A Leopardo Filmes irá estrear, no âmbito de um grande ciclo dedicado ao período áureo do cinema italiano, 19 obras dos seus maiores cineastas, em cópias digitais restauradas (incluindo 4K), algumas das quais inéditas comercialmente em sala.
O ciclo inicia-se hoje no Cinema Nimas e prolonga-se até 3 de Setembro. Mais tarde, chega também ao Centro de Artes e Espectáculos, na Figueira da Foz (1 de Agosto), ao Cinema Charlot, em Setúbal (7 de Agosto), ao Teatro Campo Alegre (a partir de Setembro) e ao Cinema Trindade, ambos no Porto.
Neste monumental ciclo, serão atravessadas quatro décadas do cinema italiano, passando pelo neo-realismo dos anos 40 – uma das bases do cinema moderno –, e pela commedia all’italiana que se afirmou nos anos 60, sátira social e de costumes, feroz e explosiva.
Vários são os nomes incontornáveis, que escapam a qualquer definição e género, não só do cinema italiano mas de toda a história do cinema, que serão revisitados nestas estreias: cineastas venerados, como Rossellini, Visconti, Fellini, De Sica e Bertolucci; e nomes menos conhecidos, mas não menos importantes, que também serão celebrados, como Marco Ferreri, Carmelo Bene, Luigi Comencini e Ermanno Olmi.
Serão estreadas verdadeiras raridades à espera de serem (re)descobertas, como O Profeta (1968), de Dino Risi; O Leito Conjugal (1963) e A Mulher-Macaco (1964), de Marco Ferreri; e Nossa Senhora dos Turcos (1968), de Carmelo Bene — estes dois últimos inéditos comercialmente em sala, em Portugal.
UMBERTO D
de Vittorio De Sica
com Carlo Battisti, Maria Pia Casilio, Lina Gennari
1h29 | 1952 | 4K
Era o filme preferido de De Sica, Bazin considerou-o um dos maiores da história do cinema, Chaplin chorou ao vê-lo. Buñuel escreveu que “era um dos melhores filmes que o neo-realismo produzira”. O novo governo democrata-cristão italiano manobrou para que não saísse vitorioso do festival de Cannes, e um jovem Giulio Andreotti escreveu um artigo inflamado contra o neo-realismo e acusava De Sica de dar “uma má imagem do país”, ao que o realizador retorquiu que “contava a realidade”. Umberto D. é um velho solitário e o apelido é amputado para tornar universal um problema com que se debatia na altura a Itália: o dos reformados que viviam na indigência com as pensões de miséria que recebiam.
Festival de Cannes 1952 – Selecção Oficial em Competição
Óscares 1957 – Nomeação para Melhor Argumento (Cesare Zavattini)
Cinema Nimas, Lisboa
1 Agosto | 19h
17 Agosto | 12h30
29 Agosto | 14h30
Teatro Campo Alegre, Porto
3 Setembro | 21h30
6 Setembro | 18h30
Cinema Charlot, Setúbal
8 Agosto | 21h30
O OURO DE NÁPOLES
de Vittorio De Sica
com Silvana Mangano, Sophia Loren, Paolo Stoppa, Eduardo de Filippo
L’oro di Napoli | 2h11 | 1954
Um tributo a Nápoles, onde o realizador Vittorio de Sica passara os primeiros anos da sua vida, O Ouro de Nápoles apresenta uma colecção de seis episódios napolitanos: um palhaço é explorado por um gangster; uma vendedora de pizza infiel perde a sua aliança; o funeral de uma criança; um conde viciado no jogo é derrotado por um miúdo; o inesperado e invulgar casamento de Teresa, uma prostituta; as explicações do “professor” Ersilio Micci, um “vendedor de sabedoria”.
