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UMA VIDA SINGULAR

«Uma Vida Singular» é inspirado na história verídica de Sir Nicholas Winton, o homem que ajudou a salvar a vida de mais de 600 crianças (669, mais concretamente), meses antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial. Em 1938, Hitler ocupou a Áustria e exige uma região da Checoslováquia, Sudetenland. Para evitar a guerra, o Reino Unido, França e Itália concordam, mas no dia seguinte o líder nazi invade o país, levando a que milhares de famílias se refugiem em Praga.

Nicholas Winton (Johnny Flynn), um jovem corretor da bolsa londrina decide ir até Praga em dezembro de 1938 e encontra famílias que fugiram do domínio e terror nazi a viver em condições desumanas, sem abrigo e comida. Nesse momento, decide juntar-se ao Comité Britânico para os Refugiados na Checoslováquia, e, inspirado no provérbio hebraico ‘quem salva uma vida salva o mundo inteiro’, entra numa jornada que vai fazer a diferença na vida de milhares de pessoas.

Cinquenta anos depois, em 1988, Nicky (Anthony Hopkins) ainda vive assombrado pelo destino das crianças que não conseguiu fazer chegar a Inglaterra, nomeadamente as 250 que estavam no último comboio antes de os nazis invadirem Praga. Quando o programa de televisão da BBC ‘That’s Life!’ descobre a história e o surpreende apresentando-lhe algumas das crianças sobreviventes já adultas, Nicky reconcilia-se com a dor que carregou durante cinco décadas.

O filme realizado por James Hawes é adaptado do livro homónimo assinado por Barbara Winton, filha de Nicky Winton – conhecido como o “Schindler britânico” –, que morreu durante as filmagens deste filme e seis anos depois de o seu pai ter falecido aos 106 anos de idade. Ao delegar os direitos do livro para cinema, Barbara tinha apenas uma exigência: que o papel do seu pai fosse interpretado por Anthony Hopkins. Ainda bem que a produção conseguiu cativar o ator de 85 anos, pois apesar da presença, competência e eficiência de Johnny Flynn, Helen Bonham Carter ou Lena Olin, Hopkins é a alma e a inspiração de «Uma Vida Singular».

Do argumento de uma vida, será certamente desafiante selecionar os momentos mais impactantes, principalmente com um intervalo de 50 anos, e embora o resgate de 669 crianças seja o mais importante, a verdade é que a construção das personagens é pouco profunda e muitas perguntas ficam sem resposta. Além disso, momentos realmente impactantes perdem a sua força dramática e surgem desmaiados no storytelling, como quando Nicky se reencontra com alguns dos refugiados que salvou, na plateia de um programa de televisão. Em certos momentos, precisávamos mais tempo para sentir… No entanto, as lágrimas vão cair.

«Uma Vida Singular» cumpre o propósito de trazer até nós uma história tão importante como a de Nicky Winton, que chegou a ser nomeado cavaleiro pela Rainha Elizabeth II, em 2003. Mas, acima de tudo, relembra-nos a injustiça absurda de qualquer guerra que envolva crianças. Nicky Winton salvou, através das 669 crianças, mais de 6000 pessoas, numa guerra que matou milhões de inocentes. Histórias como a de Nicky Winton restauram a nossa fé na humanidade, numa altura em que muitas crianças estão a passar pelo mesmo e numa era em que o mundo mais precisa destes heróis. Obrigada, Nicky!

Título Original: One Life Realização: James Hawes Elenco: Anthony Hopkins, Johnny Flynn, Helena Bonham Carter, Lena Olin Duração: 110 Min. Reino Unido, 2023

https://www.youtube.com/watch?v=DQc5W_kbinI

Sara Afonso
Sara Afonso
Entrou para o jornalismo há mais de 20 anos, ainda antes de terminar o curso de Comunicação e Jornalismo. Estagiou no jornal O Jogo, na área de cultura e cinema e, no final do curso, entrou no jornalismo especializado de Tecnologia, nas revistas Connect, Casa Digital e T3. Em 2011, aceitou a direção do seu projeto de sonho: a revista de cinema Empire, o bilhete dourado para conhecer e entrevistar estrelas do cinema e da TV, para comentar eventos de cinema e para ser júri em festivais de cinema nacionais. Por fim, assumiu a coordenação de vários projetos de imprensa, em áreas como surf, fitness, gastronomia, vida selvagem, mindfulness e criatividade, alimentação saudável, entre outros, sempre mantendo a colaboração na área do cinema, com a revista digital METROPOLIS. Já escreveu livros, criou perguntas para um famoso programa de televisão e contribuiu com a sua escrita para um projeto deslumbrante sobre o Oceano, (Oceans and Flow). Recentemente, voltou ao mundo das revistas, mas, como alguém disse um dia: “A partir do momento em que participam na descoberta mágica do cinema, este torna-se o vosso amor para sempre.

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