realizador do filme ficar misteriosamente paralisado, João é assombrada pelo espírito da personagem.
Apesar de ser uma obra de ficção, o filme parte de um conjunto de julgamentos que ocorreram durante a Inquisição Portuguesa, nos séculos XVII e XVIII, que envolveram dissidentes de género, para criar a personagem de João, uma atriz de Lisboa que se prepara para protagonizar um filme histórico biográfico sobre Liberada, uma jovem dissidente de género perseguida pelo Tribunal do Santo Ofício.
“Comecei a fazer investigação sobre a existência de pessoas LGBT no passado e surgiu uma vontade de desenvolver um filme que desse conta disso. Ao invés de cristalizar a História, [a intenção] é usar a ficção para criar mapas de possibilidade histórica e promover uma reflexão crítica sobre poder, representação, as limitações do cinema enquanto veículo de memória e identidade”, afirma a realizadora Paula Tomás Marques.
O filme construiu um sólido percurso por alguns dos mais respeitados festivais internacionais como a Berlinale, Mostra de São Paulo, Taipei Film Festival, New Directors / New Films, Karlovy Vary IFF, Guadalajara International Film Festival, entre muitos outros, tendo arrecadado vários prémios e distinções, incluindo o Prémio Reconhecimento à Diversidade de Género no FICCI Cartagena, o Prémio Especial do Júri no Taipei Film Festival, o “Coup de Coeur” do Prémio Zabaltegi-Tabakalera no Festival de San Sebastián e duas Menções Honrosas (Júri da Crítica e Júri Jovem) na Mostra Internazionale del Nuovo Cinema di Pesaro, em Itália.
Em Portugal, o filme foi apresentado pela primeira vez no IndieLisboa 2025, onde ganhou o prémio de Melhor Realização, no Queer Porto e foi exibido no Caminhos do Cinema Português, que lhe atribuiu o prémio de Melhor Cartaz.
Explorando as fronteiras entre ficção e não-ficção, “Duas Vezes João Liberada” propõe uma reflexão, quer sobre a forma como contamos e representamos a História, quer sobre a forma como o cinema constrói a sua linguagem, afirmando-se como uma crítica aos biopics e desafiando o conceito de género cinematográfico.