Festival de Cannes 1955 – Selecção Oficial em Competição
Prémios do Sindicato Nacional de Críticos de Cinema Italianos 1955 – Melhor Actriz (Silvana Mangano), Melhor Actor Secundário (Paolo Stoppa)
Cinema Nimas, Lisboa
3 Agosto | 16h30
18 Agosto | 14h30
28 Agosto | 16h45
Teatro Campo Alegre, Porto
7 Setembro | 15h30
29 Setembro | 21h30
Cinema Charlot, Setúbal
15 Agosto | 18h30
Centro de Artes e Espectáculos, Figueira da Foz
29 Agosto | 21h30
A TERRA TREME
de Luchino Visconti
com Antonio Arcidiacono, Giuseppe Arcidiacono, Venera Bonaccorso
La terra trema | 2h40 | 1948
Filmado na aldeia de Aci Trezza, na costa leste da Sicília, com não-actores, A Terra Treme conta a história da família Valastro. Pescadores há gerações, dependem agora dos pagamentos miseráveis de comerciantes grossistas. Liderada por Ntoni, o filho mais velho, a família tenta escapar à sua condição marcada pela pobreza e exploração ao comprar um barco. Adaptação livre do romance I Malavoglia, de Giovanni Verga, A Terra Treme é uma das obras maiores de Luchino Visconti e do neo-realismo italiano, o encontro entre um olhar majestoso e a realidade inexorável.
Cinema Nimas, Lisboa
2 Agosto | 21h
17 Agosto | 17h
2 Setembro | 21h30
Teatro Campo Alegre, Porto
6 Setembro | 15h30
25 Setembro | 21h
Cinema Charlot, Setúbal
7 Agosto | 21h30
Centro de Artes e Espectáculos, Figueira da Foz
1 Agosto | 21h30
VIOLÊNCIA E PAIXÃO
de Luchino Visconti
com Silvana Mangano, Burt Lancaster, Helmut Berger, Claudia Marsani
Gruppo di famiglia in un interno | 1974 | 2h
Um reformado professor de história de arte vive sozinho num luxuoso palacete em Roma, isolado do mundo, acompanhado apenas pelas suas obras de arte. A sua solene solidão é perturbada quando a vulgar marquesa Bianca Brumonti, esposa de um industrial de direita, o convence, por via da decepção e da força, a arrendar um dos apartamentos do palacete. Forçado a interagir com o turbulento grupo composto pela marquesa, o seu amante Conrad, a sua filha Lietta e o namorado desta, o Professor vê-se cada vez mais fascinado pelos seus novos hóspedes. Um dos filmes mais pessoais de Visconti (e o seu penúltimo), Violência e Paixão é uma meditação elegíaca sobre política, cultura e sexualidade, marcada pela melancolia dos tempos em mutação.
Prémios David di Donatello 1975 – Melhor Filme, Melhor Actor Estrangeiro (Burt Lancaster)
Cinema Nimas, Lisboa
10 Agosto | 19h15
22 Agosto | 19h30
3 Setembro | 19h
Teatro Campo Alegre, Porto
2 Setembro | 21h30
7 Setembro | 18h15
Cinema Charlot, Setúbal
24 Agosto | 21h30
O INTRUSO
de Luchino Visconti
com Giancarlo Giannini, Laura Antonelli, Jennifer O’Neill
L’innocente | 1976 | 2h09
No contexto aristocrático da Itália do século XIX, Tulio pouco se importa se é visto com a sua amante em público. Porém, quando a mulher que negligenciara se envolve com um jovem romancista (personagem que se diz ser inspirada em Gabriele d’Annunzio, autor do romance homónimo que o filme adapta), o caso muda de figura. Último filme de Visconti, O Intruso retoma a linguagem característica do cineasta para uma combinação singular de opulência e depravação, num melodrama trágico em que a fragilidade dos arquétipos de masculinidade é, uma vez mais, desvelada.
Festival de Cannes 1976 – Selecção Oficial
Cinema Nimas, Lisboa
12 Agosto | 16h30
19 Agosto | 12h15
30 Agosto | 11h
Teatro Campo Alegre, Porto
5 Setembro | 21h30
14 Setembro | 21h30
Cinema Charlot, Setúbal
22 Agosto | 21h30
ONDE ESTÁ A LIBERDADE?
de Roberto Rossellini
com Totò, Vera Molnar, Nita Dover, Franca Faldini, Leopoldo Trieste
Dov’è la libertà…? | 1953 | 1h31
Em 1930, Salvatore (interpretado por Totò), barbeiro de profissão, comete um homicídio motivado pelo ciúme. É libertado 22 anos depois, em 1952, passando ao lado da ascensão e queda do fascismo, da Segunda Guerra Mundial e da libertação de Itália pelas tropas americanas. Salvatore vê-se forçado a adaptar-se a um mundo completamente novo. Esta parábola sobre a liberdade desenha um retrato contundente da Itália do pós-guerra, marcada por expectativas traídas e os resquícios do fascismo.
