Foram conhecidos hoje, na Culturgest, os grandes vencedores do IndieLisboa 2025 – Festival Internacional de Cinema.
Competição Internacional de Longas-Metragens
O Grande Prémio de Longa-Metragem Cidade de Lisboa (15 mil euros) foi atribuído a On Becoming a Guinea Fowl, da zambiana Rungano Nyoni. O júri, composto por Lyse Ishimwe Nsengiyumva, Marta Simões e Daniel Jonas, sublinhou a “narrativa corajosa e uma cinematografia impressionante”. Acrescentando: “A realização sensata e sensível torna o filme numa experiência de visionamento atraente e faz dele uma lufada de ar fresco – uma análise refrescante, mas profunda e poderosa. A hábil realizadora mostra-nos um mundo de relações familiares complicadas e tradições enraizadas, passando de uma narrativa culturalmente específica para temas universais de uma forma elegante e original.”

O Prémio Especial do Júri Canais TVCine, que garante a aquisição dos direitos do filme para Portugal, premiou Vitrival – The Most Beautiful Village in the World, da dupla belga Noëlle Bastin e Baptiste Bogaert. Neste caso, o júri refere “uma aldeia onde nada e tudo acontece ao mesmo tempo”. “O humor é seco, o ritmo é deliberado, e o resultado é uma meditação irónica e pungente sobre a inércia e a estranheza tranquila da vida rural.”
Competição Internacional de Curtas-Metragens
O Grande Prémio de Curta-Metragem EMEL (4000 euros) foi atribuído a Their Eyes, do francês Nicolas Gourault. O painel de jurados (Beatriz de Almeida Rodrigues, Inès Sieulle e Victor Morozov) decidiu premiar esta “exploração antropológica do trabalho humano invisível por detrás do desenvolvimento da tecnologia de IA”, destacando-a como “uma meditação relevante sobre a forma como a tecnologia está a moldar a nossa percepção do mundo.”
Servicio necrológico para usted, da cubana María Salafranca, e The Building and Burning of a Refugee Camp, do irlandês Dennis Harvey, venceram o Prémio Especial de Júri que atribui 500 euros a cada um dos filmes.
Prémios Competição Nacional
O Prémio MAX para Melhor Longa-Metragem Portuguesa (5000 euros) premiou Hanami, de Denise Fernandes. O filme “distinguiu-se pela sua precisão formal, profundidade emocional e contenção narrativa”. O júri sublinhou ainda “a sua linguagem visual envolvente, em que cada fotograma contribui significativamente para uma atmosfera de reflexão silenciosa”.
O Prémio Melhor Realização para Longa-Metragem (1000 euros) consagrou Duas Vezes João Liberada, de Paula Tomás Marques. O júri refere-o como uma “abordagem ousada e inventiva à realização”. E ainda: “O filme interroga as convenções e hierarquias históricas e cinematográficas com inteligência, humor e confiança. A capacidade da realizadora de navegar por temas complexos com liberdade formal é reveladora de uma voz artística madura e distinta”.
A propósito da realização, o júri – David Moragas, Mimi Plauché e Ricardo Teixeira – decidiu ainda dar uma Menção Especial a Deuses de Pedra, de Iván Castiñeiras Gallego. “Deuses de Pedra apresenta um retrato sensível e visualmente estratificado de uma comunidade moldada pelo tempo e pela memória”, afirma o júri.
O Prémio Melhor Curta-Metragem Portuguesa (2000 euros) foi vencido por Antígona ou a História de Sara Benoliel, de Francisco Mira Godinho. “Esta curta-metragem destacou-se pela sua escrita afiada, equilíbrio tonal e voz narrativa cativante. Aborda um tema difícil com uma combinação de humor, precisão e inteligência emocional. O júri apreciou particularmente a forma como o filme mantém a especificidade cultural ao mesmo tempo que alcança uma ressonância mais alargada. Ao oferecer uma perspectiva de esperança, convida à reflexão sem moralizar”, especifica.
O Prémio Novo Talento McFly (5000 mil euros convertíveis em serviços de pós-produção de som) foi atribuído a La Durmiente, de Maria Inês Gonçalves. O júri refere uma colisão entre passado e presente. “A realizadora reflecte sobre a forma como a memória molda o nosso presente e convida uma nova geração a questionar o que herda.”
Novíssimos
O Prémio Novíssimos, que atribui um prémio de 1000 euros e a promoção e venda do filme em questão pela Portugal Film, sorriu a Em Reparação, de Beatriz Machado Oliveira. O júri, composto por Diana Coelho, Carolina Serranito e António Miguel Arenas, mencionou o seu “grande interesse social e cultural, valorizando os ofícios tradicionais, quase extintos na era contemporânea (…) promove culturas muitas vezes insultadas como ‘invasoras’, enquanto reforça a importância do papel de todos os trabalhadores imigrantes.”
E deu ainda duas menções honrosas: Winners, de Edgar Gomes Ferreira e Entre o Mar e a Ilha, de José Rodrigo Freitas.
Silvestre
O Prémio Honda Silvestre para Melhor Longa-Metragem (1500 euros) é dividido por Ariel, de Lois Patiño, e little boy, de James Benning. O júri – Andrei Tănăsescu, Catarina de Sousa e Michelle Gurevich – decidiu premiar ambas as produções, que vencem assim o troféu em ex-aequo, referindo “dois filmes que englobam os vários papéis do cinema: explorar, expandir e estimular a imaginação colectiva – na poesia e na política – duas facetas igualmente importantes da condição humana”.
O Prémio Silvestre Escola das Artes para Melhor Curta-Metragem (1000 euros) premiou Razeh-del, de Maryam Takafori.
O Prémio IndieMusic (1000 euros) coube a Orlando Pantera, filme de Catarina Alves Costa. Eduardo Morais, Nuno Calado e Vera Marques (Puçanga), júri da competição, consideraram este “um documentário sem artifícios, nem bajulações, que mostra o percurso de uma filha em busca das influências deixadas pelo seu pai a tantas gerações e universos culturais (…) num retrato audiovisual que começa sendo familiar e termina também a ser nosso.” Orlando Pantera tem sessão extra no IndieLisboa amanhã, 11 de Maio, às 18h30, no Auditório Emílio Rui Vilar, Culturgest.
O Prémio Amnistia Internacional (1500 euros) deu nova premiação a On Becoming a Guinea Fowl, de Rungano Nyoni. O júri foi composto por Ana Relvas França, Catarina Sobral e Rodrigo Cardoso.
O Prémio MUTIM (250 euros) que consagra a curta-metragem da secção Novíssimos que melhor contribua para um imaginário cinematográfico não estereotipado no cinema português premiou Amanhã Não Dão Chuva, de Maria Trigo Teixeira. O júri, composto por Ana Vilela da Costa, Nay Araújo e Raquel Freire, atribuiu ainda uma menção honrosa a Entre o Mar e a Ilha, de José Rodrigo Freitas.
O Prémio Escolas para Melhor Curta-Metragem optou por consagrar Antígona ou a História de Sara Benoliel, de Francisco Mira Godinho. O Júri Escolas foi formado por Gilberto de Pina, Lyana Santos e Estrela Coelho.
O Prémio Universidades para Melhor Longa-Metragem Portuguesa distinguiu Deuses de Pedra, de Iván Castiñeiras Gallego. O júri desta atribuição foi composto por Maria Carolina Ramos da Silva, Isabela Lopes e Emanuela Kalemba Nsangu.
(Texto: Comunicado de Imprensa do Festival)




