Raised by Wolves: Androides Não Sonham só com Ovelhas

Raised by Wolves: Androides Não Sonham só com Ovelhas

Drama pós-apocalíptico e distópico, «Raised by Wolves» conta com a realização de Ridley Scott nos dois primeiros episódios. Descubra o que a Metropolis tem a dizer sobre esta série promissora, que tem estreia marcada para dia 4, sexta, na HBO Portugal.

Trata-se possivelmente do lançamento mais sonante até à data no serviço HBO Max: «Raised by Wolves» tem estreia garantida em Portugal esta sexta-feira, 4. A HBO Portugal vai lançar três episódios de uma só vez, focados na introdução do conflito que ocupa a primeira temporada da série criada por Aaron Guzikowski (o argumentista de «Raptadas» (2013)).

Dois androids, Mãe (Amanda Collin) e Pai (Abubakar Salim), são incumbidos de desenvolver vida humana num planeta distante, segundo os princípios dos ateus. A Terra é uma memória distante, cujo eco do passado recupera a fatídica guerra entre os Mithraics — que acreditam em Soul (Alma) — e os não crentes. Pouco restou: os crentes deslocam-se em naves que lembram a “Arca de Noé”, enquanto os ateus optam por um transporte mais leve… e automatizado.

Se o projeto era bastante otimista, tudo muda com a morte sucessiva das crianças, até sobrar apenas uma, Campion (Jadon Holdsworth). Tal leva a que Pai decida contactar os humanos, para que o jovem não fique entregue à sua sorte se os androides entrarem em falência. É então que tudo descamba.

Além do marketing com Ridley Scott, «Raised by Wolves» é aguardada com grande expetativa pelos fãs de «Vikings», que testemunham aqui o regresso — potencialmente feliz — de Travis Fimmel. No entanto, a dinamarquesa Amanda Collin, irrepreensível no papel da Mãe, arrisca-se a roubar todas as atenções.

O sonho da maternidade 2.0

A problemática da emoção nas máquinas é uma questão quase tão antiga quanto o aparecimento de androides nas obras de ficção científica. Bem executado em «Westworld», o conceito explorado por «Raised by Wolves» faz lembrar os momentos mais destrutivos da T2, combinados com a imagética de obras como Alien ou Prometheus.

De argumento denso e cenas de ação bem executadas, nomeadamente nos flashbacks, a nova estreia da HBO Max tem os ingredientes técnicos certos. O desafio está no lado da história. O argumento denso e complexado coloca a exigência lá em cima, relativamente à forma como vai ser explorado ao longo de 10 episódios. Será que as motivações da Mãe vão ser totalmente percebidas? Quais os moldes que estão no passado desta nova realidade?

Outra dimensão muito interessante na trama está ligada à guerra entre religiosos e ateus. Divididos por ideais irreconciliáveis, os dois lados confrontam-se sem dó nem piedade, com o lado mais carenciado e enfraquecido a armar crianças e os Mithraics a construírem androides aniquiladores, capazes de assassinar qualquer pessoa em instantes. Também quem é merecedor de sobreviver e tentar a sua sorte no Espaço levanta uma série de questões morais e sociais relevantes.

A razão não é dada imediatamente a nenhum dos lados. Há o lado cego da crença, mas o ensino de uma comunidade baseada em princípios científicos e sem qualquer fé apresenta igualmente uma forte intransigência. A liberdade é um luxo, para já impossível de dimensionar na distopia à boleia da Mãe e de uma falsa sensação de poder dos humanos.

Atendendo ao ritmo mais parado, a espaços, dos capítulos iniciais, não deixa de ser uma aposta interessante da HBO lançá-los em simultâneo para evitar perdas de entusiasmo. Com os dados lançados, «Raised by Wolves» tem tudo para ser uma das boas surpresas da nova rentrée televisiva (será que ainda faz sentido chamar assim à época que arranca em setembro?). É mesmo esperar para ver.

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