Cinema Nimas, Lisboa
9 Agosto | 17h
16 Agosto | 15h
31 Agosto | 15h30
Teatro Campo Alegre, Porto
13 Setembro | 15h30
17 Setembro | 21h30
Cinema Charlot, Setúbal
16 Agosto | 21h30
O GENERAL DELLA ROVERE
de Roberto Rossellini
com Vittorio De Sica, Hannes Messemer, Herbert Fischer, Nando Angelini
Il generale Della Rovere | 1959 | 2h15
O ano é 1944, durante a vigência da República Social Italiana. Bardone (interpretado pelo realizador Vittorio De Sica) faz-se passar por coronel do exército italiano para enganar famílias de presos políticos, que lhe pagam grandes quantias de dinheiro na expectativa de que os consiga libertar. Um dia, é capturado pela Gestapo, que lhe propõe um acordo: Bardone será libertado se entrar na prisão de San Vittore, assumindo a identidade do General Della Rovere (um líder da resistência recentemente assassinado), e obtiver informações sobre um importante membro da resistência. Esta parábola sobre o heroísmo é uma síntese da obra de Rossellini, que retoma elementos neo-realistas que marcaram os seus filmes dos anos 40 e as reflexões morais e metafísicas das obras dos anos 50.
Festival de Veneza 1959 – Leão de Ouro, Prémio OCIC
Prémios David di Donatello 1960 – Melhor Produção
Óscares 1962 – Nomeação para Melhor Argumento Original
Cinema Nimas, Lisboa
12 Agosto | 21h30
25 Agosto | 16h
30 Agosto | 13h
Teatro Campo Alegre, Porto
14 Setembro | 15h30
Cinema Charlot, Setúbal
24 Agosto | 16h
AS NOITES DA CABÍRIA
de Federico Fellini
com Giulietta Masina, François Périer, Franca Marzi, Dorian Gray, Amadeo Nazzari
Le notti di Cabiria | 1957 | 1h58 | 4K
Cabíria (interpretada por Giulietta Masina, num papel comoventemente chapliniano) é uma jovem prostituta mergulhada no submundo de Roma. Apesar de uma vida marcada por desgostos e injustiças, Cabíria continua a acreditar no amor e na possibilidade de uma vida melhor. Um dia, conhece um homem aparentemente sincero disposto a casar-se. Uma “concretização” do neo-realismo, “superando-o numa reorganização poética do mundo” (André Bazin), e “talvez o mais belo de todos os filmes de Fellini”, segundo Manoel de Oliveira, As Noites da Cabíria revela-se uma profunda exploração da condição humana, entre o patético e o melodrama.
Festival de Cannes 1957 – Selecção Oficial em Competição – Melhor Actriz (Giuletta Masina), Prémio OCIC
Prémios David di Donatello 1957 – Melhor Realização, Melhor Produção
Óscares 1958 – Melhor Filme Estrangeiro
Cinema Nimas, Lisboa
5 Agosto | 13h
18 Agosto | 12h30
1 Setembro | 17h
Teatro Campo Alegre, Porto
1 Setembro | 21h30
13 Setembro | 18h
Cinema Charlot, Setúbal
9 Agosto | 21h30
A DOCE VIDA
de Federico Fellini
com Marcello Mastroianni, Anita Ekberg, Anouk Aimée
La dolce vita | 1960 | 2h48
Obra maior de um dos cineastas italianos mais populares de todos os tempos, A Doce Vida é um retrato da cultura do estrelato, com um protagonista no encalço do sedutor estilo de vida das ricas e glamorosas celebridades que, em plena era da sociedade do espectáculo, se exibem em Roma. O mirone desse espetáculo mundano chama-se Marcello Rubini (Marcello Mastroianni) e, na qualidade de jornalista de mexericos, explora as periferias dos holofotes. A autenticidade do filme deve-se, em parte, ao “estudo” que Fellini dedicou, durante um verão inteiro, à vivência das estrelas, e, ainda, à dimensão autobiográfica da personagem de Marcello, evocação dos primeiros tempos de Fellini em Roma, onde começou por trabalhar como jornalista. Para sempre lembrado pela imagem icónica de Anita Ekberg na Fontana di Trevi, A Doce Vida é uma ode à cidade de Roma, mostrando-nos as suas fachadas opulentas e vibrantes para depois nos revelar a progressiva decadência no seu cerne.
