Motelx2021_The Green Knight

Motelx 2021

Motelx 2021

Já passaram 15 anos! O Motelx é hoje um dos festivais de cinema mais respeitados do género Terror, não apenas na Europa, mas em todo o mundo. O caminho trilhado enche de orgulho os diretores João Monteiro e Pedro Souto que, numa conversa breve com a METROPOLIS, ajudaram a lançar a edição 2021 do festival. O balanço desta década e meia de atividade, os desafios principais do Motelx, com destaque para a descentralização do evento, o foco temático deste ano, as secções de competição internacional e nacional com a garantia duma produção nacional que resistiu aos confinamentos sucessivos. Finalmente a garantia da extensão do festival para outras cidades portuguesas com o apoio do principal exibidor cinematográfico nacional e as expetativas elevadas para a edição deste ano, a decorrer como é habitual, nas salas do São Jorge. O Motelx começa no dia 7 de setembro com a exibição do filme «A Lenda do Cavaleiro Verde» [foto], uma aventura fantástica, com um elenco de luxo que inclui Dev Patel e Alicia Vikander.

15 anos depois, O Motelx não só resiste, como se tornou num dos certames mais importantes do género! Qual o balanço, em termos sintéticos, que se pode fazer do caminho trilhado até aqui?
O caminho trilhado ao longo destes anos é um caminho que nos enche de orgulho uma vez que foi feito foi feito de forma sustentada, assegurando que o festival se mantenha num nível de exigência alto. Com os dois objetivos em paralelo: satisfazer o público com as nossas propostas e, em simultâneo, desafiar esse mesmo público com novos e arrojados programas. Para além disso, conseguimos trazer a Lisboa grandes realizadores, produtores e outros agentes do género partilhando experiências e conhecimento com os nossos espetadores. Finalmente, demos um empurrão decisivo ao cinema de terror nacional com a nossa competição nacional, as sessões consecutivas de produção portuguesa e difusão dos projetos e dos autores a despontar.

Quais os desafios principais que se colocam ao Festival?
Nesse momento, o maior desafio é a descentralização do nosso festival. O plano consiste em fazer chegar a outras cidades e localidades nacionais a nossa programação, com as nossas propostas, os nossos programas a um público cada vez mais alargado, que vive e trabalha fora de Lisboa. Queremos conseguir levar o festival a outros destinos nacionais de acesso mais limitado, mas que concentram milhares de espetadores desejosos de assistir às novas propostas do cinema de terror nacional e internacional. Por outro lado, o outro desafio consiste em prosseguir o trabalho de divulgação do cinema de terror nacional fora das nossas fronteiras. Esta missão começou em 2017, em Paris, na cinemateca francesa, e queremos dar continuidade noutras cidades, regiões ou países estrangeiros.

«Black Medusa»

Num momento de afirmação global do cinema de terror e duma situação mundial complexa por causa da pandemia, qual será o foco da edição deste ano?
O cinema de terror alimenta-se da realidade e dos problemas contemporâneos, refletindo nas suas propostas os medos, as inquietações e os dilemas da atualidade. Os temas da atualidade estarão refletidos nos filmes que escolhemos exibir nesta edição do Motelx. Este ano, para além dos filmes mais recentes, o foco vai para a representação feminina, a partir dos serial killers femininos, em função de toda a complexa e problemática questão suscitada pelo movimento #Metoo e as questões da igualdade de direitos (o ano passado o foco tinha estado na questão do racismo). Para além disso, na secção quarto perdido concentrarmos a nossa atenção na Guerra Colonial e exibimos dois filmes de Joaquim Leitão sobre o tema, assinalando o 60ºaniversário do início do conflito (1961).

Uma das principais secções do MotelX é a de Curtas Internacionais que inclui a seleção, para o vencedor das curtas-metragens europeias, para o Meliés d’or (prestigiado galardão do género). Quais os principais destaques da edição 2021 neste âmbito?
Um dos principais destaques prende-se com a inclusão de mais filmes portugueses que poderão ser premiados para além da competição de curtas portuguesas, como é o caso dos últimos filmes de Patrick Mendes “A Terra de Não Retorno” ou Filipe Melo “O Lobo Solitário”. Relativamente a outras nacionalidades, aconselhamos o humor negro de Xavier Seron em “Squish” (Bélgica), a comédia sci-fi de Marc Martínez Jordán e Tuixén Benet em “Solution for Sadness” (Espanha), o puro terror de Sophie Mair e Dan Gitsham em “The Thing That Ate the Birds” (Reino Unido), o terror hip hop escatológico de Tristan Kim em “Run that Shit” (EUA) e a paranóia pandémica de Anssi Määttä em “Hysteria” (Finlândia).

«Um Fio de Baba Escarlate»

Um momento alto do festival será a revisitação do problema da guerra colonial com a exibição dos filmes de Joaquim Leitão sobre o tema: «Inferno» (1999) e «20,13 Purgatório» (2006). O que vos motivou a escolher este tema e os filmes em questão para exibir na edição deste ano?
Trata-se de dois filmes que sempre apreciámos bastante dentro das colaborações de Tino Navarro com Joaquim Leitão, nem que fosse pelo facto de se constituírem como uma trilogia sobre a guerra colonial que nunca foi terminada. Para além do tema da guerra, são filmes que combinam uma multitude de subgéneros que os tornam objetos ímpares dentro de um cinema sem essa tradição, como é o português. Queríamos passá-los juntos como foram pensados e talvez poder motivar os autores a concluir esta trilogia.

A produção portuguesa do género tem o seu momento alto na secção que é o prémio MotelX para a Melhor Curta de Terror portuguesa 2021. O balanço da “colheita 2021” nacional é positivo? Houve alguma diminuição da atividade por causa da pandemia?
O balanço tem sido sempre bastante positivo porque continuamos a receber muitos filmes produzidos, de propósito, para esta competição. Temos doze filmes muito diferentes entre si que atestam a vitalidade do terror, no formato curta-metragem, em Portugal. Relativamente aos condicionalismos impostos pela pandemia, acabaram por não se verificar no número de filmes submetidos, sugerindo que o período de confinamento foi muito proveitoso para a produção nacional neste género cinematográfico.

O MotelX vai ter uma extensão do festival para fora da cidade-sede, Lisboa. Pode adiantar-nos em que moldes vai ser feita a extensão, com que parceria, e quanto tempo durará?
É uma parceria com a NOS Cinemas que permitirá ao MOTELX chegar a sítios onde nunca exibiu cinema de terror. As sessões serão realizadas nos Cinemas NOS e durará até ao fim do ano. O conjunto de filmes a ser exibidos incluirá o leque de propostas apresentadas ao longo do festival. A nossa expetativa é elevada dado o interesse crescente neste género de cinema e tendo em conta a ausência de propostas no circuito comercial para os espetadores portugueses, que vivem fora de Lisboa.