«Acordar Para a Vida» (2001) é Linklater em modo delírio filosófico: um filme que troca enredo por neurónios e ação por sinapses. Animado por rotoscopia — essa técnica que faz o mundo parecer um quadro derretido —, o filme segue um tipo perdido num limbo onírico. Toda a gente discute existência, consciência e outras coisas que normalmente só surgem às três da manhã depois de demasiadas cervejas ou de um “charro” partilhado. Não há romance, não há tiros, há pensamento em bruto. É irritante? Às vezes. Pretensioso? Um bocadinho. Mas também é um murro estimulante: um cinema que pergunta se estamos acordados ou apenas a fingir que vivemos. Linklater arrisca tudo e entrega uma viagem cerebral que, goste-se ou não, prova que pensar ainda pode ser um acto cinematográfico. E é.

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