Festival de Cannes 1960 – Palma de Ouro
Prémios David di Donatello 1960 – Melhor Realização
Óscares 1962 – Melhor Guarda-Roupa; Nomeação para Melhor Realização, Melhor Argumento Original, Melhor Direcção de Arte
Cinema Nimas, Lisboa
3 Agosto | 13h
19 Agosto | 21h
2 Setembro | 16h
Teatro Campo Alegre, Porto
6 Setembro | 21h
21 Setembro | 17h30
Cinema Charlot, Setúbal
10 Agosto | 16h
Centro de Artes e Espectáculos, Figueira da Foz
7 Agosto | 21h30
FELLINI 8 ½
de Federico Fellini
com Marcello Mastroianni, Anouk Aimée, Sandra Milo, Claudia Cardinale
8 ½ (Otto e mezzo) | 1963 | 2h18 | 4K
Marcello Mastroianni, alter-ego de Fellini, interpreta Guido Anselmi, um realizador a atravessar uma crise de inspiração. Durante a estadia numas termas, todos os seus fantasmas lhe aparecem, como que em sonhos, misturados com as pessoas reais que frequentam o local ou que o vêm visitar: familiares, actores, produtores e até críticos. Como não consegue encontrar soluções para o seu próximo filme, Guido deixa-se assaltar por recordações de infância e a sua imaginação divaga. E quando se prepara para abandonar o projecto, todas as personagens lhe voltam a aparecer. Guido junta-as todas e dá a ordem de filmar. Um dos grandes clássicos de Fellini, Fellini 8 ½ transforma a crise artística de um homem num épico de cinema. É um verdadeiro mergulho na psique, a partir das teorias de Carl Jung, e um exercício mágico dentro da autorreflexão já presente em A Doce Vida.
Óscares 1964 – Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Guarda-Roupa
Cinema Nimas, Lisboa
10 Agosto | 12h30
22 Agosto | 12h
3 Setembro | 12h
Teatro Campo Alegre, Porto
7 Setembro | 21h15
27 Setembro | 17h30
Cinema Charlot, Setúbal
14 Agosto | 21h30
UMA VIDA DIFÍCIL
de Dino Risi
com Alberto Sordi, Lea Massari, Franco Fabrizi
Una vita difficile | 1961 | 1h58 | 4K
Depois da libertação de Itália, Silvio, membro da resistência, regressa a Roma, onde arranja um emprego mal pago num jornal comunista. Meses mais tarde, reencontra-se com Elena, a mulher que o salvou de um soldado alemão anos antes e por quem se apaixonou. Os dois casam-se, mas Silvio recusa abdicar dos seus ideais e valores para encontrar um emprego melhor. A precariedade das suas vidas leva Elena a abandonar Silvio. Um dos melhores filmes de Dino Risi, trata-se de um incisivo retrato da Itália do fim da guerra aos anos do boom económico, sobre a desorientação de um país a lidar com um pesado passado enquanto se precipita em direcção a um futuro confuso.
Cinema Nimas, Lisboa
13 Agosto | 17h
20 Agosto | 21h30
29 Agosto | 12h
Teatro Campo Alegre, Porto
21 Setembro | 21h30
26 Setembro | 21h30
Cinema Charlot, Setúbal
10 Agosto | 21h30
O PROFETA
de Dino Risi
com Vittorio Gassman, Ann Margret, Oreste Lionello, Liana Orfei
Il profeta | 1968 | 1h29
Pietro, cansado da vida moderna e do consumismo da sociedade contemporânea, decide viver uma vida de eremita e refugia-se no Monte Soratte, perto de Roma. Um dia, é descoberto por uma equipa de televisão que, contra a sua vontade, decide relatar a sua história. Pietro vê-se arrastado de volta à civilização. Uma comédia delirante, por vezes cínica, sobre este inferno moderno da sociedade de consumo, entre a alienação, a publicidade, a comunicação social, a poluição, como uma espécie de espelho impiedoso onde ninguém escapa.
