A Leopardo Filmes irá estrear, no âmbito de um grande ciclo dedicado ao período áureo do cinema italiano, 19 obras dos seus maiores cineastas, em cópias digitais restauradas (incluindo 4K), algumas das quais inéditas comercialmente em sala.

O ciclo inicia-se hoje no Cinema Nimas e prolonga-se até 3 de Setembro. Mais tarde, chega também ao Centro de Artes e Espectáculos, na Figueira da Foz (1 de Agosto), ao Cinema Charlot, em Setúbal (7 de Agosto), ao Teatro Campo Alegre (a partir de Setembro) e ao Cinema Trindade, ambos no Porto.

Neste monumental ciclo, serão atravessadas quatro décadas do cinema italiano, passando pelo neo-realismo dos anos 40 – uma das bases do cinema moderno –, e pela commedia all’italiana que se afirmou nos anos 60, sátira social e de costumes, feroz e explosiva.

Vários são os nomes incontornáveis, que escapam a qualquer definição e género, não só do cinema italiano mas de toda a história do cinema, que serão revisitados nestas estreias: cineastas venerados, como Rossellini, Visconti, Fellini, De Sica e Bertolucci; e nomes menos conhecidos, mas não menos importantes, que também serão celebrados, como Marco Ferreri, Carmelo Bene, Luigi Comencini e Ermanno Olmi.

Serão estreadas verdadeiras raridades à espera de serem (re)descobertas, como O Profeta (1968), de Dino Risi; O Leito Conjugal (1963) e A Mulher-Macaco (1964), de Marco Ferreri; e Nossa Senhora dos Turcos (1968), de Carmelo Bene — estes dois últimos inéditos comercialmente em sala, em Portugal.

UMBERTO D
de Vittorio De Sica

com Carlo Battisti, Maria Pia Casilio, Lina Gennari

1h29 | 1952 | 4K

Era o filme preferido de De Sica, Bazin considerou-o um dos maiores da história do cinema, Chaplin chorou ao vê-lo. Buñuel escreveu que “era um dos melhores filmes que o neo-realismo produzira”. O novo governo democrata-cristão italiano manobrou para que não saísse vitorioso do festival de Cannes, e um jovem Giulio Andreotti escreveu um artigo inflamado contra o neo-realismo e acusava De Sica de dar “uma má imagem do país”, ao que o realizador retorquiu que “contava a realidade”. Umberto D. é um velho solitário e o apelido é amputado para tornar universal um problema com que se debatia na altura a Itália: o dos reformados que viviam na indigência com as pensões de miséria que recebiam.

Festival de Cannes 1952 – Selecção Oficial em Competição

Óscares 1957 – Nomeação para Melhor Argumento (Cesare Zavattini)

Cinema Nimas, Lisboa

1 Agosto | 19h

17 Agosto | 12h30

29 Agosto | 14h30

Teatro Campo Alegre, Porto

3 Setembro | 21h30

6 Setembro | 18h30

Cinema Charlot, Setúbal

8 Agosto | 21h30

O OURO DE NÁPOLES
de Vittorio De Sica

com Silvana Mangano, Sophia Loren, Paolo Stoppa, Eduardo de Filippo

L’oro di Napoli | 2h11 | 1954

Um tributo a Nápoles, onde o realizador Vittorio de Sica passara os primeiros anos da sua vida, O Ouro de Nápoles apresenta uma colecção de seis episódios napolitanos: um palhaço é explorado por um gangster; uma vendedora de pizza infiel perde a sua aliança; o funeral de uma criança; um conde viciado no jogo é derrotado por um miúdo; o inesperado e invulgar casamento de Teresa, uma prostituta; as explicações do “professor” Ersilio Micci, um “vendedor de sabedoria”.

