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PÁSSARO BRANCO – UMA HISTÓRIA EXTRAORDINÁRIA

Para quem não se recorda, em «Wonder – Encantador», o pequeno Auggie (Jacob Tremblay) é vítima de bullying de vários colegas que não entendem a sua “diferença” e o seu rosto desfigurado. Julian (Bryce Gheisar) é um desses miúdos. Agora, em «Pássaro Branco – Uma História Extraordinária», Julian é neto de Sara (Helen Mirren), uma conceituada artista que vem de Paris para Nova Iorque para inaugurar uma retrospetiva do seu trabalho. O novo filme de Marc Foster é, assim, tido como um spin-off do filme de Stephen Chbosky «Wonder – Encantador», ambos inspirados nos romances da autora R.J. Palacio.

Adaptado para cinema por Mark Bomback («Insurgente», A Vida de Um Campeão», «Wolverine» ou «Planeta dos Macacos: A Revolta»), a narrativa de «Pássaro Branco – Uma História Extraordinária» começa com a típica situação de bullying na escola nova onde Julian passou a ter aulas. Confrontado entre os mais “cool” e os “falhados”, Julian chega a casa com sentimentos dúbios sobre como comportar-se na escola, e encontra a avó, Sara (Helen Mirren), que tem algo para lhe contar. Através da narração da avó, Julian vai conhecer a história da juventude desta, vivida numa França ocupada pelos nazis, e de como outro Julian (Orlando Schwerdt), um rapaz com Poliomielite, a ajudou a sobreviver quando ela tinha 15 anos e a acreditar no valor da humanidade.

Marc Forster mergulha neste quadro histórico e leva-nos, através da adolescência de Sara numa viagem a um tempo de atrocidades e injustiças, quando a França ocupada hostilizava judeus que, de um momento para o outro, deixam de ser as pessoas que sempre ali viveram para serem pessoas privadas da sua liberdade e da sua vida. Num exercício constante entre a imagem de época e o presente, o realizador enfatiza, ainda, o lado de fantasia que traz à história uma dimensão quase espiritual sobre o poder da imaginação e a ligação à natureza. Ariella Glaser (pequena Sara) é doce, mas forte, e madura, mas inocente, e rouba completamente as cenas, assim como a carismática Gillian Anderson e a incontornável Helen Mirren, mas o propósito do filme vai mais além.

«Pássaro Branco» é sobre o poder do amor entre humanos, mas também sobre a ligação à natureza e aos animais, que aparecem no momento certo e nos resgatam do pior que o ser humano é capaz de fazer. É, igualmente, sobre a coragem de ser diferente e o poder infinito da imaginação e de como esta nos pode salvar quando tudo à volta parece manter-nos enclausurados.

«Pássaro Branco – Uma História Extraordinária» não é apenas mais uma memória das atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra mundial contra os judeus. Vem antes recordar-nos da importância da luz que existe dentro de cada um de nós e de como a generosidade, empatia, humanidade, e, mais uma vez, o amor pode salvar-nos, mesmo quando as trevas se instalam.

Num mundo cada vez mais obscurecido por novas guerras e genocídios, por uma humanidade cada vez mais esquecida da sua luz interior, «Pássaro Branco» pode ser a centelha para reacender o poder transformador do respeito, da generosidade e do amor.

Título Original: White Bird Realização: Marc Forster Elenco: Hellen Mirren, Bryce Cheisar, Gillian Anderson Duração: 120 min. EUA, 2023

https://www.youtube.com/watch?v=QQ_8nqdepf0&t=8s

Sara Afonso
Sara Afonso
Entrou para o jornalismo há mais de 20 anos, ainda antes de terminar o curso de Comunicação e Jornalismo. Estagiou no jornal O Jogo, na área de cultura e cinema e, no final do curso, entrou no jornalismo especializado de Tecnologia, nas revistas Connect, Casa Digital e T3. Em 2011, aceitou a direção do seu projeto de sonho: a revista de cinema Empire, o bilhete dourado para conhecer e entrevistar estrelas do cinema e da TV, para comentar eventos de cinema e para ser júri em festivais de cinema nacionais. Por fim, assumiu a coordenação de vários projetos de imprensa, em áreas como surf, fitness, gastronomia, vida selvagem, mindfulness e criatividade, alimentação saudável, entre outros, sempre mantendo a colaboração na área do cinema, com a revista digital METROPOLIS. Já escreveu livros, criou perguntas para um famoso programa de televisão e contribuiu com a sua escrita para um projeto deslumbrante sobre o Oceano, (Oceans and Flow). Recentemente, voltou ao mundo das revistas, mas, como alguém disse um dia: “A partir do momento em que participam na descoberta mágica do cinema, este torna-se o vosso amor para sempre.

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