Metropolis 107

Metropolis 107

Esta edição da revista METROPOLIS apresenta uma ampla cobertura da 77ª edição do Festival de Cannes, com reflexões sobre os filmes, escolhas e foco nas obras mais marcantes que foram exibidas.

Foi um festival que prestou homenagens relevantes a figuras marcantes de uma era dourada do cinema de Hollywood, como são os casos de Meryl Streep e George Lucas. Mas quem se destaca é um dos premiados, o cineasta português Miguel Gomes, com «Grand Tour» no palmarés final.

Numa primeira reação após a cerimónia de encerramento, Miguel Gomes falou de “um dia de sorte” para o cinema português. Foi isso, sim, mas muito mais. Desde logo foi mais do que sorte para o próprio Miguel que em edições anteriores do festival apresentou «As Mil e Uma Noite Noites» e «Diários de Otsoga». Ou para a produtora Filipa Reis, que há um ano esteve na Quinzena dos Cineastas com a sua longa-metragem «Légua», confirmando que uma cinematografia precisa, primeiro, de ganhar espaço no festival, e depois saber preservá-lo.

Vale a pena lembrar que nas duas primeiras décadas deste século, Manoel de Oliveira recebeu um prémio do júri e a Palma de Ouro honorária, João Salaviza foi premiado três vezes, incluindo com uma Palma de Ouro, Gabriel Abrantes e João Gonzalez triunfaram com curta e longa-metragem na Semana da Crítica.

São muitas noites de sorte no maior festival de cinema do mundo! E esta noite única com um cineasta português a receber pela primeira vez o prémio de melhor realizador. Não, Miguel, não é só sorte, não há muitas cinematografias no mundo que façam tanto para ter esta “sorte”. Já podemos dizer que é a Cannes of kindness!

TIAGO ALVES

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