Rush

RUSH – DUELO DE RIVAIS

RUSH – DUELO DE RIVAIS

Para o seu mais recente filme Ron Howard foi buscar inspiração ao mundo da fórmula 1 e à famosa época de 1976 onde o campeonato mundial de condutores foi disputado de uma forma muito intensa por dois talentosos pilotos: Niki Lauda e James Hunt. Um dos aspectos recorrentes na obra de Howard é o seu desinteresse pelas nuances de personalidade, o seu mundo cinematográfico é sempre feito em alto contraste, com personagens antagónicas cujo confronto empreste dramatismo à narrativa. Niki Lauda, magnificamente encarnado por Daniel Bruhl, é-nos apresentado como um piloto ambicioso e de talento mas nada sociável, o que não o torna popular face aos seus pares. Por seu lado, o igualmente talentoso James Hunt surge no filme de Howard como um carismático sibarita que pilota os mais velozes carros do mundo entre festas sucessivas povoadas pelas mais belas mulheres e regadas com rios de champanhe. Desenhadas desta forma primária os perfis dos protagonistas, Howard limita-se a gerir o contraste entre as personalidades do tímido perfeccionista e do expansivo epicurista, com uma sucessão de vinhetas sobre as suas prestações nos Grand Prix, até ao momento charneira do filme que é naturalmente o aparatoso e quase mortal acidente que Lauda sofreu no circuito de Nurburgring. A recuperação de Lauda, num período de 6 semanas, de um acidente que o deixou marcado para a vida é algo que nenhum argumentista teria o arrojo de inventar, mas foi o que aconteceu e o piloto viria a disputar o título até às últimas. Enquanto a personalidade de Lauda tem um percurso dramático fascinante, graças especialmente ao desempenho de Bruhl, o mesmo já não se pode dizer de Hunt, que encarnado por Chris Hemsworth parece mais um pin-up boy com a dimensão de um folha de papel. Porém apesar da simplicidade da abordagem de Howard, «Rush – Duelo de Rivais» é talvez o seu melhor filme desde «Apolo 13» pois graças à espantosa cinematografia de Anthony Dod Mantle, uma realização precisa e um cuidado na recriação do período, ele consegue durante 2 horas evocar no écran não só o espírito da época como o frenesim avassalador que foi o circo da fórmula 1 na década de 70.

Título original: Rush Realização: Ron Howard Elenco: Daniel Brühl, Chris Hemsworth, Olivia Wilde Duração: 123 min EUA/Reino Unido, 2013

[Texto originalmente publicado na revista Metropolis nº13, Outubro 2013]

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