Elisabeth Moss

Shining Girls: Presos Numa Teia (In)Temporal

Shining Girls: Presos Numa Teia (In)Temporal

O Apple TV+ estreia hoje, 29, a série «Shining Girls», protagonizada por Elisabeth Moss e Wagner Moura. No dia em que o embargo de reviews é levantado, a Metropolis diz-lhe o que pode esperar desta narrativa ultra-complexa.

Uma amnésica e um alcoólico formam uma dupla improvável em «Shining Girls», uma série que oferece uma narrativa ainda mais improvável. Será que estes dois outsiders conseguem convencer todos os que os rodeiam de um crime que vai para além do próprio espaço e tempo? Se já é difícil para personagens ditas normais, imaginem para Kirby (Elisabeth Moss) e Dan (Wagner Moura). A nova aposta do Apple TV+ tem contornos surrealistas e tenta agarrar a audiência ao argumento complexo com um elenco de elevado nível, que tem ainda como segundas linhas Jamie Bell, Phillipa Soo (Hamilton), Chris Chalk e Amy Brenneman.

Baseada num livro com o mesmo nome, assinado por Lauren Beukes, «Shining Girls» procura simplificar visualmente uma narrativa algo exigente de acompanhar. Tudo começa na infância de Kirby, quando é abordada pelo misterioso Harper (Jamie Bell), que lhe oferece um brinquedo insuspeito e lhe promete que se vão voltar a encontrar. A abordagem sinistra é acompanhada por uma transição para os anos 90, onde Kirby (já Elisabeth Moss) se vai posicionando na sua rotina de maneira metódica e confusa para o espectador.

É que, a fazer lembrar a comédia romântica «A Minha Namorada Tem Amnésia» (2004), a protagonista tem de tomar nota de tudo o que a rodeia, desde as pessoas aos animais domésticos. Todavia, uma tarefa que devia ajudar a trocar a história presente “por miúdos”, revela-se um fator extra de complexidade para a trama, o que vai sendo desconstruído de episódio para episódio.

Embora apresente desde cedo o assassino em série que serve de antagonista na história, Harper, a verdade é que isso não simplifica o problema nem facilita a vida ao espectador. É preciso reparar em todos os pormenores, envolvidos e antecipar sempre uma surpresa. Além disso, a mais pequena distração pode deixar escapar um pormenor importante sobre a personalidade das personagens, os detalhes por detrás da ação de Harper e a previsibilidade do que vai acontecer a seguir. Certezas, essas, são escassas, uma vez que o mais ligeiro passo na direção do criminoso pode levá-lo a alterar o seu “jogo”.

Desconfortável, tensa e ambígua, a série «Shining Girls» é um lugar de inquietação para quem assiste, ao mesmo tempo que cria uma certa expetativa sobre o que nos aguarda no capítulo seguinte. Para evitar desistências prematuras pela complexidade da narrativa, o Apple TV+ disponibiliza, de forma inteligente, os três primeiros episódios de uma assentada. O terceiro despede-se com um cliffhanger que fará com que uma semana pareça tempo a mais para esperar por um novo episódio. Como tal, o melhor conselho para os mais impacientes é deixar esta série para daqui a algumas semanas, e então fazer maratona.