Pode um filme ser feito com base na longa amizade entre um realizador e um ator, sem que o objeto em si fique submetido a uma lógica de comentário interno? «Blue Moon» diz-nos que sim… com muitas palavras. Este é, provavelmente, o papel mais elaborado de Ethan Hawke, no sentido do texto e da sua articulação com o labor de uma persona, exigindo-lhe quase um permanente monólogo, sentado ao balcão de um bar. A figura retratada é o compositor americano Lorenz Hart (1895-1943), da dupla lendária Rodgers e Hart, e Hawke encarna-o com devoção pelos detalhes: ele é agora um talento rejeitado pelo showbusiness, que depois de assistir à estreia do musical “Oklahoma!”, do seu antigo parceiro artístico Richard Rodgers com Oscar Hammerstein II, procura no álcool e na simpatia do estabelecimento noturno a melhor versão da melancolia, para sobreviver à consciência do seu próprio declínio. Se ainda não ficou claro: Óscar já para Ethan Hawke.