Festival de Cannes 1955 – Selecção Oficial em Competição

Prémios do Sindicato Nacional de Críticos de Cinema Italianos 1955 – Melhor Actriz (Silvana Mangano), Melhor Actor Secundário (Paolo Stoppa)

Cinema Nimas, Lisboa

3 Agosto | 16h30

18 Agosto | 14h30

28 Agosto | 16h45

Teatro Campo Alegre, Porto

7 Setembro | 15h30

29 Setembro | 21h30

Cinema Charlot, Setúbal

15 Agosto | 18h30

Centro de Artes e Espectáculos, Figueira da Foz

29 Agosto | 21h30

A TERRA TREME
de Luchino Visconti
com Antonio Arcidiacono, Giuseppe Arcidiacono, Venera Bonaccorso


La terra trema | 2h40 | 1948

Filmado na aldeia de Aci Trezza, na costa leste da Sicília, com não-actores, A Terra Treme conta a história da família Valastro. Pescadores há gerações, dependem agora dos pagamentos miseráveis de comerciantes grossistas. Liderada por Ntoni, o filho mais velho, a família tenta escapar à sua condição marcada pela pobreza e exploração ao comprar um barco. Adaptação livre do romance I Malavoglia, de Giovanni Verga, A Terra Treme é uma das obras maiores de Luchino Visconti e do neo-realismo italiano, o encontro entre um olhar majestoso e a realidade inexorável.

Cinema Nimas, Lisboa

2 Agosto | 21h

17 Agosto | 17h

2 Setembro | 21h30

Teatro Campo Alegre, Porto

6 Setembro | 15h30

25 Setembro | 21h

Cinema Charlot, Setúbal

7 Agosto | 21h30

Centro de Artes e Espectáculos, Figueira da Foz

1 Agosto | 21h30

VIOLÊNCIA E PAIXÃO
de Luchino Visconti

com Silvana Mangano, Burt Lancaster, Helmut Berger, Claudia Marsani

Gruppo di famiglia in un interno | 1974 | 2h

Um reformado professor de história de arte vive sozinho num luxuoso palacete em Roma, isolado do mundo, acompanhado apenas pelas suas obras de arte. A sua solene solidão é perturbada quando a vulgar marquesa Bianca Brumonti, esposa de um industrial de direita, o convence, por via da decepção e da força, a arrendar um dos apartamentos do palacete. Forçado a interagir com o turbulento grupo composto pela marquesa, o seu amante Conrad, a sua filha Lietta e o namorado desta, o Professor vê-se cada vez mais fascinado pelos seus novos hóspedes. Um dos filmes mais pessoais de Visconti (e o seu penúltimo), Violência e Paixão é uma meditação elegíaca sobre política, cultura e sexualidade, marcada pela melancolia dos tempos em mutação.

Prémios David di Donatello 1975 – Melhor Filme, Melhor Actor Estrangeiro (Burt Lancaster)

Cinema Nimas, Lisboa

10 Agosto | 19h15

22 Agosto | 19h30

3 Setembro | 19h

Teatro Campo Alegre, Porto

2 Setembro | 21h30

7 Setembro | 18h15

Cinema Charlot, Setúbal

24 Agosto | 21h30

O INTRUSO
de Luchino Visconti

com Giancarlo Giannini, Laura Antonelli, Jennifer O’Neill

L’innocente | 1976 | 2h09

No contexto aristocrático da Itália do século XIX, Tulio pouco se importa se é visto com a sua amante em público. Porém, quando a mulher que negligenciara se envolve com um jovem romancista (personagem que se diz ser inspirada em Gabriele d’Annunzio, autor do romance homónimo que o filme adapta), o caso muda de figura. Último filme de Visconti, O Intruso retoma a linguagem característica do cineasta para uma combinação singular de opulência e depravação, num melodrama trágico em que a fragilidade dos arquétipos de masculinidade é, uma vez mais, desvelada.

