Mundos Paralelos

Mundos Paralelos: O Caos Está Instalado… e a Profecia?

Mundos Paralelos: O Caos Está Instalado… e a Profecia?

A série «Mundos Paralelos», inspirada na saga His Dark Materials de Philip Pullman, regressa amanhã à HBO Portugal. A METROPOLIS teve acesso antecipado aos primeiros cinco episódios (de um total de sete, a serem lançados semanalmente).

A personagem de Dafne Keen, Lyra (antes Belacqua, agora Silvertongue), é o reflexo da esperança num universo dominado pelo caos em «Mundos Paralelos» [His Dark Materials no original], uma colaboração conjunta da HBO e da BBC. Protagonista de uma profecia agora em andamento, tem de agir sem conhecimento da importância que lhe foi destinada.

Depois do final chocante da primeira temporada, que culminou com a passagem de Lord Asriel (James McAvoy) para um “mundo paralelo” e com Lyra a seguir no seu encalço, a profecia anunciada pelas Bruxas ganha nova força e mais relevo na trama. O desfecho da T1 acompanha a premissa dos livros de Philip Pullman, ao contrário do que tinha acontecido no filme «A Bússola Dourada» (2007), que optou por um final em aberto e mais risonho para o melhor amigo de Lyra, na expetativa de continuar a narrativa numa sequela que nunca aconteceu.

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Quem também partiu à descoberta de novos mundos foi Will Parry (Amir Wilson), uma personagem que já percebemos ser de suprema importância para a narrativa. Assim como o seu pai, o coronel John Parry (Andrew Scott), cujo desaparecimento foi um dos temas centrais da temporada inicial. Will e Lyra acabam por encontrar-se cedo na localidade que Asriel via nos céus, um espaço entregue à destruição, uma vez que os adultos são vítimas de figuras sombrias e misteriosas, que pairam pela cidade e deixam as crianças abandonadas à sua sorte. Entre o novo elenco destaca-se Bella Ramsey, que conquistou os fãs de «A Guerra dos Tronos» como Lyanna Mormont.

A segunda temporada de «Mundos Paralelos» assume uma estrutura diferente da primeira. Um ritmo mais lento, discursos mais densos e uma maior complexidade dos seus intervenientes principais, que passam a ter uma existência além de Lyra – ainda que continuem a ter a sua segurança como prioridade. A ação assume um contorno mais literário, demorado, sendo que as dúvidas vão dando lugar a respostas mais concretas. Exemplo disso é a intervenção de Carlos Boreal (Ariyon Bakare) na história, com os seus interesses a serem cada vez mais desmascarados; ou o alcance das Bruxas, com especial destaque para Serafina Pekkala (Ruta Gedmintas).

Os dois lados do confronto de «Mundos Paralelos» são também mais evidentes do que nunca. De um lado, o Magistério que promove o cumprimento das regras impostas pela Autoridade, do outro lado todos os que procuram o livre-arbítrio e a possibilidade de uma realidade livre das amarras ditatoriais deste órgão. E, se a natureza do primeiro lado é clara, o segundo não representa necessariamente o Bem, sobretudo devido a atitudes muito questionáveis, nomeadamente por parte de Asriel. É uma espécie de lado “menos mau”. Mas qual o preço a pagar pela liberdade?

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Marisa Coulter (Ruth Wilson) apresenta-se como o “joker” desta equação, sem um lado definido e com ações que provocam desconforto a todos os lados em confronto. Embora não seja uma personagem consensual – assim como, ironicamente, acontece com a atriz que lhe dá vida –, Coulter é sem dúvida um elemento crucial para a narrativa de «Mundos Paralelos» e para a consolidação do caráter de Lyra. Mais consenso encontra Lee Scoresby (Lin-Manuel Miranda), um dos intervenientes a crescer de importância na trama.

«Mundos Paralelos» reforça a sua presença entre as sagas a acompanhar em TV no momento, ainda que longe de outros sucessos da HBO como «A Guerra dos Tronos». A narrativa é coesa e o regresso marca a passagem da luta contra o incerto para uma luta bem mais explícita – e difícil. Não obstante, o maior desafio continua a ser o mesmo: a representação dos daemons, uma espécie de projeção animalesca da alma e dos pensamentos das personagens do mundo de Lyra. A sua presença acontece muito à superfície e com a passagem para outras realidades, acabam por sair ainda mais prejudicados. Muito importantes nos livros, continuam à procura de justiça na tela.

No elenco, além dos já mencionados, destacam-se Jade Anouka, Will Keen, Simone Kirby e Sean Gilder, entre outros. A temporada, antes pensada para oito episódios, vai ter menos um do que o esperado. O impacto da Covid-19 também se fez sentir na série, com o episódio dedicado a Asriel a ser totalmente cortado da edição final.

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