Cinema Nimas, Lisboa
6 Agosto | 19h30
23 Agosto | 22h
28 Agosto | 14h45
Teatro Campo Alegre, Porto
18 Setembro | 21h30
21 Setembro | 15h30
Cinema Charlot, Setúbal
19 Agosto | 21h30
O LEITO CONJUGAL
de Marco Ferreri
com Ugo Tognazzi, Marina Vlady, Walter Giller, Linda Sini
Una storia moderna: L’ape regina | 1963 | 1h33
Com O Leito Conjugal, Ferreri vem renovar e trazer novo alento à comédia italiana. A Abelha Rainha do título original é Regina (Marina Vlady, que recebeu o prémio de Melhor Actriz em Cannes), uma jovem educada sob os preceitos da virtude e da religião, que se casa com um homem com o dobro da sua idade, Alfonso (Ugo Tognazzi, que se tornaria um dos actores favoritos de Ferreri). Incapaz de acompanhar o apetite sexual da jovem mulher, acaba relegado a um canto. O guião desta fábula irreverente sobre o casamento como instituição à sombra do catolicismo reinante foi apreendido e o filme proibido, o que acabou por lhe garantir um grande sucesso.
Festival de Cannes 1963 – Selecção Oficial em Competição – Melhor Actriz (Marina Vlady)
Globos de Ouro 1964 – Nomeação para Melhor Actriz (Drama)
Cinema Nimas, Lisboa
4 Agosto | 22h
18 Agosto | 22h
28 Agosto | 13h
Teatro Campo Alegre, Porto
13 Setembro | 21h30
30 Setembro | 21h30
Cinema Charlot, Setúbal
13 Agosto | 21h30
A MULHER-MACACO
de Marco Ferreri
com Ugo Tognazzi, Annie Girardot, Achille Majeroni
La donna scimmia | 1964 | 1h36 | 4K | Inédito comercialmente em sala
Antonio (Ugo Tognazzi) é um empresário do circo, vigarista perfeito que se casa e expõe em freak shows por toda a Itália uma mulher peluda como um macaco (Annie Girardot). Um dos maiores sucessos do período inicial da obra de Marco Ferreri, o da commedia all’italiana, o filme segue os princípios que a viriam a caracterizar. Com o seu estilo anticonformista, feroz e provocador, Ferreri leva até ao fim um tema incongruente, de forma a incomodar o espectador e a confrontá-lo com as suas fraquezas e vícios.
Festival de Cannes 1964 – Selecção Oficial em Competição
Cinema Nimas, Lisboa
8 Agosto | 22h
22 Agosto | 22h
2 Setembro | 19h30
Teatro Campo Alegre, Porto
12 Setembro | 21h30
20 Setembro | 18h
Cinema Charlot, Setúbal
17 Agosto | 21h30
ANTES DA REVOLUÇÃO
de Bernardo Bertolucci
com Adriana Asti, Francesco Barilli, Allen Midgette, Morando Morandini
Prima della rivoluzione | 1964 | 1h52
Fabrizio é um jovem de 20 anos, de Parma, dividido entre a sua origem social e uma adesão apaixonada e romântica ao marxismo. Um dia, o seu melhor amigo Agostino morre, num provável suicídio, o que aprofunda o desassossego da sua alma. Só Gina, a sua tia um pouco mais velha, compreende a crise por que está a passar, e os dois aproximam-se. Belissimamente operático, com a intensidade emocional característica da juventude, Antes da Revolução é o filme mais pessoal de Bertolucci (Fabrizio é o seu alter ego), reflexão da sua evolução política e tingido de conformismo e derrota.
Festival de Cannes 1964 – Semana da Crítica – Prémio Jeune Critique
Cinema Nimas, Lisboa
15 Agosto | 18h30
24 Agosto | 16h30
30 Agosto | 22h
Teatro Campo Alegre, Porto
15 Setembro | 21h30
20 Setembro | 21h30
Cinema Charlot, Setúbal
21 Agosto | 21h30
O CONFORMISTA
de Bernardo Bertolucci
com Jean-Louis Trintignant, Stefania Sandrelli, Gastone Moschin, Enzo Tarascio
Il conformista | 1970 | 1h53 | 4K
Bertolucci adapta um romance de Alberto Moravia, passado nos anos 30. Marcello (interpretado por Jean-Louis Trintignant, naquele que considerou o seu melhor papel) viaja em lua de mel para Paris, onde deve participar no assassinato de um anti-fascista exilado, que foi seu professor. Mas, para voltar a aproximar-se dele, tem de ganhar a confiança da sua filha. Como é que Marcello chegou aqui? O Conformista, que Agustina Bessa-Luís disse ser “um filme de uma beleza fascinadora”, que evoca o cinema francês e americano dos anos 30, constrói-se nesta tensão de um indivíduo dividido entre ideologias, o presente e o passado que regressa, e a conformação com um casamento burguês que funciona como sufoco dos desejos que o atemorizam.
