Metropolis 68

A vaga de entusiasmo

A METROPOLIS de Maio veste as cores de «Avengers Endgame». A cultura popular cavalga uma gigantesca onda de entusiasmo com o final da saga da Marvel e com os últimos salvos de «A Guerra dos Tronos» (GoT). É surpreende que ambos os fenómenos saiam de cena nos seus próprios termos – os autores não foram influenciados pelos estúdios ou pela enormíssima pressão das redes sociais. O resultado são experiências genuinamente cinematográficas – não há diferenças entre o 3.º episódio de GoT e uma longa-metragem – em que a natureza humana, com as suas virtudes e defeitos, nos remete para a nossa própria existência em narrativas que, apesar do fantástico, nos inspiram, demonstrando que o impossível está ao alcance do mais comum dos mortais. Em tempos cinzentos como aqueles em que vivemos, sob a sombra do extremismo, as histórias carregadas de esperança são sempre bem-vindas a todo tipo de ecrãs. É também insólito que se possa passar ao lado destas produções achando que as mesmas são incipientes e existem apenas pelos efeitos especiais.

Estamos perante universos televisivos e cinematográficos que vieram para ficar e têm o seu público, mudaram o paradigma do cinema e da televisão. Como em tudo o resto, haverá triunfos e fracassos, faz parte. Mas a Disney/ Marvel tem vindo a recrutar autores muito interessantes para a as suas futuras produções (vide a magnifica Cate Shorland, Chloé Zhao ou mesmo o repetente Ryan Coogler), esperamos que isso se traduza em filmes com um cunho pessoal, capazes de continuar a surpreender as audiências evitando filmes de laboratório. A cruzar-se com as mega produções está o cinema de produção independente e a nossa revista estreou-se em mais um evento de prestígio, o conceituado Festival de Cinema de Tribeca, em Nova Iorque, um evento com a curadoria de Robert DeNiro. O nosso colaborador Rodrigo Fonseca foi bafejado por um alinhamento de deixar água na boca, leiam tudo nas páginas que se seguem… E, por falar em festivais, estamos à porta do maior evento do género com a 72.ª edição de Cannes, onde a nossa equipa vai continuar a fazer uma cobertura única (a maior no nosso país nos últimos anos). Cannes é uma bandeira da nossa revista, o alinhamento está polvilhado de pesos pesados: Tarantino, Malick, Almodóvar, os Dardenne, entre outros. Mal podemos esperar pelo próximo número… A terminar, o cinema português está em estado de graça em 2019 com muitos e bons lançamentos. A METROPOLIS continua a dar extensa cobertura à colheita da casa e antecipa mais três títulos de referência, o regresso de Ivo M. Ferreira e Margarida Vila-Nova com «Hotel Império», um olhar sobre a esperada nova produção de João Botelho com «O Ano da Morte de Ricardo Reis» e a comédia de Vicente Alves do Ó «Quero-te Tanto». São conversas deliciosas com os criadores e protagonistas que permitem mergulhar na génese destas produções. O ano ainda nem vai a meio mas 2019 já promete com filmes para todos os gostos!

Jorge Pinto

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