Festival de Cannes 1976 – Selecção Oficial

Cinema Nimas, Lisboa

12 Agosto | 16h30

19 Agosto | 12h15

30 Agosto | 11h

Teatro Campo Alegre, Porto

5 Setembro | 21h30

14 Setembro | 21h30

Cinema Charlot, Setúbal

22 Agosto | 21h30

ONDE ESTÁ A LIBERDADE?
de Roberto Rossellini
com Totò, Vera Molnar, Nita Dover, Franca Faldini, Leopoldo Trieste

Dov’è la libertà…? | 1953 | 1h31

Em 1930, Salvatore (interpretado por Totò), barbeiro de profissão, comete um homicídio motivado pelo ciúme. É libertado 22 anos depois, em 1952, passando ao lado da ascensão e queda do fascismo, da Segunda Guerra Mundial e da libertação de Itália pelas tropas americanas. Salvatore vê-se forçado a adaptar-se a um mundo completamente novo. Esta parábola sobre a liberdade desenha um retrato contundente da Itália do pós-guerra, marcada por expectativas traídas e os resquícios do fascismo.

Cinema Nimas, Lisboa

9 Agosto | 17h

16 Agosto | 15h

31 Agosto | 15h30

Teatro Campo Alegre, Porto

13 Setembro | 15h30

17 Setembro | 21h30

Cinema Charlot, Setúbal

16 Agosto | 21h30

O GENERAL DELLA ROVERE
de Roberto Rossellini
com Vittorio De Sica, Hannes Messemer, Herbert Fischer, Nando Angelini

Il generale Della Rovere | 1959 | 2h15

O ano é 1944, durante a vigência da República Social Italiana. Bardone (interpretado pelo realizador Vittorio De Sica) faz-se passar por coronel do exército italiano para enganar famílias de presos políticos, que lhe pagam grandes quantias de dinheiro na expectativa de que os consiga libertar. Um dia, é capturado pela Gestapo, que lhe propõe um acordo: Bardone será libertado se entrar na prisão de San Vittore, assumindo a identidade do General Della Rovere (um líder da resistência recentemente assassinado), e obtiver informações sobre um importante membro da resistência. Esta parábola sobre o heroísmo é uma síntese da obra de Rossellini, que retoma elementos neo-realistas que marcaram os seus filmes dos anos 40 e as reflexões morais e metafísicas das obras dos anos 50.

Festival de Veneza 1959 – Leão de Ouro, Prémio OCIC

Prémios David di Donatello 1960 – Melhor Produção

Óscares 1962 – Nomeação para Melhor Argumento Original

Cinema Nimas, Lisboa

12 Agosto | 21h30

25 Agosto | 16h

30 Agosto | 13h

Teatro Campo Alegre, Porto

14 Setembro | 15h30

Cinema Charlot, Setúbal

24 Agosto | 16h

AS NOITES DA CABÍRIA
de Federico Fellini
com Giulietta Masina, François Périer, Franca Marzi, Dorian Gray, Amadeo Nazzari

Le notti di Cabiria | 1957 | 1h58 | 4K

Cabíria (interpretada por Giulietta Masina, num papel comoventemente chapliniano) é uma jovem prostituta mergulhada no submundo de Roma. Apesar de uma vida marcada por desgostos e injustiças, Cabíria continua a acreditar no amor e na possibilidade de uma vida melhor. Um dia, conhece um homem aparentemente sincero disposto a casar-se. Uma “concretização” do neo-realismo, “superando-o numa reorganização poética do mundo” (André Bazin), e “talvez o mais belo de todos os filmes de Fellini”, segundo Manoel de Oliveira, As Noites da Cabíria revela-se uma profunda exploração da condição humana, entre o patético e o melodrama.

