Num momento em que a cultura japonesa conquista cada vez mais o público português — do mangá ao cinema de animação, passando pela gastronomia e poesia —, Showa – Uma História do Japão (1926–1939), de Shigeru Mizuki, chega finalmente às livrarias nacionais — Devir | 528 pp | 30€.
Este é o primeiro volume de uma tetralogia monumental que revisita, em formato mangá, um dos períodos mais conturbados e determinantes da história moderna do Japão. Combinando rigor histórico com uma narrativa pessoal envolvente, Mizuki — veterano da Segunda Guerra Mundial e mestre do mangá — oferece um olhar crítico e profundamente humano sobre a ascensão do militarismo japonês.
Numa altura em que se voltam a discutir os perigos do autoritarismo, da desinformação e dos extremismos, esta obra assume uma relevância notável. Um testemunho poderoso, visualmente impactante e de grande valor jornalístico, que cruza cultura, história e memória.
MESTRE
Shigeru Mizuki (1922–2015) foi um dos mais respeitados autores de mangá do Japão. Veterano da Segunda Guerra Mundial, perdeu um braço em combate e dedicou grande parte da sua carreira a retratar as memórias da guerra, as lendas do folclore japonês (yokai) e os grandes temas da história japonesa. Recebeu inúmeros prémios no Japão, nos EUA e na Europa. A sua obra equilibra crítica social, sátira e compaixão profunda pela condição humana.
A ARTE
A arte de Showa mistura o traço caricatural das figuras — típico do estilo de Mizuki — com cenários meticulosamente detalhados, quase fotográficos. Esta justaposição reforça o contraste entre o pequeno indivíduo e a vastidão da História.
A composição visual dá ritmo e profundidade emocional à narrativa, conferindo à obra uma estética singular, que oscila entre a ironia e o lirismo gráfico.

