Shazam! Fúria dos Deuses

SHAZAM! FÚRIA DOS DEUSES

SHAZAM! FÚRIA DOS DEUSES

Da imensidão de filmes de super-heróis estreados desde o início do século, «Shazam!» (2019) é sem dúvida aquele que mais se aproxima do modelo do herói que surpreendeu e conquistou gerações de fãs desde os anos 40 do século XX. O herói, Billy Batson, é um adolescente órfão acolhido numa família adoptiva, que é escolhido por um feiticeiro poderoso para ser um paladino da humanidade. Ao proferir a palavra Shazam, Billy transforma-se num super-poderoso e invulnerável herói vestido de vermelho, branco e dourado que reúne em si todos os valores do melhor do espírito humano. Os criadores deste filme foram bastante felizes ao transporem para a actualidade o modelo do comic original desenvolvido por Bill Parker e C. C. Beck, no já longínquo ano de 1940. Zachary Levi encarna na perfeição o misto de inocência, soberba e alguma aselhice de um adolescente que se vê detentor de poderes miraculosos. O filme articula bem a realidade e a fantasia criando uma narrativa ao mesmo tempo divertida, energética e plena de emoção. Mas isso foi há 4 anos! O novo «Shazam! Fúria dos Deuses», de facto são deusas, deixa para trás o modelo mais intimista do filme original e segue o modelo vigente nos universos de super-heróis, tanto da Marvel Comics, quanto da DC comics. Ou seja, «Shazam! Fúria dos Deuses» substitui a dimensão humana do filme original por uma sobrecarga de efeitos digitais que podem ser muito ‘espectaculares’ mas não trazem nada de novo ou original. Sim, a fita tem muita pancadaria, cortesia das 3 filhas de Atlas, que tentam reclamar os seus poderes – agora na posse de Shazam e da sua família adoptiva. Enfim o caos assola a Filadélfia e a cidade é invadida por todo o tipo de criaturas míticas saídas da antiguidade clássica. «Shazam! Fúria dos Deuses» enche o olho, com a parafernália habitual de efeitos especiais, porém deixou para trás muitos dos elementos que tornaram o primeiro filme tão fresco e cativante. A fórmula para este «Shazam! Fúria dos Deuses» parece ter sido mais do mesmo que podemos ver em qualquer outra fita de heróis de collants coloridos. Este não é um mau filme de super-heróis, é apenas algo inconsequente e em última análise rotineiro. Nem mesmo a presença da sempre fabulosa Helen Mirren é suficiente para elevar este projecto a uma dimensão digamos extraordinária. E já agora Shazam não é o verdadeiro nome deste herói, mas sim Captain Marvel, entretanto usurpado por uma pindérica da concorrência. Manuel C. Costa

Título original: Shazam! Fury of the Gods Realização: David F. Sandberg Elenco: Zachary Levi, Asher Angel, Jack Dylan Grazer, Adam Brody, Lucy Liu, Djimon Hounsou, Helen Mirren Duração: 130 min. EUA, 2023

[Texto publicado originalmente na Revista Metropolis nº93, Abril 2023]