Suspeita

SUSPEITA

SUSPEITA

Neste seu primeiro filme com Cary Grant, que viria a ser um dos seus actores de eleição durante quase duas décadas, Hitchcock conta-nos a história de Johnnie Aysgarth, um homem carismático mas algo irresponsável que seduz e casa com a solitária, mas bastante rica Linda McLaidlaw. O casal parte para a Europa, mas quando regressa Linda descobre que o seu marido tem grandes dívidas de jogo. Linda acha num primeiro momento que o seu marido é apenas descuidado e inconsequente mas uma sucessão de acontecimentos leva-a a começar a acreditar que o seu esposo poderá ser alguém de muito perigoso, um homem capaz de tudo, mesmo de assassínio, para ficar com a sua fortuna. O génio de Hitchcock revela-se na forma como ele filma e desenvolve a sua narrativa, que na sua fase inicial é leve e solarenga, mas assim que a suspeita surge na mente da protagonista o tom do filme muda gradualmente de registo e atmosfera torna-se mais densa, complexa e assustadora. Ao contrário da maior parte dos críticos do filme que sempre acharam que o final imposto pelos produtores roubava a narrativa de um desenlace coerente e em sintonia com a letra do livro que o inspirou, Hitchcock nunca se importou com esse aspecto encontrando no resto do percurso dos seus protagonistas a matéria-prima para um magnífico thriller psicológico. Depois deste filme um banal copo de leite nunca mais pôde ser visto da mesma forma.

Sempre elegante e carismático Cary Grant mantém durante todo o filme a ambiguidade da sua personagem deixando o espectador na dúvida quanto á sua real natureza. Pelo seu papel de esposa em crescente paranoia Joan Fontaine viria a ganhar o óscar de melhor actriz. Um clássico imperdível para todos os entusiastas do universo do mestre do suspense.

Título original: Suspicion Realização: Alfred Hitchcock Elenco: Cary Grant, Joan Fontaine, Cedric Hardwicke, Nigel Bruce Duração: 99 min EUA, 1941

[Texto originalmente publicado na revista Metropolis nº6, Fevereiro 2013]