A Morte do Tetraz-Lira, de David Combet, é um relato íntimo sobre identidade, sexualidade, relações familiares e o peso das expectativas, contado ao longo de mais de 280 páginas inteiramente pintadas a acrílico.
O que acontece quando um filho não corresponde à ideia de homem que o pai idealizou? É esta a pergunta que atravessa esta elogiada a novela gráfica. Uma história sobre crescer, descobrir quem somos e encontrar a coragem para deixar para trás as expectativas dos outros.
Pierre é um rapaz sensível, apaixonado pela natureza, pelo desenho e pela arte. O pai, conservador e defensor de uma masculinidade tradicional, quer transmitir-lhe os valores que considera essenciais para se tornar um homem. Leva-o para a montanha, ensina-o a caçar e coloca-lhe uma espingarda nas mãos. Mas, enquanto o pai vê na caça uma tradição a preservar, Pierre prefere observar os animais, admirar as paisagens e desenhar.
À medida que cresce e descobre a sua sexualidade, Pierre percebe que está cada vez mais distante daquilo que o pai esperava dele. A incompreensão transforma-se em conflito e a relação entre os dois deteriora-se, deixando marcas que se prolongam muito para além da infância.
Já na casa dos trinta anos, a viver em Lyon, Pierre continua à procura do seu lugar. A carreira artística não descola, os trabalhos precários sucedem-se e as relações amorosas nem sempre correspondem ao que deseja. Para conseguir avançar, terá de regressar às memórias que procurou deixar para trás e confrontar-se com uma educação que condicionou a forma como se vê a si próprio.
Alternando entre a infância nas montanhas dos Alpes e a vida adulta na cidade, David Combet constrói uma história sobre a relação entre pai e filho, a descoberta da homossexualidade e o peso de uma educação assente em modelos rígidos de masculinidade. Mas A Morte do Tetraz-Lira é também uma reflexão sobre a herança familiar, as feridas que atravessam gerações e a possibilidade de construir uma identidade sem renunciar à própria sensibilidade.
MAIS DE 280 PÁGINAS PINTADAS A ACRÍLICO
A dimensão visual é um dos elementos mais marcantes desta novela gráfica. David Combet optou por realizar toda a obra em pintura acrílica, diretamente a cores, criando um universo gráfico de grande intensidade cromática e expressiva.
Dos cenários naturais dos Alpes às ruas e aos espaços noturnos de Lyon, as imagens acompanham as diferentes
fases da vida de Pierre e refletem os seus estados emocionais.
Com uma abordagem que aproxima a banda desenhada da pintura, Combet transforma cada página numa experiência visual, em que os silêncios e as imagens têm tanto peso como as palavras.
O AUTOR
David Combet nasceu em 1991, em Chambéry, na região francesa da Saboia. Apaixonado pelo desenho e pela banda desenhada desde a infância, estudou Artes Aplicadas e iniciou a sua carreira como ilustrador e desenhador de BD.
Com A Morte do Tetraz-Lira, David Combet assumiu pela primeira vez a autoria integral de uma novela gráfica,
dando um novo rumo ao seu percurso criativo através de uma narrativa intimista e de uma linguagem visual profundamente ligada à pintura.



