A espantosa Ruth Wilson («Luther», «The Affair») é a protagonista de «True Things», um drama melindroso de uma mulher em rota de colisão com o seu próprio destino. Kate (Ruth Wilson) vive só e tem trinta anos, a obsessão com o seu relógio biológico e a sua necessidade de encontrar alguém deixam-na desesperada e carente de afecto. No seu trabalho rotineiro de assistente social conhece um ex-presidiário (um bom papel de Tom Burke) que vira o seu mundo e os sentimentos de Kate do avesso. Será o verdadeiro amor ou apenas mais uma pessoa a se aproveitar da condição de Kate? A obra é muito interessante no retrato de Kate na sua relação tóxica onde o seu mundo vai gradualmente colapsando. «True Things» respeita uma lógica de observação do caos para procurarmos a construção e a procura de algo positivo, harmonioso e que nos motive a voltar a sorrir com a vida. É um filme sobre a procura do amor próprio após a desordem. A realização da britânica Harry Wootliff demonstra grande sensibilidade e poesia perante o caos. É evidente que ter uma Ruth Wilson num projecto é meio caminho andado para o sucesso. A actriz agarra-se – como sempre – com unhas e dentes à performance de uma personagem perdida e nociva para si mesma, mas que talvez nos venha a surpreender. É uma bela viagem de descoberta. Ruth Wilson e Harry Wootliff voltam-se a cruzar no Verão de 2023 na série da BBC «The Woman in the Wall» (2023).

Título original: True Things Realização: Elenco: Ruth Wilson, Tom Burke, Hayley Squires, Tom Weston-Jones Duração: 102 min. Reino Unido, 2021

[Texto publicado originalmente na Revista Metropolis nº98, Setembro 2023]

https://www.youtube.com/watch?v=Uoh91HFx1Hw
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