The Third Day HBO

The Third Day: O Caos e a Fé dos Homens

The Third Day: O Caos e a Fé dos Homens

A Metropolis já viu cinco dos seis episódios de «The Third Day», que tem estreia marcada na HBO Portugal esta terça-feira, 15. Mas há antestreia exclusiva amanhã, 13, na Comic Con Celebration. A minissérie é protagonizada por Jude Law e Naomie Harris, e conta com a filha de uma atriz sensação no elenco.

«The Third Day» funciona como uma alegoria quase bizarra sobre uma sociedade doente. O que tem um lado irónico, já que foi uma das séries adiadas por causa da pandemia da Covid-19. A minissérie, de seis episódios, centra-se em Sam (Jude Law), um homem destroçado e desesperado que, por acaso do destino, salva uma adolescente (Jessie Ross) da morte e depois a leva para casa… a conservadora e isolada ilha de Osea. A ilha existe mesmo e a estrada de ligação, tal como é aproveitado pela ficção, fica coberta quando a maré está alta.

O habitat da série é um dos seus instrumentos mais fortes. O ambiente é obscuro, a iluminação joga com a escuridão da narrativa, e a banda sonora desenha a tensão que espera intervenientes e audiência.

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Tudo é estranho desde o primeiro momento. Primeiro para o espectador, colocado em parte incerta e com sons da Natureza que são usados para aumentar o desconforto. Longe vai o tempo em que caminhar na floresta podia ser sinal de tranquilidade. Em segundo lugar, para Sam, uma personagem que se vai relevando aos poucos. Trata-se do protagonista da primeira parte da narrativa, “Verão”, que é explorada nos primeiros três episódios.

A segunda, “Inverno”, é encabeçada por Naomie Harris, que é acompanhada pelas duas filhas, Ellie (Nico Parker) e Talulah (Charlotte Gairdner-Mihell). A primeira é filha de Thandie Newton (Westworld) e do realizador Ol Parker. Pelo meio, deverá existir um episódio intermédio, entre o 3 e o 4 — antes pensado para acontecer num espetáculo ao vivo e que agora deverá ser apenas digital. Espera-se que seja mais sensorial, e dê dimensão à camada espiritual da série, do que propriamente narrativo.

The Third Day: o que se passa no coração do mundo?

É complicado escrever sobre «The Third Day» sem denunciar os seus truques. A magia da minissérie está no facto de ser uma folha em branco no arranque, o que leva o espectador a não saber o que esperar. Embora os habitantes de Osea pareçam estranhos desde cedo, a verdade é que nem sempre é fácil apontar porquê. Torna-se tudo uma conspiração, baralhada pelas imagens soltas que vão surgindo na mente de Sam e que confundem tempos, acontecimentos e ideias.

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Como eco em Osea, fica a ideia de que os moradores são muito apegados às suas histórias e à tradição que passaram de geração em geração. A aceitação de um forasteiro é tudo menos fácil, mas os motivos são como um puzzle que só se revela… ao terceiro dia. O mistério não é distinto de um lado mais religioso, onde a trama testa os limites (ou a falta deles) da fé das pessoas. E do que são capazes de fazer para a preservar.

O elenco é de grande nível, destacando-se nas segundas linhas Paddy Considine (Mr. Martin), Emily Watson (Mrs. Martin) e Katherine Waterston (Jess), que tem feito sucesso na nova trilogia do imaginário de Harry Potter como Tina. Por seu lado, esta é uma criação de Dennis Kelly, o homem por detrás da série «Utopia».

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As interpretações bem conseguidas dão força a um argumento que, por vezes, treme. A história é um laço de acontecimentos, que ganham uma componente mística constante e nem sempre percetível, e há momentos em que este se emaranha. No entanto, quando a manobra da narrativa é bem-sucedida, o ambiente criado em «The Third Day» reforça o fio condutor da escuridão e da dor da perda. A forma como lidam com elas não só os define como personagens, como também antecipa as relações e as reações que podemos esperar.

«The Third Day» é mais um exemplo de uma história que podia viver bem como filme, mas que nos dias de hoje é “esticada” a minissérie. Tal permite uma maior densidade da narrativa, prejudicando parcialmente o ritmo e beneficiando a complexidade daquele mundo. Resta saber se a audiência não vai descolar desta construção quase teatral, e ficar para conhecer este truque de magia, feito à frente de todos.

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