Metropolis 83

DEPOIS DOS ÓSCARES...

A produção cinematografia desde a sua era pioneira até aos nossos dias atravessou inúmeras mutações e debates existenciais. A constante metamorfose de uma arte que é a paixão das nossas vidas levou-nos a pensar nos últimos anos sobre o day after. Os editores e os colaboradores da METROPOLIS no passado discordaram e debateram diferentes posições no paradigma streaming/ salas de exibição mas sempre concordaram que o cinema só poderia sair por cima. Ser reacionário era perder metade da diversão perante uma realidade que se afirmava como uma certeza e que se agigantou aos espectadores por via da pandemia e o fecho das salas. É evidente que terão de haver ajustes nas salas de cinema com o número de estreias a normalizarem após anos em que se atropelavam e o streaming que necessita de maior curadoria face ao algoritmo.

A NOS Audiovisuais também mostrou uma possibilidade de coexistência em Portugal entre a Netflix e a exibição antecipada em sala com duas estreias em 2021. Esperamos que não seja experiência única. Há muitos e bons filme em streaming que merecem o grande ecrã e certamente terão o abraço dos espectadores no interior de uma sala de cinema, parece-nos um modelo para o futuro.

A METROPOLIS, em Dezembro, teve a oportunidade de assistir ao showcase da Disney em Portugal, apercebemos do domínio junto do público e a multiplicidade de escolhas dadas aos espectadores do estúdio do rato Mickey. É impressionante a transversalidade entre as salas, o streaming mais eclético da Disney+ (foi lá que vi o melhor documentário de 2021 «Summer of Soul» de Questlove) e a televisão com as séries da FOX a não darem hipótese à concorrência em termos de audiências. A Disney é um estúdio com uma força nunca antes vista e tem dado sinais de não sobrestimar os espectadores com as suas diferentes labels, veja
se as escolhas de Chloé Zhao em «Eternos», Cate Shortland em «Viúva Negra», Michael Waldron em «Loki» e Jac Schaeffer em «WandaVision» tudo criações com marca e personalidade dos seus autores. Como diria a afirmação milenar popularizada pelo universo do Homem-Aranha “With great power comes great
responsibility”.

Tiago Alves

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