[Texto originalmente publicado na revista Metropolis nº15, Dezembro 2013]

Numa fase em que o cinema americano aposta forte e feio nos “biopics” e nas chamadas “histórias verdadeiras”, chega-nos a história de Ron Woodroof, um eletricista texano que se tornou célebre na forma como formou um clube privado de doentes de SIDA que combatiam o flagelo no seu início. Uma história boa demais para ser verdade que é aqui servida como um guião funcional e quase sempre sólido. Pela excentricidade da situação – Ron, machista e homofóbico convicto, aliou-se a um travesti – desmarca-se do “material” de telefilme, embora patenteie sempre uma certa carapaça de fórmula de “caso da vida”, mais precisamente no arco moral da personagem (no fim, é quase um santo).

«O Clube de Dallas», mesmo alguns defeitos, vale por uma intensidade que parece genuína. O realizador canadiano Jean-Marc Vallée mostra um amor genuíno pelas personagens. Há um olhar “queer” honesto até à medula e com uma sensibilidade que faz lembrar os melhores momentos de C.R.A.Z.Y, até á data o seu melhor filme. Depois, há também uma direção de atores que é espantosa no detalhe. Matthew McConaughey merece de caras o Óscar. E se o ganhar terá certamente direito a ovação de pé. E não é por ter perdido todos aqueles quilos. Há uma imersão na personagem que assusta. Outro dos atores com franca possibilidade de nomeação, é Jared Leto, neste caso, para a categoria de melhor ator secundário. O ator, que quando decide voltar ao cinema, procura sempre transformações radicais, finta a armadilha de interpretar um travesti. Aliado a isto, há ainda um sentido humor muito humano. O carisma texano faz maravilhas aqui.

Se de um ponto de vista houvesse um desenvolvimento dramático mais fresco ou um sentido trágico mais calibrado, «O Clube de Dallas» seria o “instant classic” que promete. Assim, é apenas um “crowd-pleaser” a meio gás. Agarra o público no começo, mas à medida que percebemos para onde vai é um produto indistinto de Hollywood. Vallée merecia e pedia um argumento que lhe deixasse ir mais longe no sentido de rêverie. Se calhar, não era ele o realizador para este filme cheio de “mensagem positiva”. Seja como for, cumpre. E cumpre bem.

Título original: Dallas Buyer’s Club Realização: Jean-Marc Vallée Elenco: Matthew McConaughey, Jared Leto, Jennifer Garner Duração: 117 min EUA, 2013

https://www.youtube.com/watch?v=g2okPc8kObI
ARTIGOS RELACIONADOS
Masters of Universe – teaser trailer

Em MASTERS OF THE UNIVERSE, o realizador Travis Knight traz de volta ao grande ecrã o lendário franchise numa épica aventura em live-action. Após Ler +

Tron: Ares – estreia Disney+

“Nothing is so dangerous as being too modern. One is apt to grow old-fashioned quite suddenly.” (“Nada é mais perigoso Ler +

O Autocarro Perdido

Em «The Lost Bus» («O Autocarro Perdido»), 2025, de Paul Greengrass, logo de início sabemos o local e a região Ler +

‘As Pequenas Coisas’ se tornam gigantes com Denzel Washington

Cotado para o Oscar com «Highest 2 Lowest», de Spike Lee, Denzel Washington hoje atrai olhos cinéfilos para atuações memoráveis Ler +

Tron: Ares – trailer

Tron: Ares foi realizado por Joachim Rønning a partir de um argumento de Jesse Wigutow e Jack Thorne. É uma Ler +

Please enable JavaScript in your browser to complete this form.

Vais receber informação sobre
futuros passatempos.