Festival de Cannes 1957 – Selecção Oficial em Competição – Melhor Actriz (Giuletta Masina), Prémio OCIC

Prémios David di Donatello 1957 – Melhor Realização, Melhor Produção

Óscares 1958 – Melhor Filme Estrangeiro

Cinema Nimas, Lisboa

5 Agosto | 13h

18 Agosto | 12h30

1 Setembro | 17h

Teatro Campo Alegre, Porto

1 Setembro | 21h30

13 Setembro | 18h

Cinema Charlot, Setúbal

9 Agosto | 21h30

A DOCE VIDA
de Federico Fellini
com Marcello Mastroianni, Anita Ekberg, Anouk Aimée

La dolce vita | 1960 | 2h48

Obra maior de um dos cineastas italianos mais populares de todos os tempos, A Doce Vida é um retrato da cultura do estrelato, com um protagonista no encalço do sedutor estilo de vida das ricas e glamorosas celebridades que, em plena era da sociedade do espectáculo, se exibem em Roma. O mirone desse espetáculo mundano chama-se Marcello Rubini (Marcello Mastroianni) e, na qualidade de jornalista de mexericos, explora as periferias dos holofotes. A autenticidade do filme deve-se, em parte, ao “estudo” que Fellini dedicou, durante um verão inteiro, à vivência das estrelas, e, ainda, à dimensão autobiográfica da personagem de Marcello, evocação dos primeiros tempos de Fellini em Roma, onde começou por trabalhar como jornalista. Para sempre lembrado pela imagem icónica de Anita Ekberg na Fontana di Trevi, A Doce Vida é uma ode à cidade de Roma, mostrando-nos as suas fachadas opulentas e vibrantes para depois nos revelar a progressiva decadência no seu cerne.

Festival de Cannes 1960 – Palma de Ouro

Prémios David di Donatello 1960 – Melhor Realização

Óscares 1962 – Melhor Guarda-Roupa; Nomeação para Melhor Realização, Melhor Argumento Original, Melhor Direcção de Arte

Cinema Nimas, Lisboa

3 Agosto | 13h

19 Agosto | 21h

2 Setembro | 16h

Teatro Campo Alegre, Porto

6 Setembro | 21h

21 Setembro | 17h30

Cinema Charlot, Setúbal

10 Agosto | 16h

Centro de Artes e Espectáculos, Figueira da Foz

7 Agosto | 21h30

FELLINI 8 ½
de Federico Fellini
com Marcello Mastroianni, Anouk Aimée, Sandra Milo, Claudia Cardinale

8 ½ (Otto e mezzo) | 1963 | 2h18 | 4K

Marcello Mastroianni, alter-ego de Fellini, interpreta Guido Anselmi, um realizador a atravessar uma crise de inspiração. Durante a estadia numas termas, todos os seus fantasmas lhe aparecem, como que em sonhos, misturados com as pessoas reais que frequentam o local ou que o vêm visitar: familiares, actores, produtores e até críticos. Como não consegue encontrar soluções para o seu próximo filme, Guido deixa-se assaltar por recordações de infância e a sua imaginação divaga. E quando se prepara para abandonar o projecto, todas as personagens lhe voltam a aparecer. Guido junta-as todas e dá a ordem de filmar. Um dos grandes clássicos de Fellini, Fellini 8 ½ transforma a crise artística de um homem num épico de cinema. É um verdadeiro mergulho na psique, a partir das teorias de Carl Jung, e um exercício mágico dentro da autorreflexão já presente em A Doce Vida.

Óscares 1964 – Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Guarda-Roupa

Cinema Nimas, Lisboa

10 Agosto | 12h30

22 Agosto | 12h

3 Setembro | 12h

Teatro Campo Alegre, Porto

7 Setembro | 21h15

27 Setembro | 17h30

Cinema Charlot, Setúbal

14 Agosto | 21h30

UMA VIDA DIFÍCIL
de Dino Risi
com Alberto Sordi, Lea Massari, Franco Fabrizi

Una vita difficile | 1961 | 1h58 | 4K

Depois da libertação de Itália, Silvio, membro da resistência, regressa a Roma, onde arranja um emprego mal pago num jornal comunista. Meses mais tarde, reencontra-se com Elena, a mulher que o salvou de um soldado alemão anos antes e por quem se apaixonou. Os dois casam-se, mas Silvio recusa abdicar dos seus ideais e valores para encontrar um emprego melhor. A precariedade das suas vidas leva Elena a abandonar Silvio. Um dos melhores filmes de Dino Risi, trata-se de um incisivo retrato da Itália do fim da guerra aos anos do boom económico, sobre a desorientação de um país a lidar com um pesado passado enquanto se precipita em direcção a um futuro confuso.

