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Guru

Pierre Niney é o intérprete perfeito para Yann Gozlan. Depois de «Un homme idéal» (2015) e «Caixa Negra» (2021), o realizador volta a confiar o seu cinema de género ao rosto frágil de um ator que dificilmente dissociamos de figuras frágeis como Yves Saint Laurent (o papel que lhe impulsionou a carreira). E essa fragilidade não podia ser mais proveitosa no início de «Guru»: o coach de vie Matthieu Vasseur convence qualquer um com a sua energia de empresário e expressão de vulnerabilidade. Isto sempre que se imponha adaptar a máscara ao contexto…

Na primeira meia hora, «Guru» é, verdadeiramente, uma promessa. Dentro de uma sala cheia, com a audiência ultra concentrada num orador com pinta de magnata da tecnologia, vamos vislumbrando na performance de Niney algo, porventura, mais perigoso do que a apresentação de inovações tecnológicas: um brutal incentivo à positividade sem limites, que pode levar quem o ouve a despedir-se do trabalho simplesmente porque o impulso de o fazer demonstra aos outros membros na assistência a coragem de nos tornarmos o que queremos ser. Assim, sem mais nem menos.

Para esta técnica de catarse funcionar, há toda uma máquina de bastidores a montar o espetáculo que se vê, e que no fundo é o segredo por trás do presente culto do coaching. Matthieu (Niney) alcançou o seu império através das redes sociais e agora sente-se ameaçado porque o Estado francês decidiu regulamentar essa atividade que lhe deu mais do que o sustento, mesmo sem qualquer formação profissional. O que fará este pseudoespecialista em manipulação mental para proteger a sua conquista? Tentará manipular da melhor maneira possível os peões da sua vida que se convertam em obstáculos à manutenção desse sucesso.

Um pouco como o impacto de um primeiro seminário de Matthieu, «Guru» começa por prender-nos a atenção na medida daquela eficácia muito francesa de abordar “questões da sociedade”. E esta é bastante séria. Mas quando o thriller entra em piloto automático, não há muito que esperar da empreitada: Niney converte-se numa personagem unidimensional (o vigarista sem réstia de escrúpulos) e os acontecimentos passam a responder à lógica esquemática do líder que achava estar no controlo do seu plano, só que não. Fica tudo tão previsível que até o filme parece cair num de buraco de autoajuda, sem escavar suficientemente o mecanismo deste processo de desenvolvimento pessoal chamado coaching.

TÍTULO NACIONAL: Guru
TÍTULO ORIGINAL: Gourou
REALIZAÇÃO: Yann Gozlan
ELENCO: Pierre Niney, Marion Barbeau, Anthony Bajon
ORIGEM: França, Bélgica
DURAÇÃO: 126 min.
ANO: 2025

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