Os amantes de um grande thriller de acção não podem perder de vista «O Assassino». O novo filme de David Fincher é um requintado exercício de estilo com Michael Fassbender numa excelente interpretação. É uma performance que faz esquecer o próprio protagonista da homónima novela gráfica que inspirou este filme, a banda-desenhada de Alexis “Matz” Nolent e Luc Jacamon. No filme, o assassino (Fassbender) vive sob uma série de regras que comandam todos os seus procedimentos, cada contrato é uma sinfonia mortal onde tudo é preparado ao mais ínfimo pormenor. O assassino é o cicerone deste filme, um narrador ativo que apresenta à audiência o ABC do crime. Aliado à lente de David Fincher, temos um filme que nos enche as medidas e demonstra o mestre realizador na plenitude do seu domínio. O relato existencial torna-se divertido e sangrento porque o assassino, apesar de toda a sua metodologia, falha o alvo. O golpe corre mal e os seus contratantes cometem o erro de tentar eliminá-lo do mapa e entram na sua esfera pessoal. Os caçadores tornam-se presas à mão do assassino. E o espectador viaja em primeira classe por três continentes num ajuste de contas que não deixa rastro. Um filme imperdível, com momentos excepcionais de acção, um pulsante diálogo interno e uma grande cena entre Fassbender e Tilda Swinton, numa realização primorosa de Fincher.
Título original: The Killer Realização: David Fincher Elenco: Michael Fassbender, Tilda Swinton, Charles Parnell Duração: 118 min. EUA, 2023
[Crítica originalmente publicada na revista Metropolis nº100, Novembro 2023]

