O canal STAR Life estreou uma das séries sensação de 2024. «Doctor Odyssey» aborda as aventuras e desventuras de uma equipa clínica muito peculiar em alto-mar… É o salve-se quem puder, enquanto os pacientes e os seus problemas mudam semanalmente.
A bordo de um luxuoso cruzeiro, o “Doctor Odyssey” Max (Joshua Jackson, Dawson’s Creek, The Affair) depara-se com os casos clínicos mais inesperados da sua carreira. Para tal, conta com a ajuda de Avery (Phillipa Soo) e Tristan (Sean Teale), sendo que os colegas trazem os seus próprios dramas: Avery esconde algumas mágoas do passado e Tristan está apaixonado pela amiga, que o vê apenas como um irmão. Se esta storyline já dava uma série, por si só, ainda falamos de um cruzeiro que introduz novos passageiros e temáticas todos os episódios.
No núcleo central contamos ainda com o capitão Robert Massey (Don Johnson), uma figura aparentemente cómica que carrega a tristeza de uma perda recente. Com um estilo muito próprio, é recorrentemente o “motor” do trio, nomeadamente através dos seus pedidos peculiares e decisões imprevisíveis. Os princípios éticos deste cruzeiro deixam, aliás, muito a desejar recorrentemente. Nada que surpreenda já que as mentes por detrás da série são conhecidas pela sua ousadia e criatividade, fora do padrão: Ryan Murphy, Jon Robin Baitz e Joe Baken.
Por sua vez, Phillipa Soo continua a afirmar-se no pequeno ecrã, depois do boom provocado por Hamilton, o musical de Lin-Manuel Miranda, em que integrou o elenco principal como Eliza. A atriz apresenta uma personagem engraçada e dinâmica que, a espaços, revela um lado mais sensível. É frequentemente utilizada também, em termos de argumento, para desvendar momentos mais sérios.
A narrativa combina casos médicos inusitados com dinâmicas e relações complexas, algo que, não sendo inovador, proporciona uma série mais aguerrida e cativante. No entanto, apesar de ser apelativa e divertida, «Doctor Odyssey» prejudica a profundidade em certos momentos, com alguns episódios a focarem-se mais na estética e no entretenimento imediato do que no desenvolvimento das personagens e das suas histórias. Certas linhas secundárias parecem ter cortes e pouca continuidade, quando as personagens são introduzidas em storylines episódicas breves, sendo repescadas mais à frente.
Apesar de, como mencionado, não ser completamente imune a falhas, «Doctor Odissey» tem uma fórmula cativante que tenta “prender” o espectador, principalmente pela sua combinação única de ambiente exótico e dilemas médicos de alta pressão. A verdade é que a série entrega aquilo que promete: uma montanha-russa emocional e uma exploração interessante de um universo pouco habitual dentro do drama médico.

