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BILLIE EILISH – HIT ME HARD AND SOFT: THE TOUR (LIVE IN 3D)

Foi cedo, ao deixar a adolescência, que Billie Eilish se tornou uma sensação global com o seu single de estreia, “Ocean Eyes”, canção melancólica e intimista, cartão de visita de um estilo pessoal que combina vários géneros, autêntica e poderosa. Antes dos 20 anos, já era uma superestrela mundial, e conquistou dois Grammys e dois Óscares de melhor canção original. O seu último álbum de originais, “Hit Me Hard and Soft”, lançado em 2024, inspirou uma tournée planetária, dos EUA e Canadá à Europa, da Austrália ao Japão. Foi a oportunidade ideal para este filme-concerto em 3D, imersivo e contagiante, numa colaboração de Billie com o multipremiado e talentoso realizador James Cameron.

A ideia do filme foi sugerida por Cameron, a meio da produção do terceiro tomo da saga Avatar, quando se reuniu com a mãe da jovem artista, a atriz e música Maggie Baird, e perguntou: “Por que não filmar a digressão da Billie em 3D? E a mãe de Billie respondeu apenas: “Eu pergunto-lhe.” Billie já ia a meio da digressão e, inesperadamente, mostrou abertura à ideia de Cameron, embora já tivesse decidido não o fazer. Porém, o nome James Cameron ressoou na sua cabeça e, aliado à satisfação que a tour lhe estava a proporcionar, a sua resposta foi um “sim, claro!”

A mítica relação de Billie Eilish com os seus fãs inspirou o realizador de «Titanic» (1998) a sugerir uma abordagem íntima que daria ao público a oportunidade de sentir como é ser “Billie Eilish” durante um curto período. Por isso, lembra Cameron: “Decidimos tentar captar a realidade de um dia em digressão. Ela já tinha muitas ideias sobre como o fazer, já tinha criado os visuais, as cores e os ecrãs do espetáculo. Sabia exatamente como queria mostrar tudo.” O cineasta fez, então, uma proposta inesperada a Eilish: pediu-lhe que co-realizasse o filme com ele. Como vemos no filme, num diálogo entre os dois, Cameron diz a Billie: “Ela é a arquiteta de um espetáculo incrível. Conhece cada nota, ritmo, com uma precisão incrível. Conhece os fãs intimamente e consegue orientar-se nisso.” Billie aceitou o repto e partiram para a aventura.

Filmaram ao longo de quatro dias, captando as imagens nos espetáculos da arena Coop Live – a maior sala de concertos do Reino Unido, em Manchester, em julho de 2025. “Billie escolheu essas datas porque gostou muito do espaço”, lembra Cameron, que escapou da rodagem do seu filme Avatar para filmar os concertos da autora de “Wildflower”. Foram utilizadas 20 câmaras a filmar em simultâneo, o que exigiu muito planeamento, pois, como destaca Billie, “foram precisos meses de preparação para garantir que tínhamos cada plano, cada ângulo e que cada momento de luz estava totalmente acertado”. Cameron destaca um elemento fundamental da atuação de Billie: “Ela está em constante movimento. Por vezes, está literalmente a correr em toda a velocidade de um lado para o outro no palco, que tem cerca de metade do tamanho de um campo de futebol. E as pessoas não estão a ouvir passivamente. É como se ela tivesse 20.000 coristas. É uma experiência de grupo profunda e comovente, e ela é como um diapasão no centro de tudo. Não quer dizer que as 20.000 pessoas cantem afinadas, na perfeição, mas estão a cantar com ela e a sentir a alegria ou a tristeza daquele momento com a sua artista preferida.”

Há uma comunhão íntima entre Billie Eilish e as suas fãs. Estas expressam, ao longo do filme, a importância das letras das canções nos vários momentos das suas vidas, na relação com a família, com os amigos, na escola e nas cidades, nas vidas que levam. Por isso, o concerto de Billie é um momento de celebração coletiva, de êxtase partilhado, com momentos de alegria e outros de tristeza. É essa euforia que vemos nos rostos e nos corpos das espetadoras, cantando e chorando em conjunto as letras das canções do álbum desta tournée, “Hit Me Hard and Soft”, assim como outras escolhidas para estes concertos.

