Ciclo Voltar à Terra

Voltar à Terra no Alvalade Cineclube

Voltar à Terra no Alvalade Cineclube

A partir de 28 de Abril até 16 de Junho, um ciclo que apresenta oito visões sobre um país que nunca perdeu a antítese da urbanidade, oito propostas de regresso a uma forma de vida cíclica, ligada ao planeta e às suas dinâmicas, e onde a humanidade se compreende como parte de um todo.

Que cinema pode mostrar “sustentabilidade”? Em que imagens encontramos “ecologia”? Muito antes do discurso “verde” ter entrado nas narrativas sociais visíveis, já os realizadores portugueses olhavam o mundo rural na sua proposta de simplicidade, recomeço e ligação à terra.

Para arrancar o ciclo, o Alvalade Cineclube exibe Volta à Terra de João Pedro Plácido. Segundo um argumento seu em parceria com Laurence Ferreira Barbosa, um filme que homenageia a aldeia dos avós do realizador e onde se celebra aquilo que considera ser “a simbiose do Homem com a Natureza”.

Portugal, um Dia de Cada Vez é assinado por João Canijo e Anabela Moreira (2015), que realizaram uma visita aos lugares mais remotos do país. Uma viagem que começa no extremo Norte de Portugal e que, por terras de Trás-os-Montes e do Alto Douro, visita uma dúzia de aldeias e lugares. As casas, os cafés, as ruas e as pessoas que ainda as habitam. É o retrato do dia-a-dia de algumas dessas pessoas, cada vez menos, cada vez mais idosas

Rodado durante a pandemia, Diários de Otsoga simula um confinamento em grupo numa quinta junto ao mar, sob o olhar de Miguel Gomes e Maureen Fazendeiro. Estreado mundialmente na Quinzena dos Realizadores em Cannes, conta a história de Crista, Carloto e João. Três amigos que, em tempos de pandemia, decidem construir juntos um borboletário. Durante meses, partilham a casa, as tarefas e as próprias vidas.

Em Bostofrio, o realizador Paulo Carneiro volta à sua terra, Trás-os-Montes, à procura de um personagem misterioso, o avô que nunca chegou a conhecer através das memórias dos habitantes da aldeia de Bostofrio. O filme é composto por uma série de conversas, tão íntimas quanto divertidas, nas quais é o próprio realizador que se implica na ação e questiona os habitantes (muitos deles, seus familiares) sobre quem era, e como era, o seu avô.

Primeiro e único filme de Manuela Serra, O Movimento das Coisas é um “documentário poético”, como descreve a Cinemateca Portuguesa e “um dos filmes mais curiosos que nas décadas de setenta e oitenta abordaram o universo rural do norte português”. É tempo de descobrir este filme, que aguardou 36 anos até ter a sua estreia, sobre o quotidiano da comunidade rural de Lanheses, no concelho de Viana do Castelo.

No final de 1999, Joaquim Pinto e Nuno Leonel compraram dois bilhetes para comemorarem a passagem de ano em São Miguel. Alugaram uma casa perto de Rabo de Peixe, onde têm um amigo, o Artur (pescador), pai de Diana, a jovem que se casou com Pedro, figura central deste documentário. Filmado entre 1999 e 2002, Rabo de Peixe pretende fixar a forma como o trabalho pode moldar os corpos e o carácter dos homens.

Numa viagem pelas fronteiras Portuguesas, Campo de Flamingos Sem Flamingos é um documentário que resulta de uma viagem de caravana feita entre Setembro e Dezembro de 2011. Sem programa definido, o fotógrafo e cineasta André Príncipe, o director de fotografia Takashi Sugimoto e o operador de som Manuel Sá percorreram Portugal numa viagem pelas fronteiras continentais, pontuada por encontros com pessoas e animais, assim como um levantamento da paisagem natural e construída.

Por fim, apresentamos Dispersos Pelo Centro, de António Aleixo. Tiago Pereira, de “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria” convida o geógrafo e autor Álvaro Domingues para uma viagem pelas Terras da Chanfana. Surge então uma questão pertinente e maior que eles próprios ou a paisagem na qual figuram. Um documentário humanista que deambula entre as pessoas e o território.

As sessões serão acompanhadas com conversas e debates, com convidados a anunciar brevemente.

Programa:

👉 28 ABR – VOLTA À TERRA (João Pedro Plácido, Doc. 2014)
👉 05 MAI – PORTUGAL, UM DIA DE CADA VEZ (João Canijo e Anabela Moreira, Doc. 2015)
👉 12 MAI – DIÁRIOS DE OTSOGA (Maureen Fazendeiro e Miguel Gomes, Doc, Fic. 2021)
👉 19 MAI – BOSTOFRIO (Paulo Carneiro, Doc., 2018)
👉 26 MAI – O MOVIMENTO DAS COISAS (Manuela Serra, Doc.1986)
👉 2 JUN – RABO DE PEIXE (Joaquim Pinto e Nuno Leonel, Doc 2003)
👉 9 JUN – CAMPO DE FLAMINGOS SEM FLAMINGOS (André Príncipe, Doc. 2013)
👉 16 JUN – DISPERSOS PELO CENTRO (António Aleixo, Doc. 2021)

Fonte: Alvalade Cineclube

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