Festival de Berlim 1970 – Selecção Oficial em Competição – Prémio Especial dos Jornalistas, Prémio Interfilm
Prémios David di Donatello 1971 – Melhor Filme
Óscares 1972 – Nomeação para Melhor Argumento Adaptado
Cinema Nimas, Lisboa
7 Agosto | 21h30
20 Agosto | 14h
31 Agosto | 17h30
Teatro Campo Alegre, Porto
11 Setembro | 21h30
28 Setembro | 15h30
Cinema Charlot, Setúbal
15 Agosto | 21h30
O INCOMPREENDIDO
de Luigi Comencini
com Anthony Quayle, Stefano Colagrande, Simone Giannozzi
Incompreso (Vita col figlio) | 1966 | 1h39
John, um diplomata britânico em Florença, perde a sua esposa. Quando chega à altura de explicar aos seus dois filhos a ausência da sua mãe, escolhe contar a verdade apenas ao mais velho, Andrea, poupando o frágil Milo, ao qual mostra toda a sua ternura. Andrea luta para comunicar com o seu pai. O mais célebre da admirável série de filmes que Comencini dedicou à infância, e uma das mais belas obras sobre a pré-adolescência, O Incompreendido revela, com uma sensibilidade rara, digna do olhar de uma criança, a fragilidade dos laços familiares e a solidão de uma infância marcada pela ausência.
Festival de Cannes 1966 – Selecção Oficial em Competição
Prémios David di Donatello 1967 – Melhor Realização, Prémio Especial (Stefano Colagrande e Simone Giannozzi)
Cinema Nimas, Lisboa
5 Agosto | 19h30
19 Agosto | 14h30
30 Agosto | 15h30
Teatro Campo Alegre, Porto
14 Setembro | 18h
1 Outubro | 21h30
Cinema Charlot, Setúbal
11 Agosto | 21h30
Centro de Artes e Espectáculos, Figueira da Foz
22 Agosto | 21h30
A LENDA DO SANTO BEBEDOR
de Ermanno Olmi
com Rutger Hauer, Anthony Quayle, Sandrine Dumas, Dominique Pinon
La leggenda del santo bevitore | 1988 | 2h08 | 4K
Um sem-abrigo, Andreas (Rutger Hauer, num dos seus desempenhos mais brilhantes), assombrado pelo passado e pelo vício do álcool, recebe 200 francos de um estranho, sob uma única condição: que, quando conseguir e como forma de pagar a sua dívida, doe o dinheiro a uma igreja local. Filme labiríntico e onírico, a partir da novela homónima de Joseph Roth, esta jornada redentora está imbuída de um humanismo especial que alcança dimensões transcendentais. Olmi, que afirmou sempre fazer cinema com honestidade, falando sobre coisas de que sentia necessidade, revela-se aqui o cronista mais sensível dos humilhados e marginalizados.
Festival de Veneza 1988 – Leão de Ouro
Prémios David di Donatello 1989 – Melhor Filme; Melhor Realizador; Melhor Cinematografia; Melhor Montagem
Cinema Nimas, Lisboa
9 Agosto | 21h30
23 Agosto | 17h15
30 Agosto | 17h30
Teatro Campo Alegre, Porto
23 Setembro | 21h30
28 Setembro | 18h
Cinema Charlot, Setúbal
16 Agosto | 16h
NOSSA SENHORA DOS TURCOS
de Carmelo Bene
com Carmelo Bene, Lydia Mancinelli, Salvatore Siniscalchi, Anita Masini
Nostra signora dei turchi | 1968 | 2h03 | Inédito comercialmente em sala
Em Nossa Senhora dos Turcos, o seu primeiro filme, Carmelo Bene adapta o seu romance homónimo, e interpreta ele próprio um escritor possuído por visões e alucinações, confluências de memórias e eventos históricos, entre o pânico e a atracção erótica. Um poema épico, barroco e com tons surrealistas, uma “profanação por dissociação”, como dizia Moravia, uma obra-prima disruptiva, alucinante e original.
Festival de Veneza 1968 – Selecção Oficial em Competição – Prémio Especial do Júri
Cinema Nimas, Lisboa
14 Agosto | 18h30
28 Agosto | 19h30
1 Setembro | 12h30
Teatro Campo Alegre, Porto
16 Setembro | 21h30
Cinema Charlot, Setúbal
27 Agosto | 21h30

