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Hacks

A quinta e última temporada de «Hacks» foi apresentada numa conferência de imprensa internacional, onde a METROPOLIS marcou presença. Humor, reflexão e emoção marcaram a sessão – à imagem da própria série.

Com Jean Smart, Hannah Einbinder e os criadores Lucia Aniello, Paul W. Downs e Jen Statsky presentes, o foco esteve no encerramento da história de Deborah Vance (Jean Smart) – e na forma como esse percurso é reavaliado.

Como explicou Lucia Aniello, a nova temporada parte diretamente da forma como a personagem confronta a sua própria narrativa pública: “quando ela é confrontada com a cobertura da sua morte e, na sua cabeça, com uma má cobertura do seu legado, acho que isso realmente coloca em foco, tipo – ok, se é isto que estão a dizer sobre mim, o que é que eu quero que isto diga sobre mim?”. A partir daí, a série explora “como quer viver a sua vida” e “o legado duradouro que quer deixar”.

Apesar dessa base mais introspetiva, a temporada final recupera também o tom que definiu a série. Jean Smart sublinhou essa mudança: “a quarta temporada ficou um pouco mais sombria (…) mas na quinta podemos voltar a ser profundamente parvos, o que é muito, muito divertido”.

A relação entre Deborah e Ava (Hannah Einbinder) mantém-se como núcleo central até ao fim. Hannah Einbinder destacou essa evolução ao longo das temporadas: “elas tornaram-se mais nuanced e afetaram-se uma à outra”. A atriz sublinhou também o crescimento da sua personagem: “a diferença entre uma pessoa de 24 anos e uma de 30 é, na verdade, bastante grande”, refletindo uma transformação construída de forma gradual.

Para a equipa criativa, esta última temporada funcionou como um espaço de concretização. Paul W. Downs resumiu essa abordagem de forma direta: “era tipo, esta é a última oportunidade de o fazer”. Essa liberdade criativa mantém-se ligada a uma preocupação constante em refletir o presente. Como explicou o criador, “queremos sempre refletir o que está a acontecer na cultura, nas nossas vidas”.

Essa relação com o presente estende-se também às mudanças no setor. Jen Statsky abordou diretamente essa questão: “há esta enorme pressão da tecnologia para otimizar todas as partes das nossas vidas (…) mas a que custo?”. A criadora acrescenta: “quem é que isso beneficia?”, concluindo que “não vai beneficiar o artista (…) vai beneficiar as pessoas que vão ganhar dinheiro com isso”. Paul W. Downs reforçou essa preocupação: “é assustador aquilo para que isto pode ser usado”.

O fim da série revelou-se também um momento emocional para o elenco. Megan Stalter descreveu a experiência de forma direta: “senti que tinha uma forquilha de ouro nas mãos e que ma arrancaram, e agora tenho uma forquilha de plástico”.

Jean Smart destacou um processo mais gradual, ligado ao desaparecimento dos cenários. “Disseram: é o último dia no quarto da Deborah (…) e pensei – nunca mais vamos voltar aqui?”. Já Hannah Einbinder resumiu a ligação às personagens de forma simples: “eles parecem pessoas reais para nós”.

Sem revelar detalhes concretos, os criadores apontam para um final coerente com o percurso da série. Paul W. Downs descreveu-o como “uma encapsulação do que definimos desde o início – o legado e aquilo que deixamos para trás”.

Jean Smart admitiu ter reagido com hesitação inicial: “não tinha a certeza de que gostava”, mas acabou por confiar na visão da equipa: “confiei neles (…) e agora acho que é perfeito”. No fim, «Hacks» encerra mantendo o foco no que sempre definiu a série: as relações, a identidade e a forma como uma vida – e uma carreira – são lembradas.

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