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O Último Elvis

Follow that dream… «O Último Elvis» (2012) podia muito bem ser lido como uma versão negra desse êxito imortalizado em 1962 pelo Rei, o verdadeiro.
Houve um tempo em que os sonhos serviram de mensageiros dos deuses, justificaram guerras, pacificaram nações. Freud descobriu neles uma janela para o inconsciente, o lugar por onde espreitam os nossos desejos mais secretos. Mas quando o desencantamento abrange todos os aspectos da nossa vida, também os sonhos passam a ser maioritariamente vistos como o resultado da colisão aleatória de memórias, já quase não passam de impulsos electroquímicos no cérebro.

É extraordinário ver um filme em que as personagens têm a coragem de levar os seus sonhos, por mais estapafúrdios que possam parecer, levá-los às últimas consequências. É isso que encontramos em «O Último Elvis», um filme que faz o retrato fascinante de um imitador de Elvis na pequena cidade de Avellaneda, a sul de Buenos Aires.

Catarina Maia
Catarina Maia
Catarina Maia é crítica de cinema, editora de conteúdos e investigadora independente. Escreve regularmente para a revista METROPOLIS desde 2013, entre críticas, entrevistas e ensaios sobre cinema contemporâneo, cultura visual e cinema de autor. Licenciada em Estudos Artísticos e pós-graduada em Estudos Fílmicos e da Imagem pela Universidade de Coimbra, cruza frequentemente o pensamento cinematográfico com questões sociais, éticas, ecológicas e urbanas. Paralelamente, desenvolve trabalho na área da comunicação cultural e coordena o projeto cívico de cariz ambiental Jardim Monte Formoso, ligado à biodiversidade e ao espaço público. Interessa-se particularmente pelas relações entre cinema, ética, memória e justiça social. A frase “Não gastes tudo em freiras”, do filme As Bodas de Deus (1998), de João César Monteiro, permanece como mote pessoal, entre a ironia, a ternura e a desobediência.

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