Tulsa King

TULSA KING

TULSA KING

Integrante do elenco de «Bananas» (1973), de Woody Allen, do qual quase foi descartado por não parecer ameaçador o suficiente, Sylvester Stallone ensaiou um flerte com a comédia entre o fim dos anos 1980 (período de apogeu da sua popularidade) e os anos 1990, quando ensaiou fazer rir com «Oscar» (1991), de John Landis, e «Pára ou a Mamã Dispara» (1992), de Roger Spottiswoode. O primeiro era uma tentativa digna de Family Film, com grife de autor na sua direção. O segundo foi um fiasco, que só valeu por aproximar o eterno Rambo da Golden Girl da TV Estelle Getty. E ainda houve, antes disso, o malfadado musical «Rhinestone», de 1983. É curioso, portanto, que agora, aos 76 anos, devidamente celebrizado como Astro Rei da ação e repaginado em conexões com a Marvel (“Guardiões da Galáxia”) e a DC (“Suicide Squad”), Sylvester Stallone destaque-se justamente pelas veredas do riso no seu primeiro trabalho como protagonista de uma narrativa serializada: «Tulsa King», da SkyShowtime. Trata-se de um thriller de máfia, com toda a violência inerente ao formato. Mas as tiradas bem-humoradas do personagem de Stallone – o gangster Dwight Manfredi, o General – destroem lugares comuns e alimentam um senso de surpresa, dando um tempero de descontração a um enredo essencialmente trágico.

Taylor Sheridan, responsável pelo sucesso «Yellowstone», é um dos criadores dessa narrativa serializada, que tem Terence Winter (de «Os Sopranos») à frente do argumento e da concepção de um universo mafioso. A agilíssima direção é de Allen Coulter (de séries como «Ray Donovan» e do filme «Hollywoodland»), que entende com precisão a persona de Stallone e o que ele simboliza historicamente. É o que se percebe na maneira como o cineasta recria o ethos de “exército de um homem só” muitas vezes encarnado pelo ator, traduzido no tom de empáfia e de retidão plena de Dwight. Há adrenalina o suficiente para satisfazer o desejo dos fãs incondicionais do eterno Rocky, mas há espaço para a tridimensionalização das inquietudes de Dwight por via de diálogos e situações de silêncio doloroso.

Durão inquebrantável, Dwight passou 25 anos encarcerado e sai da cadeia com a missão de erguer uma célula da máfia em Tulsa, encarando uma realidade social diferente daquela em que se configurou como um criminoso assustador, em Nova York. Ele se depara com figuras com visual de caubói, com botas de couro de jacaré. E é ali que precisa se reerguer, tendo como coadjuvantes uma agente (Andrea Savage), um taxista (Jay Will) e um dono de bar (Garrett Hedlund, perfeito em cena).