Cinema Nimas, Lisboa

13 Agosto | 17h

20 Agosto | 21h30

29 Agosto | 12h

Teatro Campo Alegre, Porto

21 Setembro | 21h30

26 Setembro | 21h30

Cinema Charlot, Setúbal

10 Agosto | 21h30

O PROFETA
de Dino Risi
com Vittorio Gassman, Ann Margret, Oreste Lionello, Liana Orfei

Il profeta | 1968 | 1h29

Pietro, cansado da vida moderna e do consumismo da sociedade contemporânea, decide viver uma vida de eremita e refugia-se no Monte Soratte, perto de Roma. Um dia, é descoberto por uma equipa de televisão que, contra a sua vontade, decide relatar a sua história. Pietro vê-se arrastado de volta à civilização. Uma comédia delirante, por vezes cínica, sobre este inferno moderno da sociedade de consumo, entre a alienação, a publicidade, a comunicação social, a poluição, como uma espécie de espelho impiedoso onde ninguém escapa.

Cinema Nimas, Lisboa

6 Agosto | 19h30

23 Agosto | 22h

28 Agosto | 14h45

Teatro Campo Alegre, Porto

18 Setembro | 21h30

21 Setembro | 15h30

Cinema Charlot, Setúbal

19 Agosto | 21h30

O LEITO CONJUGAL
de Marco Ferreri
com Ugo Tognazzi, Marina Vlady, Walter Giller, Linda Sini

Una storia moderna: L’ape regina | 1963 | 1h33

Com O Leito Conjugal, Ferreri vem renovar e trazer novo alento à comédia italiana. A Abelha Rainha do título original é Regina (Marina Vlady, que recebeu o prémio de Melhor Actriz em Cannes), uma jovem educada sob os preceitos da virtude e da religião, que se casa com um homem com o dobro da sua idade, Alfonso (Ugo Tognazzi, que se tornaria um dos actores favoritos de Ferreri). Incapaz de acompanhar o apetite sexual da jovem mulher, acaba relegado a um canto. O guião desta fábula irreverente sobre o casamento como instituição à sombra do catolicismo reinante foi apreendido e o filme proibido, o que acabou por lhe garantir um grande sucesso.

Festival de Cannes 1963 – Selecção Oficial em Competição – Melhor Actriz (Marina Vlady)

Globos de Ouro 1964 – Nomeação para Melhor Actriz (Drama)

Cinema Nimas, Lisboa

4 Agosto | 22h

18 Agosto | 22h

28 Agosto | 13h

Teatro Campo Alegre, Porto

13 Setembro | 21h30

30 Setembro | 21h30

Cinema Charlot, Setúbal

13 Agosto | 21h30

A MULHER-MACACO
de Marco Ferreri
com Ugo Tognazzi, Annie Girardot, Achille Majeroni

La donna scimmia | 1964 | 1h36 | 4K | Inédito comercialmente em sala

Antonio (Ugo Tognazzi) é um empresário do circo, vigarista perfeito que se casa e expõe em freak shows por toda a Itália uma mulher peluda como um macaco (Annie Girardot). Um dos maiores sucessos do período inicial da obra de Marco Ferreri, o da commedia all’italiana, o filme segue os princípios que a viriam a caracterizar. Com o seu estilo anticonformista, feroz e provocador, Ferreri leva até ao fim um tema incongruente, de forma a incomodar o espectador e a confrontá-lo com as suas fraquezas e vícios.