“De início, pensaram apenas filmar o concerto”, revela a artista, que estava um pouco apreensiva, pois desejava que o filme fosse uma versão perfeita do espetáculo e captasse o que ocorreu durante os concertos, à medida que estavam a acontecer, ao invés de alterar fosse o que fosse, pois isso teria soado a compromisso. Por isso, começaram a filmar situações dos bastidores, pois estavam a acontecer coisas interessantes e a câmara estava presente. E conclui Eilish: “Foi a experiência mais estranha, mas conseguimos material incrível e alargámos para incluir a experiência completa, como o modo como eu criei o espetáculo.” De notar que «Hit Me Hard and Soft» foi filmado com a mais recente tecnologia 3D, parte da qual foi desenvolvida pela produtora de James Cameron, para utilização neste filme. Com entre 16 a 20 câmaras 3D a filmar, a preparação foi rigorosa: “todos os dias entrávamos na passagem do som e passávamos algumas horas no palco e por baixo da plataforma a tentar perceber o quê e como íamos filmar”, destaca o realizador da saga Avatar. Cameron destaca que foram usadas técnicas de fotografia nunca utilizadas, para além de uma câmara e de um operador que acompanhou os movimentos de Billie de forma quase instantânea, elemento que a artista recusara inicialmente. O resultado do 3D é estimulante, tem momentos inesperados e funciona por ser um concerto multimédia e cheio de entusiasmo e calor humano.

O cenário da tour Hit Me Hard and Soft é um reflexo direto da visão criativa de Eilish, concebido e executado pela Moment Factory, um estúdio de entretenimento especializado em experiências imersivas. É um concerto imersivo, pois mergulhamos para dentro da atuação de Billie Eilish. Nos mergulhamos para as suas nuances, silêncios e momentos altos, para a sua interação profunda e emotiva com os seus fãs, para a reação destes durante as canções, para os gestos individuais e coletivos de cada um dos espetadores presentes na arena. Com efeitos visuais surpreendentes e inesquecíveis que combinam vídeo, luz, arquitetura, som e efeitos especiais. Um palco principal circular de 360 graus domina o centro da arena e permite o máximo contato da artista com o público. Enquanto isso, o chão de vídeo LED dinâmico do palco exibe imagens em alteração constante e enormes ecrãs LED suspendem o concerto em tempo real. Porém, o mais impressionante e espetacular é a forma como as mais de 20 câmaras conjugam e compõem um mosaico harmonioso e contínuo de imagens do concerto, reproduzindo a experiência imersiva, com a combinação de imagens em palco e fora dele, com a atuação em paralelo com as impressões de Eilish sobre vários aspectos da sua tournée, da relação com os fãs, dos cuidados com a sua equipa e com a sua banda – o pormenor da “puppy room” da digressão ou uma sala real cheia de cães para ajudar as pessoas da tournée a relaxar, com a contribuição em cada paragem ou cidade de uma organização de resgate animal que disponibilizava os cães – que estavam todos disponíveis para adoção.

O mais importante é a forma incrível e próxima como Eilish se liga ao seu público: longe de ser uma diva, como destaca James Cameron, Billie é muito transparente com os fãs; as suas vivências, as dificuldades, os triunfos ficam inscritos na sua música para os espetadores viverem, o que os faz sentirem-se muito ligados a ela. Quando ela canta, dança e se exprime ao vivo, o seu público participa da música, vive-a intensamente como se fosse deles! Existem múltiplos planos dos espectadores a cantar de forma sincronizada com a sua estrela, sabendo as letras de cor, chorando em uns casos, noutros explodindo de alegria, entoando em uníssono como se fosse um coro gigante. Os fãs do concerto de Billie Eilish parecem membros do coro privado da artista norte-americana. É uma simbiose emotiva e alegre entre criadora e público. É um momento inesquecível que merece ser partilhado na sala escura do cinema, com um final apoteótico, após quase duas horas de celebração coletiva!      

Título original: Billie Eilish: Hit Me Hard and Soft – The Tour Live in 3D
Realização: James Cameron, Billie Eilish
Duração: 114 min.
2026, EUA

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