Metropolis 64

TIME’S UP: CHEGOU O MOMENTO DE JAMIE LEE CURTIS

A carreira de Jamie Lee Curtis abrange quatro décadas com múltiplos papéis na televisão e no cinema. O «Halloween» original, com o título português «O Regresso do Mal», estreado em 1978, transformou-a numa estrela e na ‘rainha dos gritos’, uma alcunha que parece depreciativa quando olhámos para outros papéis de qualidade que desempenhou, por exemplo, na comédia «Um Peixe Chamado Vanda», de Charles Crichton e John Cleese, ou no thriller de ação «A Verdade da Mentira», de James Cameron.

Ao longo deste percurso Jamie Lee Curtis reinventou-se. Lidou com a ausência de papéis relevantes em cinema escrevendo 13 livros infantis e investiu o seu talento na fotografia. Fundou uma família e ficou sóbria da sua dependência, publicamente assumida, de opiáceos.

«O Regresso do Mal», de John Carpenter, e «Halloween», a sequela filmada com David Gordon Green, em 2018, definem o círculo completo da sua carreira. Em 1978 tinha 20 anos e celebra 60 anos em 22 de novembro de 2018. Quatro décadas depois vemos o que sucedeu com a personagem de Laurie Strode, percebemos melhor o seu contexto, como ficou marcada, quando tinha 17 anos, por uma situação traumática.

Hoje os movimentos #TimesUp e #MeToo corporizam uma reação de mulheres traumatizadas e abusadas de forma sistemática ao longo deste tempo. Olhando para os dois principais filmes que Jamie Lee Curtis protagonizou na saga «Halloween» percebemos que esta é uma história sobre a forma como uma mulher lida com um trauma. Jamie Lee Curtis não é uma voz ativa nesses movimentos onde muitas das suas colegas estão envolvidas. Durante muitos anos também não conseguiu afirmar o seu trabalho em cinema ou dar continuidade aos bons papéis que fez.

O sucesso público bateu-lhe novamente à porta – «Halloween» obteve os melhores resultados na estreia de um filme de terror com um papel principal feminino e onde uma atriz com mais de 55 anos representa a personagem principal. Este talvez seja o momento de Jamie Lee Curtis ser nomeada para um Óscar… com um papel num filme de terror, algo raro na história do cinema. Se calhar Jamie Lee Curtis vai derrubar esse preconceito. Time’s up!

TIAGO ALVES

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