Festival de Cannes 1964 – Selecção Oficial em Competição

Cinema Nimas, Lisboa

8 Agosto | 22h

22 Agosto | 22h

2 Setembro | 19h30

Teatro Campo Alegre, Porto

12 Setembro | 21h30

20 Setembro | 18h

Cinema Charlot, Setúbal

17 Agosto | 21h30

ANTES DA REVOLUÇÃO
de Bernardo Bertolucci
com Adriana Asti, Francesco Barilli, Allen Midgette, Morando Morandini

Prima della rivoluzione | 1964 | 1h52

Fabrizio é um jovem de 20 anos, de Parma, dividido entre a sua origem social e uma adesão apaixonada e romântica ao marxismo. Um dia, o seu melhor amigo Agostino morre, num provável suicídio, o que aprofunda o desassossego da sua alma. Só Gina, a sua tia um pouco mais velha, compreende a crise por que está a passar, e os dois aproximam-se. Belissimamente operático, com a intensidade emocional característica da juventude, Antes da Revolução é o filme mais pessoal de Bertolucci (Fabrizio é o seu alter ego), reflexão da sua evolução política e tingido de conformismo e derrota.

Festival de Cannes 1964 – Semana da Crítica – Prémio Jeune Critique

Cinema Nimas, Lisboa

15 Agosto | 18h30

24 Agosto | 16h30

30 Agosto | 22h

Teatro Campo Alegre, Porto

15 Setembro | 21h30

20 Setembro | 21h30

Cinema Charlot, Setúbal

21 Agosto | 21h30

O CONFORMISTA
de Bernardo Bertolucci
com Jean-Louis Trintignant, Stefania Sandrelli, Gastone Moschin, Enzo Tarascio

Il conformista | 1970 | 1h53 | 4K

Bertolucci adapta um romance de Alberto Moravia, passado nos anos 30. Marcello (interpretado por Jean-Louis Trintignant, naquele que considerou o seu melhor papel) viaja em lua de mel para Paris, onde deve participar no assassinato de um anti-fascista exilado, que foi seu professor. Mas, para voltar a aproximar-se dele, tem de ganhar a confiança da sua filha. Como é que Marcello chegou aqui? O Conformista, que Agustina Bessa-Luís disse ser “um filme de uma beleza fascinadora”, que evoca o cinema francês e americano dos anos 30, constrói-se nesta tensão de um indivíduo dividido entre ideologias, o presente e o passado que regressa, e a conformação com um casamento burguês que funciona como sufoco dos desejos que o atemorizam.

Festival de Berlim 1970 – Selecção Oficial em Competição – Prémio Especial dos Jornalistas, Prémio Interfilm

Prémios David di Donatello 1971 – Melhor Filme

Óscares 1972 – Nomeação para Melhor Argumento Adaptado

Cinema Nimas, Lisboa

7 Agosto | 21h30

20 Agosto | 14h

31 Agosto | 17h30

Teatro Campo Alegre, Porto

11 Setembro | 21h30

28 Setembro | 15h30

Cinema Charlot, Setúbal

15 Agosto | 21h30

O INCOMPREENDIDO
de Luigi Comencini
com Anthony Quayle, Stefano Colagrande, Simone Giannozzi

Incompreso (Vita col figlio) | 1966 | 1h39

John, um diplomata britânico em Florença, perde a sua esposa. Quando chega à altura de explicar aos seus dois filhos a ausência da sua mãe, escolhe contar a verdade apenas ao mais velho, Andrea, poupando o frágil Milo, ao qual mostra toda a sua ternura. Andrea luta para comunicar com o seu pai. O mais célebre da admirável série de filmes que Comencini dedicou à infância, e uma das mais belas obras sobre a pré-adolescência, O Incompreendido revela, com uma sensibilidade rara, digna do olhar de uma criança, a fragilidade dos laços familiares e a solidão de uma infância marcada pela ausência.

