Mata-os Suavemente

MATA-OS SUAVEMENTE

MATA-OS SUAVEMENTE

Era para ser o grande estrondo de Cannes 2012. Falava-se finalmente em consagração para Andrew Dominik e no definitivo filme de gangsters para os anos 2000. Pois bem, além de ter saído do festival de mãos a abanar, não entusiasmou a imprensa e, pior do que isso, ganhou um hype de desilusão. Sem rodeios, «Mata-os Suavemente» é a prova de que o cineasta de «O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford» é uma espécie de esperança adiada. Um nome que tarde em confirmar-se. Alguém que filma com sentido de domínio, que está prestes de conseguir coisas grandiosas mas que depois embrulha-se em rodeios estilísticos que parecem sempre trampolins de pose. «Mata-os Suavemente» é daqueles casos de muita pompa para pouca substância. Um “thriller” sobre ajustes de criminosos numa América dos dias do descalabro financeiro de 2008. Brad Pitt é um capanga chamado pelos mafiosos para resolver os assuntos mais sujos, neste caso, pôr em ordem um caso com peças soltas. Por outras palavras, eliminar quem tentou dar o golpe.

Por muito que o filme tenha um discurso político e social, esse lado de mensagem do espelho da Améria de hoje funciona apenas como decoração armada ao pingarelho. Como se na sua base, as funções do thriller, estivessem em rota de desvio demasiado intencional. Ficamos um pouco com a sensação que essa intenção é empolada para mostrar “o quão séria é a mensagem”. “Ó que inteligente somos e fazemos um filme de gangsters com diálogos sobre economia e metáforas políticas”. É claro que o “justiceiro” de Pitt é bem explorado, uma personagem com discurso moral e uma impassibilidade estimulantes. Mas só isso não chega. Nem isso nem um começo tenso e com uma atmosfera rude e timing diferente. Os longos diálogos são apenas figuras de intenção. Num abrir e fechar de olhos, o filme esvai-se. A história não estica mais. Sabe a pouco…no mau sentido da palavra. E o que dá mais raiva é que Dominik sabe filmar, tem um olhar certeiro e subtil. É pena ter-se deixado cair na ratoeira de querer estampar em demasia a alegoria do crime e política. E não nos venham vender que isto é o equivalente à versão para cinema de uns «Os Sopranos»…

Título original: Killing Them Softly Realização: Andrew Dominik Elenco: Brad Pitt, Ray Liotta, James Gandolfini, Richard Jenkins, Ben Mendelsohn. Duração: 97 min EUA, 2012