Togo

Togo

«Togo» é uma bela aventura da Disney +, um aperitivo para aquilo que poderemos encontrar na nova plataforma Disney: variedade para toda a família aliada a uma qualidade única de uma marca de prestígio que nos habituou a uma fórmula vencedora ao longo de décadas.

Esta obra foi realizada pelo experiente diretor de fotografia Ericson Core que tem como missão revelar uma excecional proeza e a verdade ao grande público numa emocionante aventura baseada em factos verídicos. No inverno de 1924-1925 a cidade de Nome, na região norte do Alasca, situada a dois graus a sul do circulo ártico, é afetada por um surto de difteria que atinge as crianças locais. A única esperança é uma vacina que está a mil quilómetros de distância. Uma tempestade de proporções bíblicas impede a travessia aérea, a única esperança da cidade assentava no trenó do experiente norueguês Leonhard Seppala e os seus huskies siberianos liderados por Togo. Para quem não conhece esta história (a “Serum Run”) que deixou uma nação emocionada com a jornada arriscada no gelo poderemos dizer que não foi Seppala e Togo que ficaram gravados na memória dos americanos. Em 1998 um artigo da revista norte-americana Time colocou a verdade da “Serum Run” em pratos limpos e a Disney produziu esta obra com base nessas revelações. «Togo» tem um elenco que quebra o gelo e enche-nos de calor canino e humano imbuído de um sentimento de amizade e carinho que atravessa todo o filme. A obra é liderada pelo excelente Willem Dafoe no papel de Leonhard Seppala, o ator faz toda a diferença com a sua interpretação elevando um papel mediano para o estatuto de uma figura maior do que o ecrã, há mesmo momentos que parece uma interpretação teatral saída das profundezas da sua alma – curiosamente o seu último grande papel foi à sombra da Disneyworld, em «Florida Project», e vê-lo representar para os estúdios Disney é um prazer.

Julianne Nicholson e Willem Dafoe
(foto: Chris Large ©2019 Disney Enterprises, Inc. All Rights Reserved.)

A outra estrela do filme são os cães que interpretaram Togo (e os seus treinadores). Baseada no argumento de Tom Flynn, a personagem de Togo passa ao espectador, em vários momentos, um cachorro com o diabo no corpo quando é pequeno mas que cresce para ser um líder corajoso que pressente o perigo e se move pela força do seu coração. A opção dos autores da obra é bastante interessante, a narrativa cruza a destemida travessia pelo gelo com o flashback quando Togo é apadrinhado pela esposa de Leonhard Seppala e faz a vida negra ao seu dono enquanto cachorrinho que deseja demonstrar o valor ao seu dono. São momentos com gags de humor e entretenimento que contrastam bem com a luta contra o tempo e a natureza de Leonhard Seppala e os seus cães de trenó.

O elenco secundário, ainda que tenha pequenos apontamentos, é constituído por atores que deixam sempre uma marca positiva no ecrã. É esse o caso de Christopher Heyerdahl, Richard Dormer e Julianne Nicholson no papel da esposa belga de Seppala, a atriz espelha ternura e preocupação nesta relação a três.

«Togo» tem uma realização sólida, sai da rotina graças ao elenco e simplicidade dramática, o poder da história de coragem e amizade traz consigo um sentimento de nostalgia e boa-disposição remetendo-nos para os acolhedores filmes de domingo à tarde. É uma aposta vencedora da Disney+.



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