Sinopse
A vida não corre de feição a Slevin (Josh Hartnett) — o seu bloco de apartamentos tem os dias contados, o seu bilhete de identidade foi roubado e, para terminar em glória, apanhou a namorada com outro… Ele refugia-se no apartamento do seu amigo Nick Fisher, em Nova Iorque, de modo a afastar-se de Los Angeles e de todos os seus problemas por um bocado. Mas o seu azar fala mais alto e as coisas ainda vão piorar…
No submundo de Nova Iorque, os mais respeitados e temidos reis do crime são o Rabino (Ben Kingsley) e o Chefe (Morgan Freeman). Antigos parceiros, eles são agora arqui-inimigos. Apesar do seu poder, eles são, no entanto, prisioneiros da paranoia, já que nenhum dos dois homens ousou deixar a sua fortaleza nos últimos 20 anos.
Ultimamente, a tensão cresce entre eles: para vingar a morte do seu filho, o Chefe planeia matar o filho do Rabino. Nick Fisher deve uma carrada de dinheiro ao chefe. Este vai forçá-lo a cumprir a missão. Só que Nick desapareceu e Slevin é confundido com ele…

Crítica
«Há Dias de Azar…» é um título cool para o Verão 2006, indicado para um filme que transmite estilo através da sua realização e de uma montagem frenética. Os personagens estereotipados são interessantes e incutem entusiasmo. Encontramos as propositadas reviravoltas e flashbacks pelo meio, que, embora agradando ao público, não constituem surpresa.
Este título obteve uma reação menos cool por parte das audiências e crítica americana, apesar dos seus trunfos: os actores. Andam por aqui Morgan Freeman e Ben Kingsley (os senhores do crime), Bruce Willis (o assassino profissional), Josh Hartnett (o azarado da fita), Lucy Liu (companheira de Hartnett) e finalmente Stanley Tucci (o polícia). Todos eles com boas interpretações, especialmente a dupla Hartnett/Liu, o que será um mérito da realização de Paul McGuigan. As suas influências em anteriores trabalhos (fotógrafo/realizador de anúncios) e a experiência do seu anterior filme, «Gangster Nº1» (2000), refletem-se na realização de «Há Dias de Azar…»: os cenários são trabalhados, e pormenores interessantes como as torres dos senhores do crime dão uma atmosfera épica ao enredo, existindo um trabalho notório em todos os aspectos da produção.

O argumento escrito por Jason Smilovic está delineado de forma a produzir um clímax final que não compromete, deixando espaço para um face a face de dois grandes actores (Freeman e Kingsley). Bem estruturado, proporciona uma narrativa sem engarrafamentos de informação, tornando-a perceptível e deixando espaço para humor nos personagens sem perder o fio da meada. É cinema que cumpre os seus objectivos, mesmo sendo um objecto puramente comercial.
Título original: Lucky Number Slevin Realização: Paul McGuigan Elenco: Josh Hartnett, Morgan Freeman, Ben Kingsley, Lucy Liu, Bruce Willis, Stanley Tucci, Kevin Chamberlin, Oliver Davis, Victoria Fodor, Sam Jaeger, Danny Aiello Estados Unidos, 2006
[Crítica originalmente publicada no Cinema2000, a 27 de Julho de 2006]




