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O Congresso

A grande ambição confessa do romancista William Faulkner era “conseguir pôr tudo numa única frase”. Felizmente, para nós, ele deixou muitas mais, mas essa mesma procura obstinada pelo absoluto, essa mesma ambição de querer juntar no presente todo o passado, encontra o seu eco perfeito no cinema, e em particular nos actores enquanto “motores sagrados”, capazes, não se sabe bem como, de sintetizar num gesto uma vida inteira.

Um dos temas fortes de «O Congresso», de Ari Folman («Valsa com Bashir», 2008), é, justamente, a homenagem ao trabalho dos atores que, num futuro tão próximo como o agora, em vez de estrelas passaram a ser vistos como relíquias obsoletas.

Catarina Maia
Catarina Maia
Catarina Maia é crítica de cinema, editora de conteúdos e investigadora independente. Escreve regularmente para a revista METROPOLIS desde 2013, entre críticas, entrevistas e ensaios sobre cinema contemporâneo, cultura visual e cinema de autor. Licenciada em Estudos Artísticos e pós-graduada em Estudos Fílmicos e da Imagem pela Universidade de Coimbra, cruza frequentemente o pensamento cinematográfico com questões sociais, éticas, ecológicas e urbanas. Paralelamente, desenvolve trabalho na área da comunicação cultural e coordena o projeto cívico de cariz ambiental Jardim Monte Formoso, ligado à biodiversidade e ao espaço público. Interessa-se particularmente pelas relações entre cinema, ética, memória e justiça social. A frase “Não gastes tudo em freiras”, do filme As Bodas de Deus (1998), de João César Monteiro, permanece como mote pessoal, entre a ironia, a ternura e a desobediência.

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