Metropolis 78

UMA EXPERIÊNCIA COMUM

Os espectadores vão estar sempre de braços abertos para o cinema. É nisto que acreditamos. E a prová-lo estão os resultados de «Velocidade Furiosa 9» e o !m de semana de abertura de «O Esquadrão Suicida», mostrando que há margem de crescimento e vontade do público nacional regressar em massa às salas. O cinema de qualidade e os festivais começam também a chegar em força. Relembramos ainda a gloriosa colheita do último Festival de Cinema de Cannes que será destaque na próxima edição da METROPOLIS já em jeito de rentrée. Parece que não teremos de esperar um ano para a maioria das estreias do maior Festival do mundo de cinema chegarem a Portugal!

O alinhamento da revista METROPOLIS e a programação de algumas salas (destaque para a UCI e a NOS Amoreiras, salas onde a nossa revista realizou ao longo dos anos dezenas de sessões exclusivas) são a prova de que é possível a coexistência de diferentes públicos e programações que apelam, mas sobretudo convidam os espectadores a experimentarem algo diferente. E, de certa forma, quando afastamos a ameaça invisível do algoritmo das plataformas de streaming também damos por nós a conhecer novas cinematogra!as. Não é só o modelo de lançamento dos !lmes que precisa de mudar, será necessário repensar como se dimensiona a oferta e a variedade dos !lmes e a qualidade de informação que se oferece ao público. Um espectador informado é o ponto de partida para criar as bases para a continuidade de uma forma de viver o cinema nas salas. Ao longo dos anos com as necessidades de apresentar resultados imediatos, as estreias em catadupa e !lmes que estão uma semana em cartaz (e depois desaparecem sem deixar rasto) resultaram numa perda da noção de criação, cultura e sustentação de públicos. O interregno provocado pela pandemia forçosamente antecipou que os players da nossa área pensassem num futuro sustentável para que todos possam continuar a partilhar e a viver o cinema como uma experiência comum.

JORGE PINTO

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