Tendo como pano de fundo o rio Douro, na cidade do Porto, uma das zonas do território marítimo português com maior incidência de suicídios, o filme acompanha Gastão, um homem reformado que dedica seis dias por semana à vigília da ponte D. Luís I. A sua missão não é salvar aqueles que se atiram ao rio, mas resgatar os seus corpos, devolvendo-os às famílias, para que possam fazer o seu luto.
Com a participação de Gastão Teixeira, André Gil Mata e Tanya Ruivo, esta obra é um cruzamento entre documentário e ficção, construindo-se em torno de Gastão, uma figura singular, revelando gradualmente a sua rotina e as suas motivações, mais através dos gestos do que das palavras. A dimensão verbal surge na voz de uma narradora que estabelece paralelismos entre o protagonista e a figura mitológica de Caronte, o barqueiro dos mortos na mitologia grega, criando um diálogo entre realidade e imaginação.
Nas palavras da realizadora, “Gastão passa os dias à espera. Quando entra em ação é porque alguém se atirou. Já fez as pazes com essa decisão. São os familiares que serve, ao dar-lhes corpos para que se possam despedir.” A cineasta sublinha ainda a fusão entre o homem real e a figura mitológica: “Gastão existe. Caronte não existe. Caronte é um barqueiro da mitologia grega cujos gestos Gastão imita. Neste filme, os dois são um só.”
Recentemente o filme recebeu o Prémio de Melhor Longa-Metragem Lusófona no DOC. Coimbra Film Festival 2026.