Festival de Cannes 1966 – Selecção Oficial em Competição

Prémios David di Donatello 1967 – Melhor Realização, Prémio Especial (Stefano Colagrande e Simone Giannozzi)

Cinema Nimas, Lisboa

5 Agosto | 19h30

19 Agosto | 14h30

30 Agosto | 15h30

Teatro Campo Alegre, Porto

14 Setembro | 18h

1 Outubro | 21h30

Cinema Charlot, Setúbal

11 Agosto | 21h30

Centro de Artes e Espectáculos, Figueira da Foz

22 Agosto | 21h30

A LENDA DO SANTO BEBEDOR
de Ermanno Olmi
com Rutger Hauer, Anthony Quayle, Sandrine Dumas, Dominique Pinon

La leggenda del santo bevitore | 1988 | 2h08 | 4K

Um sem-abrigo, Andreas (Rutger Hauer, num dos seus desempenhos mais brilhantes), assombrado pelo passado e pelo vício do álcool, recebe 200 francos de um estranho, sob uma única condição: que, quando conseguir e como forma de pagar a sua dívida, doe o dinheiro a uma igreja local. Filme labiríntico e onírico, a partir da novela homónima de Joseph Roth, esta jornada redentora está imbuída de um humanismo especial que alcança dimensões transcendentais. Olmi, que afirmou sempre fazer cinema com honestidade, falando sobre coisas de que sentia necessidade, revela-se aqui o cronista mais sensível dos humilhados e marginalizados.

Festival de Veneza 1988 – Leão de Ouro

Prémios David di Donatello 1989 – Melhor Filme; Melhor Realizador; Melhor Cinematografia; Melhor Montagem

Cinema Nimas, Lisboa

9 Agosto | 21h30

23 Agosto | 17h15

30 Agosto | 17h30

Teatro Campo Alegre, Porto

23 Setembro | 21h30

28 Setembro | 18h

Cinema Charlot, Setúbal

16 Agosto | 16h

NOSSA SENHORA DOS TURCOS
de Carmelo Bene
com Carmelo Bene, Lydia Mancinelli, Salvatore Siniscalchi, Anita Masini

Nostra signora dei turchi | 1968 | 2h03 | Inédito comercialmente em sala

Em Nossa Senhora dos Turcos, o seu primeiro filme, Carmelo Bene adapta o seu romance homónimo, e interpreta ele próprio um escritor possuído por visões e alucinações, confluências de memórias e eventos históricos, entre o pânico e a atracção erótica. Um poema épico, barroco e com tons surrealistas, uma “profanação por dissociação”, como dizia Moravia, uma obra-prima disruptiva, alucinante e original.

Festival de Veneza 1968 – Selecção Oficial em Competição – Prémio Especial do Júri

Cinema Nimas, Lisboa

14 Agosto | 18h30

28 Agosto | 19h30

1 Setembro | 12h30

Teatro Campo Alegre, Porto

16 Setembro | 21h30

Cinema Charlot, Setúbal

27 Agosto | 21h30

ARTIGOS RELACIONADOS
Crítica – ALL WE IMAGINE AS LIGHT – Estreia Filmin

Travelling lateral ao longo das margens densamente povoadas de uma megacidade, Bombaim, ou como agora gostam de lhe chamar, Mumbai, Ler +

Onde Aterrar – trailer

Procurando uma vida mais tranquila e uma maior proximidade com a natureza, Joseph Fulton, um realizador aposentado, candidata-se a um Ler +

Pequenos Clarões

De Pilar Palomero conhecíamos a primeira longa-metragem, «Raparigas» (2020), um filme que olha o lugar da adolescência a partir de Ler +

Crítica O Regresso de Ulisses – estreia TVCine

«O Regresso de Ulisses» (2024), realizado por Uberto Pasolini, é uma adaptação moderna e introspetiva da clássica história de Ulisses Ler +

Lavagante

Há filmes que chegam tarde e ainda assim parecem nascer no tempo certo. «Lavagante», de Mário Barroso, é um deles: Ler +

Please enable JavaScript in your browser to complete this form.

Vais receber informação sobre
futuros passatempos.